Breve História Crítica do NMS

O grupo NeoMitoSofia começou sua prática da troca semanal de empréstimos de gibis e subseqüente discussão dos conteúdos lidos. Fazer isso no coração efervescente da universidade, por mais que seus batimentos já estivessem no horizonte de eventos de um sistema que singrava fatalmente (ou sangrava mortalmente?) rumo à elitização formal absoluta e pasteurização intelectual, à época, ainda conferia um ambiente cultural diverso o bastante para essas discussões. Diverso o bastante para que o grupo de estudos ligeiro mutasse pra oficina de zines. Temperávamos nossos gibis com filósofos, sociólogos, historiadores e o resultado eram encontros cada vez mais saborosos onde fantasmas de autores mortos ou distantes eram evocados e contribuíam para que lançássemos novos olhares sobre velhas visões.

Muito se fala em “geração multimídia”, “interdisciplinaridade”. Transmídia é a nova onda. Mas esse conceito só conquistou o status popular porque os publicitários estão querendo entendê-lo e usá-lo em suas campanhas… a verdade é que isso já foi feito há tanto tempo nos quadrinhos e (ainda antes) na ficção científica – ou ainda antes na alquimia, bruxaria, necromancia – que nos surpreende o volume de gente que crê ser isso uma novidade.

Para nós, como já dissemos e refletimos tanto em nossas cartas-convite e justificativas de vários projetos, o “grupo NMS” logo evoluiu para uma prática neomitosófica que, mais do que realizada em nossos encontros semanais, passou a ser identificada em outros lugares, em outros materiais feitos por outras pessoas. Radicalmente passamos então a AD-MIRAR (olhar ao longe) práticas neomitosóficas diferentes, caçando-as, perscrutando-as, para então dialogarmo-nas com aquelas que criamos. Introjetar idéias. Expectorar insights. Pura antropofagia.

Quatro anos depois, em 2008, mais entediados com a burrice do que empapuçados com a arrogância do ambiente acadêmico, o grupo decide migrar e ocupar outro espaço público, um centro cultural fixado numa velha casa da Consolação, e expande consideravelmente o raio de suas atividades neomitosóficas, promovendo agora além de encontros, também baladas e festas, exibição de filmes e (ora, por que não?) festas COM exibição de filmes! Todos eventos memoráveis onde encontraram-se alguns dos artistas mais talentosos com quem já tivemos o prazer de trocar idéias.

Em 2008, ano de transição, preocupados com o público que comparecia aos nossos encontros na academia, mantivemo-nos em ambos espaços, variando nossos encontros entre a PUC e esse centro cultural.

Já em 2009, mais do que realmente acolhidos, nos apropriamos do espaço desse centro cultural em definitivo e finalmente abandonamos o lugar onde nascemos enquanto grupo e organização “formal”. O fizemos tarde, considerando a plena decadência áurica em que se encontrava a Puc. Câmeras Kirlian já não revelavam nada nos pátios da pontifícia…

O tal centro cultural, como vantagem, nos oferecia a companhia de amigos e colaboradores (como já disse) dos mais talentosos. Pessoas vivas, celebrando do outro lado da Consolação a inconsolável e dolorosa sobrevivência paulistana. Enquanto promoviam festas, shows, oficinas e graffitagem, imersos na música e na marofa, acenávamos para os mortos do outro lado da avenida. “O AMOR É IMPORTANTE, PORRA!” – um poeta pintou no muro do cemitério; olhávamos aquelas palavras, congestionamento, poluição e buzinásso a preencher o meio, e tentávamos não esquecer.

No final, a saída desse centro cultural foi intensa e visceral como o afastamento dos corpos após um estupro. Resgatamos do fundo obscuro das nossas almas as raízes nômades que nos fazem partir sem olhar para trás. Antes que o que fizéssemos fosse transformado em cultura, antes que pudessemos nos atar à um centro. Raízes, só de mascar e não de nos prender ao solo. Pois tudo o que nos prende ao solo é o impulso a novos saltos.

Simples assim dissemos: Foda-se quem ficou. Foda-se aquele lugar. Vamos cair fora.

