(O TrÂNsiTo como SaNgrIA)Multiverso Inter-pessoal

O ceticismo é um tipo de descaso com a vida. Assim como o ceticismo, quando catalisado pela preguiça, anaboliza-se transmutando em apatia.

Tudo bem, ninguem gosta de religiosos fervorosos a não ser eles mesmos, nem de “positivismos new age” – um tipo de positivismo tradicional sem a arrogância cientificista, substituída – no caso – por uma crença&vivência duma (ou numa) “nova era” baseada em uma espécie de neotimismo ultra-exagerado que – além de ser totalmente irritante – acaba justificando a ignorância em todos os níveis de gênero ou aprofundamento. Também não é nessa que eu tô.

Mas pensar em darma e em karma, em forças invisíveis agindo sobre comportamentos e modos de vida… isso pode ser um exercício de percepção. E aliás, cética e ainti-cepticamente falando, cada um percebe, entende, enxerga (olha) e vê a sua vida do jeito que melhor lhe couber (e o mercado traz uma incrível diversidade de opções – ainda que nem tantas nos sub-países de re-colônia, essa mestiçagem suja, pobre, piegas e leviana – sustentada por uma atuação (realmente patética) de “sentir-se no 1º Mundo” desfrutando de uma tecnologia “super avançada” a que tem acesso, e as vezes nem sabendo que essa velharia obsoleta não passa do que já foi inventado há mais de décadas em outras paragens; enquanto a vanguarda realmente de ponta está sendo usada só pelas corporações secretas que dominam as inteligências estatais e exploram a espionagem internacional como um viciado em roleta russa que só aposta a cabeça alheia.Já leu Watchmen? Tem algo nessa história que não cabe nem no cinema espetacularmente bem pago de Hollywood: Um monstro gigante que é abortado na existência bem no meio de Manhattan, matando o equivalente a uma explosão nuclear. Esse monstro representa a civilização. É a criatura que a ciência cria para sacrificar um sem-número horrível de vidas em pró da suposta “salvação” dos sobreviventes (um excelente conceito para relativizar a nociva necessidade do homem moderno por conforto). Esse horrendo monstro genocida (des)vive como um câncer em todas as cidades do mundo. Corre asfalto em suas artérias. Seu hálito é nosso ar poluído de escapamentos.

Mas esse cenário desolado pode ficar para trás em um só passo inter-dimensional. A velha estratégia de recorrer a realidades paralelas é velha porque dá certo. E então as veias da besta (neg)ativam  uma passagem através da sangria, de forma que o movimento de partículas vitais se destaquem sobre a paisagem inorgânica e um novo universo se desdobre sob a aurora da possibilidade. E o que poderia ser um desesperador anti-fluxo de celas penitenciárias congestionando-se em excessiva quantidade e tão pouco espaço – o trânsito – transmuta-se em sangria: a fina película que promove o toque existencial entre dois universos distintos. Pelo furo na Sangria, ocorrem os choques de realidades…  choques que representam um contato imediato com qualquer cultura&história, que pela simples existência inteligente é possível conectar-se com outras consciências vivas, de reinos distantes ou de outros tempos.

De acordo com relatos mitológicos anteriores a nossa existência humana & segundo o reconhecimento científico tradicional, a estimativa da idade humana indica seu surgimento em algo como 70.000 a.C, quando viviam nessa mesma terra que pisamos civilizações literalmente gigantescas.

Mas o importante para a NeoMitoSofia não é determinar a data da origem do homem, mas sim provar que cada homem é, como um floco de neve, formado por um desenho intrincado de hastes  que ligam-se entre si e ficam abertas, aptas a ligarem-se com as hastes de outrém; cada existência, cada vida, possui um delicado formato único, e em sua unidade, contém absolutamente cada um dos infinitos caminhos para onde trilhar da encruzilhada dos mundos… A metáfora da realidade alternativa, ou melhor, a simbologia mitológica do Multiverso, deve ser aplicada sociologicamente, na interação individual… para que as pessoas possam se entender melhor, para perceberem que em alguém talvez mais próximo do que se imagina pode estar o ambiente ideal para o desenvolvimento e solução das suas problemáticas… para notarem que o outro pode ser um lugar para onde se possa fazer jornada, e, quem sabe,  finalmente, estar a salvo, genuinamente salvo, e não só confortavelmente passivo.

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Como sempre, a civilização parece ser a metodologia de articulação social responsável por praticamente todos os nossos problemas. Nossa sociedade e sua face midiática desespelhada tem trabalhado direta E indiretamente para incutir um medo extremo do homem nele mesmo. Humano-fobia: Psicoses e psicopatias… cada vez mais justificáveis… Cada psicopata que nasce na mente de alguém é socialmente trazido de outra dimensão, uma dimensão potencialmente mais distânte e inacessível… Há muito tempo que vivemos entre universos paralelos. Politicamente vivemos a Crise nas Infinitas terras desde muito antes da década de 80.

