SILVER SINner SURFing SURLY on SURFEIT

silversurfer051

Eu deslizo em minha prancha

Sentindo orbitar em meu peito a solidão das galáxias

Em minha respiração não há movimento.

De todas as questões filosóficas que já assaltaram minha consciência

Uma possui natureza concreta, física e sobretudo biológica:

Como eu continuo vivo?

Sinto a solidez de meu corpo

Vejo minha pele refletir a luz das estrelas

Mas não possuo movimento interno, não respiro,

não circulo, não digiro nada.

Minha tristeza não produz lágrimas,

meu choro não soa soluços.

Não verto voz, não emano nada

A não ser a energia cósmica que me move a rumar.

Absolutamente adaptado ao vácuo, sigo

Meu único movimento é meu caminho

Movo minha ação: Minha emoção é trilhar

Desloco meu sentimento: Meu deslocamento se dá

Sem controle, contemplo

Minha própria vida alienígena

Inter-ajo com homens e criaturas microscópicas

Deslizando no céu, sobre ondas de ar

Pego um tubo num buraco negro

E vou parar em outro lugar

Outro tempo, eras de contemplar

O mesmo movimento, sem ter mais o que esperar

O mesmo desejo, vontade de se fazer explicar

Eu mesmo cimento a ânsia de não mudar

Errante argento, sedento por descansar

Cruzando outro crepúsculo cinzento…

viajando sem nunca chegar

Pergunto ao meu criador: “Quando isso irá acabar?!”

Mas ele me ignora, tem sua fome para aplacar

Só me dá solidão, o castigo por querer me salvar

Morrer em companhia era o preço de não escapar

E uma vez em fuga, para sempre a peregrinar

De sol a sol, só estrelas a me encantar

Não tenho nada, só minha prancha pra me apoiar

Minha utopia, vontade de nenhum lugar

É cessar a viagem, cessar os vôos, cessar o alçar

Apodrecer no solo, me enterrar.

Minha consciência continua em dúvida

Insisto na vida, insisto em saber:

“Como continuo vivo?”

Como viver assim? Sem nenhuma raiz

Sem parceiro, sem amigo

Sem origem, sem matriz

Sem nada na trilha, sem conhecer

Nenhuma ciência explica, nenhum olhar se intriga

Nenhuma mente me entende, não há nada para aprender

Vazio de história e experiência,

todo o universo não passa de uma galeria

Estou distante de tudo,

à um triz de qualquer ponto do espaço.

Posso fazer qualquer coisa,

Mas tudo o que faço é vago.

E vago… e vago… e vago…

Meu corpo de prata é maciço

Sólido de solidão

Meu vácuo é não saber quem sou, por que sou,

E como amo sem coração.

Sem nunca sangrar, singro

Sem nunca suar, sôo

Sem nunca calejar, calo

Sem nunca me libertar, vôo

Para Stan Lee,

gigolô supremo

de heróis prostituídos.

Ti 1-Abril-2008

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