E 2010 veio nos preenchendo de vazio e distância. O tempo, como costumamos dizer, nos devora pelos calcanhares. Cada vez mais difícil de conciliar os horários de nossos integrantes regulares, pela primeira vez em quase 7 anos, fomos incapazes de realizar encontros semanais. Acumularam-se pautas, indicações de leitura, filmes e séries para assistir, cartoons, animações japonesas, polonesas, russas, exposições de arte, documentários, fotografia, nosso próprio material em discotecagem, produção de trilhas sonoras, pintura e desenho, contos e poesias; sem contar nossas conquistas pessoais e as coisas que queríamos compartilhar enquanto amigos: amores, afetos, paixões, serviços, brigas na rua, acidentes, uma casa nova, um avô que morre, um parente que é baleado… todas pautas que queríamos (ao menos eu queria!) ter vivido plenamente com essas pessoas que tanto prezo, e que por correria tresloucada – o pretexto máximo e vulgar do paulistano – deixei-me escapar.

Querendo compensar nossa ausência de tempo real, de disposição material, dedicamo-nos a investir em espaços virtuais. Arrumamos cada qual HDs possantes em máquinas envenenadas para transferir o vazio de nossos dias com o preenchimento de megas, gigas, teras de sonhos incompletos e informação. Como recompensa, nosso blog (neomitosofia.worpress.com) nasceu, se desenvolveu e atingiu recordes inimagináveis de acessos. E em um dos mais recentes encontros, na sacada mais fria em que já estivemos, assistindo o inverno nuclear esmagar São Paulo como uma gigantesca mão cinzenta bombardeada por radiação gama, lutando contra o vento inclemente da cidade gelada, agarrando-nos à brasa de nossos cigarros e ao álcool em nossos copos, tentamos entender esse fenômeno ectoplásmico de popularidade virtual como quem rastreia as pegadas dum yeti no Imalaia.

E nossos estudos interrompidos, nossas pautas incompletas, com o passar do tempo se avolumando de meses pra mais de ano de atraso, passaram a nos assombrar… a nos incomodar como o vulto de uma doença não confirmada, como um encosto obsessor.

Desde o começo brincávamos com a identidade nerd que nosso grupo podia ter. Lendo tantos quadrinhos de forma compulsiva, discutindo com o mesmo rigor intelectual Deleuse e Batman; South Park e Islamismo; X-Men, Utopia e Martin Luther King. Socialmente, culturalmente, somos indiscutivelmente nerds. Só nerds levariam gibis e desenhos animados tão a sério. Nos surpreendemos ao ver, nesse meio tempo, os nerds ascenderem socialmente ao status de “protagonistas interessantes de teleshows” – ou qualquer coisa que fosse mais do que um bando de punheteiros antisociais isolacionistas e, devido às hiper-referências pseudo-científicas contidas nos gibis, pretensamente mais inteligentes do que de fato são…

Mas o fato é que, ao menos na minha opinião, há um certo conformismo nos nerds e fanboys que costumo conhecer em comic shops e convenções de ficção científica: Um pleno gozo alcançado em consumir toda essa sorte de arte pop e informação geek. E até onde entendi os rumos do NMS, nossa impossibilidade em conseguir satisfação nos move, como dinossauros fortes e esquálidos, a fazer alguma coisa com todo esse material. A produzir algo. Mick e Keith podiam só ter ficado no porão de seus pais ouvindo compactos do Muddy Walters e fumando baseados. Se divertiriam horrores fazendo isso. Engordariam. Provavelmente morreriam de tédio antes dos 40… E longe de mim acusar ou atacar os nerds justamente em seu período de ascensão social, mas não consigo entendê-los descolados de um certo comodismo.

Como subtítulo do nosso blog escrevemos: “Trocando Dados e Combatendo a Escória” em alusão ao entendimento político que damos ao vigilantismo de personagens como o Batman, o Justiceiro ou Kick-Ass. Em autocrítica, nessa mesma sacada gelada supracitada a pouco, reconhecemos nossa nerdisse: “Esse ano temos trocado mais dados do que combatido a escória…”; por isso também pretendo com esse exercício de autocrítica, alcançar as raízes do que somos e do que pretendemos enquanto grupo. Qual a essência do NeoMitoSofia? Qual o propósito de neomitosofar?