Diante do incessante avanço do que foi definido como uma “guerra civil mundial”, o estado de exceção tende sempre mais a se apresentar como o paradigma de governo dominante na política contemporânea. Esse deslocamento de uma medida provisória e excepcional para uma técnica de governo ameaça transformar radicalmente – e, de fato, já transformou de modo muito perceptível – a estrutura e o sentido da distinção tradicional entre os diversos tipos de constituição. O estado de exceção apresenta-se, nessa perspectiva, como um patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo.” (Giorgio Agamben).

E essa ONDA EDUCATIVA DE TERROR, apesar de um movimento explicitamente escroto, reprovável, e conhecido cada um de seus aspectos mesquinhos, gananciosos e horripilantes, ainda é confundido com sensatez; não é possível – meu deus não é possível! – fazer desacreditar que esse terror é algo prudente. Com o homem, levado pelo medo, transformando-se a cada dia numa coisa criatóide ainda mais vil, sádica e doente do que o maldito monstro com que sonhou naquela noite. Monstro que nem existe! Mas que, superado, já entra pra existência tornando-se obsoleto. Como o próximo ipod. Como o último imposto. Como um natimorto assombrando seus pais.

Por isso é necessário desfazer a humanidade pela evolução. E cada vez mais fica claro que homogenizar a humanidade, normalizar padrões de comportamento determinado, operar no sistema implorativo, nada mais é que metodologia de dominação. Com cada vez mais pessoas percebendo isso, cada vez é maior o número de pessoas que operam fora dessa lógica. E desses, uma boa e crescente fração tende a diversificar-se em sua natureza para proporções transcendentais às questões puramente arquetípicas da existência psicológica. SER HUMANO É POUCO. Isso se tornou uma compreensão básica para os povos primitivos. Por isso os Mitos. Por isso os Deuses. Por isso os Fantasmas e os Seres da Noite. Há algumas linhas que limitam o homem em sua humanidade (a morte, a fome, a ambição&infinitecetera…); mas also há outras linhagens mais… por assim dizer… profanas. Só Humano? Por que só humano? Por que não mais? O mito é esse tipo de conexão “religiosa” primitiva – partindo do radical latino “religare”, religar-se – que diviniza o homem. Transmuta-o em algo melhor.

Esse tipo de método religioso foi brutalmente caçado&exterminado pelo Clero Católico. Na Roma medieval, instituiu-se a condição jurídica do Homo saccer, o homem sacro; no qual sua sacralidade não representava uma autoridade moral ou intelectual, não. No Homo saccer, a sacralidade representa entrega para o sacrifício, e eram considerados homo saccer aqueles que, por punição, eram livres com a condição de que não lhe sejam retaliadas pelo estado nenhum atentado à sua existência. Um ser entregue legalmente à impunidade por seu próprio assassinato; que por razões ainda mais revoltantes, é claro, não tardava a acontecer. Seres humanos autorizados pela sociedade ao abatimento.

Por razões óbvias o NeoMitoSofia não pretende ser boi de piranha nem bode de ebó de ninguém. Aqui, neomitificar-se representa só uma conexão com seus aspectos gigantescos e poderosos. Explorar suas capacidades ao máximo. Telemetria da vida. O homem livre tende a mutar. A diferença entre X-Men e o mundo real é que os Homo superior não são uma “raça” paralela, separada; não existe gene X. A questão é que qualquer gene pode ser X. Todas as células são passíveis de mutação. Todos, em natureza, nascemos mutantes em potencial.

Da dimensão paralela: Terra 4299XX9 – Ti<AN.

Uma resposta to “(O TrÂNsiTo como SaNgrIA)Multiverso Inter-pessoal”

  1. aratanbrasil Says:

    Tiago e outros do Neomitosofia; Não sei se vcs já tem esse conhecimento, mas temos atualmente vários seriados na televisão que tratam do MULTIVERSO (de forma sci-fi, obviamente)! O mais famoso deles, LOST, que está agora em seus últimos episódios e tem explicado muitos de seus mistérios por teorias de viagem no tempo e a possívell interferência de uma realidade com a outra e até a criação de uma nova realidade por ato consciente nesta.

    Outro mais radical é FRINGE. Esse, bem no clima “Arquivo X” demonstra grande potencial exploratório do assunto. Neste, duas realidades entram em choque, provocando uma corrida tecnológica para sobrevivencia. Não vou dizer muito, mas recomendo e cito: “there is more than one of everything”!

    Gostei muito da reflexão do post! Dá no que pensar…. =)

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