Imaginário Longínquo

Nada sei de específico sobre a Grande Ilha. Não estudei nada, além da “Revolução” ou das revoluções dos séculos XVIII e XIX. Não vi filmes, li pouca literatura. Porém me arrisco numa viagem perigosa, concedida por outra entidade, que não as acima citadas. Outra não, outras…

Uma névoa maligna, algo Invisível; algo mágico e sacana, extraordinário. Um mundo subterrâneo , de música tensa, música popular densa, com seu grande relógio ao centro. Um relógio que marca o tempo que não passa, nada muda além das formas do concreto e dos tijolos. O frio e a névoa permanecem, elas sempre permanecem. Mas ela te chama, chama por você, sabe bem disso John Constantine.

O mago inglês tem fascínio por esta Londres do submundo, a Londres Invisível, ou até mesmo a Londres de baixo, que Neil Gaiman nos descreveu tão bem. E ele sempre volta, não adiante fugir, só La tem Silk Cute, sua marca de cigarro favorita. O mago que representa tão bem o mago criador, ou diria os magos. Não podemos esquecer seus nomes

Eles lhe dizem algo?

Soa-me estranho pensar que a partir de quadrinhos posso sentir e entender o espírito mais sombrio de Londres. O lado escuro da cidade. Mas vejam comigo, são tantos os exemplos que fica até difícil não esquecer-me de algum. Mas os dados já foram rolados por aqui, sem sair de casa eu capto o imaginário mais frio de um povo que desconheço. O Londrino.
Algo mais me chama a atenção ao pensar e refletir. Afinal certa vez li um texto do roteirista Warren Ellis, se não me engano, que dizia que para se escrever bons quadrinhos é necessário ler os clássicos da literatura, não se escreve quadrinhos lendo quadrinhos e sim livros! (imagino-o dizendo isso com uma infinidade de palavrões que até mesmo as almas mais perturbadas desconhecem). E o que é a literatura bretã?

No século XIX, a literatura inglesa gerou cinco narrativas de monstros: Frankenstein, ou, o moderno Prometeu (1818, 1831), de Mary Shelley; Dr. Jekill e Mr. Hide (1886), de Robert Louis Stevenson; O retrato de Dorian Gray (1891), de Oscar Wilde; A ilha do Dr. Moreau (1896), de H.G.Wells e Drácula (1897), de Bram Stoker. “Ao lado do mosntro de Frankenstein podemos colocar o Doppelgänger [duplol], a máscara da inocência, o criador de seres humanos e o novo e aprimorado vampiro”, anuncia David Punter. Todos eles são metáforas da degenerescência humana e, assim, da essência do humano, que, como nos ensinam Leopardi e Bataille, é o próprio mal. Entre esses cinco mitos modernos, Frankenstein e sua Criatura , que são o duplo um do outro, se destacam como uma metáfora dos males decorrentes do Iluminismo, de uma família disfuncional, da reprodução assexuada e, por fim, da ciência sem controle.”

– Monstros e Monstruosidades  na Literatura; Julio Jeha (org.). Editora UFMG, 2007.

Bram Stoker foi inglês ao contrário: nascido em Dublin, Irlanda, morreu em Londres.

Dupla referência: Mary Shelley, criadora do Prometeu Moderno, e Boris Karloff, que concedeu ao monstro uma face, nasceram e morreram na Inglaterra.

Escoceses e Irlandeses também conferiam seu traço e assinatura à essa narrativa-bruxaria tão absolutamente selvagem, elegantemente travestida de civilização.

Onda? Movimento cíclico? E o que Alan Moore fez com a Liga Estraordinária é poder mágiko dele, enquanto autor? Enquanto narrador? Enquanto mago? Ou sua bruxaria necromante consiste em manter contato com Julio Verne, Henry Rider Haggar, Arthur Conan Doyle?

Este texto não pretende explicar absolutamente nada, e não possui um sentido se não o de dar significado (ou seja, colocar em signos) um sentimento de um leitor de quadrinhos, principalmente de autores bretãos!…

E vale lembrar que a lista obviamente incompleta de clássicos não é menor que a fatalmente incompleta de modernos:

Em Invisíveis, o escocês Grant Morrison dá uma aula de como o espaço geográfico, não de uma Londres dupla e mágica, nem de uma Inglaterra amaldiçoada, mas de todo corpo, como a Bretanha, conectado na intersecção de certas linhas energéticas, pode conferir poder ao corpo E ao fluxo delas.

E os doentes cujo nome não deve ser demasiadamente pronunciado sob risco de ganhar um aneurisma cerebral só porque eles, lá da porra da Ilha da Bretanha, tenham notado que você estava pensando demais em seus nomes e se irritaram com isso…

Há uma mitologia viva vertendo do solo da ilha e correndo para seus subterrâneos. Isso é obvio. Nós, do NeoMitoSofia, ficamos contentes de enviar um  correspondente local através do portal de Lud… quem sabe não descubramos ainda mais?

Portal de Lud:

No original, Lud Gate, um dos antigos portões de acesso a Londres. Fica próximo ao rio Fleet.

Lud teria sido um rei da Bretanha pré-Invasão Romana e seu nome é uma das possíveis origens para o nome Londres, tendo começado como Caer Lud, passando para Caer Lundein e, finalmente, London.

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