Observo em nosso blog a organização de todas as pautas discutidas durante 2009, com suas respectivas reflexões e citações. Sinto orgulho e satisfação por ter esse conhecimento produzido, guardado e ao mesmo tempo acessível para qualquer um; mas também penso que as citações que fazemos, muitas vezes se confundem, se misturam, se fundem em pensamentos, insights e ligações nem sempre conscientes de si. Somos mergulhadores num oceano sem fronteiras de citações. Enchemos nosso escafandro de O2 e THC e descemos a profundidades abissais em busca da Atlântida, em busca de um lar do qual possamos não mais retornar…

Todo texto é um intertexto, outros textos estão presentes nele, em níveis variáveis, sob formas mais ou menos reconhecíveis (…). O intertexto é um campo geral de fórmulas anônimas, cuja origem raramente é recuperável, de citações inconscientes ou automáticas, feitas sem aspas.” – Roland Barthes

Mas esse mergulho não é uma fuga. A proposta é mais pra afiar a consciência do que imergir em fantasia. Preferimos desdobrar nosso espírito a fechar nossos corpos em conchas. Cito ainda McLuhan : “Todo tipo de mídia é uma extensão de nosso sistema nervoso central.” e acrescento que somos nervosos para além da flor da pele que, à moda dos seres mitológicos mais primitivos, pode ser trocada e expandida, retraída sobre as gengivas em rosnados e gargalhadas.

“Trocar Dados e Combater a Escória”, esse é o proceder da NeoMitoSofia. Neo porque buscamos mídias novas que recontam velhas narrativas; mais que isso: porque buscamos novas formas de interpretar antigos conceitos. Como mitologia e filosofia, que por intelectuais alemães pós-iluministas foram colocados em posições antagônicas, dicotômicas, ocupando o mito a função de obscurantismo e a filosofia de esclarecimento. Rejeitando essa idéia, propomos a mitosofia, devolvendo ao universo mitológico (seja ele novo, futurista ou radicalmente primitivo) seu significado primordial: o de pelo movimento, cores, texturas e tons narrativos, transmitir conhecimento. Guardá-lo e multiplicá-lo através de histórias, fábulas, personagens… o mito permite-se ser reinterpretado sem limites ou restrições. Não há versão oficial de um mito. E mito nenhum pode ser enclausurado por noções de propriedade intelectual ou direitos autorais. São seres vivos, transitando entre a materialidade da narrativa e a imaterialidade dos sonhos.

Observe as notas acerca dos poemas de William Blake, Blake já mixava mashups de citações científicas e poesia religiosa, compunha um bootie profano de versos antes de inventarem a picape e os sistemas de som. Eu costumava sonhar com William Blake. Num desses sonhos ele me entregava uma moeda dizendo: Se tenho um níquel e você também tem e te dou minha moeda, parto nem nenhum níquel ao passo que tens… – prontamente respondi: Dois! ao que ele respondeu: Mas se tenho uma idéia e você também, e te dou minha idéia, então ambos teremos duas idéias.

E é dessa forma volúvel e onírica que compomos nossas experiências NeoMitoSóficas. Diluímos vapores e delírios em beckers, decantamos ambições em tubos de ensaio e, sem ensaio, no improviso de um jazz metálico, meio hardcore, meio cuspido num acorde tosco e punk, reunimos nosso empirismo armado de nosso amadorismo pra compor uma sinfonia de balões de éter, balões pensamento, balões de fala, de verbo e zepelins incendiários decorando a cidade com a promessa utópica de uma distopia que pode dar certo no final. Após estudar os capítulos e versículos do evangelho zumbi que o profeta Romero nos ensinou, cremos e concluímos que, afinal, o caos e as ruínas poderão ser belas e trazer paz derradeira aos atormentados filhos da civilização.

NMS: pintar imagens com palavras, transmitir idéias com desenhos, conspirar soluções, recortar obras de arte e resignificá-las, usar arquivos como quem usa drogas – trocando discretamente, aplicando doses cada vez maiores, flertando com uma o.d. – Reger uma orquestra invisível com cara de pau e negar tudo durante o baculejo: “Aí, vagabundo: Mão na cabeça! Que porra é essa acesa na tua mão?!” – “Não senhor, isso não é um cachimbo.”

Enfim, nossa experiência é a promoção de encontros. Reunimos Grant Morrison, Paulo Freire e Warren Ellis numa sala de aula para elaborar um Projeto Pedagógico Libertário afim de trabalhar educação e HQs (outro post a ser publicado num futuro próximo). E estudando sobre os locais de poder, percebemos como Gothan City pode ser o ambiente perfeito para convidar ao diálogo Foucault e Mike Davis, servir cafés, conhaque e antídotos que façam rir da desgraça urbana e reinventar a psicanálise.

Sim, a neomitosofia tem pretensões científicas; e alquímicas e xamânicas e curativas. Do ponto de vista epistemológico, nossa ciência é a heurística, a busca pela verdade, caça obstinada do significado das coisas. Praticamos encontros heurísticos entre Alberto Caiero e Spider Jerusalem. Enquanto cada vez mais gente a evita, nós temos fome de verdade. A ansiamos. A dissecamos pra ver o que há no interior pulsante de suas vísceras. Lennon já gritava: Dê-nos a verdade! Só dê-nos alguma verdade!

Ou, observando nossa prática, vendo o que tencionamos e intencionamos com nossa produção, talvez seja não a heurística, mas a helística, a nossa ciência: A arte de batalhar com idéias. Como propõem também Mia Couto, Albert Cosserry, Warren Ellis, Luther Blissett, os Dadaístas e tantos outros que intencionam oferecer resistência às tendências emburrecedoras. Que história é essa de encurtar os textos porque as pessoas estão lendo menos? Que jornal a serviço da ignorância se adaptaria à preguiça, à mentira, ao comodismo? Que editora adaptaria suas palavras àqueles que tendem a não lê-las? Isso soa absurdo só pra nós?

Mas é verdade antiga e notícia velha que os jornais, que as mídias oficias, que a padronização da info, os estúdios de TV e os websites “pontocom” visam, antes de qualquer coisa, manter o domínio daqueles que lucram. E quanto mais burras as pessoas forem, mais dinheiro elas gastam e menos resistência oferecem à dominação. A equação é simples; o lucro, direcionado. Como registrou Sabota: Ma’vai faiá! Faiáá!!

E eu não estou insinuando que o letramento das pessoas é medida para sua inteligência. Viva a Totonha, de Marcelino Freire, e Estamira, que têm na rejeição dos estudos o fio duma inteligência sagaz, altiva e autônoma. É certo que os estudos, o conhecimento acumulado, não é medida de inteligência; mas a prática pós moderna de comer informação, engolir referências sem mastigar e cagar diplomas e teses só ratifica e endossa uma cúpula intelectual que colabora com a formação das tendências do nosso panorama cultural que (pasmem!) se confunde inexoravelmente com a indústria do entretenimento.

Disso, temos que nosso panorama cultural está cada vez mais fabril, poluindo nossos ares com adaptações ruins, temas rasos e abordagens toscas. Tudo altamente produzido para soar como o ó do borogodó, como a última bolacha do pacote. Essa ilusão interfere no senso crítico das pessoas e essa é uma das coisas que também gostamos de combater. E gostamos é outro elemento importante. O que diferencia Batman ou o Justiceiro de um policial exemplar é o fator subversivo do vigilantismo. E prazer é parte importante disso. A despeito da dor de serem surrados por bandos de criminosos, ou do trauma de suas perdas, eles sorriem quando vestem seus trajes de combate – contra-uniformes que servem à diversidade – e se deliciam em sua Jihaad pessoal. Lembro ainda o significado original de Jihaad – Luta Santa; que diferente do conceito de guerra, possui já em seu sentido mais radical uma esfera íntima e conseqüentemente pessoal de ação. Assim sendo, não há muita diferença teórica entre jihaad e ideologia, embora sejam gigantescas as diferenças práticas, a começar que, se “jihaad” carrega em seu sentido um espaço prático a ser preenchido pela alienação e subsequênte matança provocada por tolos meninos-bomba, “ideologia” carrega todo um espaço amplo para a hipocrisia, característica inexorável daqueles que apertam botões para explosões de equivalente (ou ainda superior – se é que há medida para essas coisas) poderio catastrófico.

E aqui na nossa NeoMitoSofia, nós nem apertamos botões nem carregamos C4 nos bolsos. Procuramos entender as semelhanças entre gritar “Por Aláh!” e explodir com um ônibus escolar, e gritar “Para o alto e avante!” e deter a queda de um avião.

Alguns de nós já tiveram muito desejo de aprender sobre receitas de explosivos caseiros e cozinhar a demolição do parlamento sob os acordes do vil cabaré… projetos de fato foram enredados, mas hoje o panorama parece caquético e comprometido demais para conclamarmos ainda mais destruição. Não que não haja mais o que ser destruído. Há muita sobra por aí, muito a ser eliminado. Sabemos que todo esse excedente inútil é o que sustenta a miséria e nem sempre as coisas inúteis são boas o bastante pra serem recicladas…

Cabe afirmar aqui então, para concluir esse manifesto auto-crítico, que nossa prática neomitosófica não é, nunca foi e jamais será planejada. Ordenar nossa própria coleção de quadrinhos já é tarefa herculeana, o que seria então organizar nossos pensamentos, nossas palavras, nossas ações. Acho, e isso já é estritamente pessoal, que mesmo a produção intelectual pode ser instintiva, e é assim que vejo o que fazemos no NMS. Nosso primeiro reconhecimento foi que isso nos fazia bem (em nível biológico) e nossa ambição é pegar carona nessa energia produzida a cada vez que nos encontramos pra neomitosofar e aproveitá-la o máximo possível. Nada suntuoso; nada muito ostensivo. Como os primeiros intelectuais paleolíticos pintando as paredes das cavernas. Como macacos espaciais, pilotando tecnologias que não compreendem sem saber pra onde ir.

É o que você lê quando não tem que fazê-lo que determinará o que você será quando não puder evitar.” – Oscar Wilde

Como nas antigas Cartas-Convite, seguem agradecimentos à todas as pessoas citadas direta ou indiretamente nesse texto. Essas de quem anunciamos saudades e as demais – que ainda não conhecemos – são todas muito bem vindas. Os encontros NMS são públicos e é possível nos localizar travando contato pelo www.neomitosofia.worpress.com

Grande salve para os DJs Necrophilous Marijuanus, Gli Altri, Feijão e F?Ri! (pontodeinterrogação) que discotecaram com maestria os clássicos do horror expressionista. O mesmo para Rodericus Doppelganger Ignatius, expondo que a origem dos vampiros balcânicos é sair das covas pra dançar. Obrigado Pedro, Bodão, Bruna e Gabi Franz que, cada qual ao seu tempo, nos cederam carinhosamente sua hospitalidade. O mesmo vale para Arthur, Daniela e Willian Cole que nos inspiram provando que o arquétipo do herói-artista-cientista proposto pelos quadrinhos pulp do início do séc. XX pode ser real. Obrigado Chiquinho pelo senso crítico afiado, indicações de animações francesas e dicas sobre a noite Recifense. Obrigado pela presença eventual dos artistas Rômulo Romério, Sérgio Roma e Henrique Heráclio. Obrigado Vitor Walther, por me fazer eventualmente trombar com poemas nos muros da cidade. E aos felinos Fritz, Miyuki, Tom e Jubs, agradecemos a companhia afetuosa e inspiração mágika. Aos trutas Aratan, Gabriel, Bita e Paraguay – que a despeito da distância – conferem flow e ritmo às práticas do grupo. À Isabela Lasca-de-Breu, fujona (nunca mais a vi), por bagunçar minhas idéias. A Duzão Bonzatto, Mariana magfilha e Igor Caldeira, por suas contribuições pertinentes acerca de nosso intenso estudo sobre psicopatias, normalidade, normose e distúrbios da mente e cuja indicação do último de A Ilha do Dr. Morel contribuiu para nosso estudo (ainda em gestação) sobre seres prometéicos. E se alguém mais ficou de fora, aproximem-se, não sejam acanhados. Esse circo não cobra ingresso. Essa escola não pede matrícula. Essa academia não requer prova. Todos são bem vindos. & refletindo o reconhecimento de camaradas que ad-miram nosso proceder, investimos também nessa auto-crítica o orgulho de termos nos tornado um tipo raro de marca, não para merchandiesing de banalidades ou porcaria qualquer, mas como o Zê do Zorro, algo que pode ser facilmente identificado, algo que traz consigo um sentido próprio, por mais maluco, volúvel e tresloucado que seja. Muitos já nos chamam pela sigla “NMS”. Humildemente agradeço e prometo mais disso enquanto eu estiver vivo… e pros que nos sintonizaram agora, sejam bem vindos, tentem nos acompanhar. É doido mas não é difícil. E em termos de técnica: É só chegar.

ti<AN – OUTUBRO – 2010

5 Respostas to “Breve História Crítica do NMS”

  1. Parabéns pelo texto e pela história que o inspirou!
    Recomendo o livro, que está sendo lançado em segunda edição neste 27 de outubro na casa do psicólogo: “Mitologia Simbólica”, de MZ Alvarenga, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.

  2. E, para os educadores, recomendo: “Os Contos e os Mitos no Ensino” A Pavoni.

  3. Primeiro, é DeleuZe e não Deleuse

    Segundo, pós estruturalismo francês é uma bobagem sem tamanho. Foucault, Deleuze, Derrida. Pura merda sem consistência lógica alguma. Qualquer macaco que conheça lógica clássica básica consegue perceber os problemas com os escritos desses caras. Aqui um texto até que razoável sobre isso http://criticanarede.com/fil_teoriacritica.html

    Terceiro, só na cabeça de vocês para uma pessoa ser alienada só porque gosta de cultura pop. O que não falta é hipster cult que adora cineminha francês e tem atitudes e ideias fascistas.

    Eu adoro cultura pop e estudo lógica e filosofia política. Algum problema?

    • Querido Kurgala,
      nenhum problema com vc, mas pelo seu tom me pareceu q vc tem algum problema.
      Enumeração de ideias, bem como pós estruturalismo francês, são coisas que eu conheço pouco. Fucô, Delôuzz e Derridá são autores que eu considero por seu caráter filosófico e eu tento interpretar filosofia me mantendo longe das classificações teóricas que normalmente se faz sobre os autores (os “ismos” da vida) pois pra mim, e pro método que aqui chamamos de método neomitosófico de trabalho, isso é bastante limitador. Entenda por “trabalho” (que palavrinha terrível) pesquisa, interpretação e produção (de texto, de imagens, de videos e audios, música, dança ou qualquer coisa que se faça praticamente além de simplesmente ler autores clássicos ou gibis e punhetar sobre isso). É assim que trampamos por aqui, meu velho. tentamos manter a crítica radical e esgarniçada, mas chafurdamos naquilo que mais nos dá prazer, e é claro que o universo pop está entre as praias onde gostamos de pegar sol. Aliás, a proposta desde o início foi relacionar filosofia e HQs, e por mais que exista um segmento fundamental das HQs que seja underground e us carai, acho bem comum encarar o gibi, a história em quadrinhos em geral, como um veículo midiático popular e ordinário. Essa na verdade é o maior trunfo das HQs. Elas não impõe a barreira intimidatória que o texto científico parece ostentar. Mas um olhar mais aproximado vai nos mostrar que não é sempre que o texto científico faz isso, na maior parte das vezes é só um bando de punheteiros inseguros que gostam de corrigir os outros e determinar o que é o certo e o errado das ideias que criam essa atmosfera geral. Então eu me pergunto, se vc acha que delêUz é uma “merda sem consistência lógica nenhuma” porque se importa em como o nome dele é grafado? Talvez seja uma questão de transformar seu conhecimento numa arma, num tacape que você usa pra bater na cabeça de quem te parece mais fraco. Parece tão estudado mas tem um procedimento meio brucutu de aproximação intelectual.
      De qualquer forma, eu entendo que tenha se sentido agredido pelo tom do texto. Entenda também que isso é natural uma vez que você é um adorador e estudioso, e nós, por aqui, somos estudiosos iconoclastas. Nosso objetivo é destruir ícones de adoração, sejam da cultura pop ou da ciência. Mas num se avéxe não, caro Kurgala, não é nada pessoal.
      Ademais agradeço muito seu contato e a indicação do texto do Txônsqui, bem razoável mesmo.
      E peço desculpas pela demora em responder, estive ocupado.
      att.

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