2&meio Contos de Natal

Uma Canção Natalina (para o séc. XXI)

Um demônio nasceu

No ápice do experimento racional,

Quando o homem desceu.

E desandou o entorno.

As coisas se chocaram mais separadamente.

O Anti-Tempo na foice de Cronos.

Castre seu pai! Castre seu pai!

Sele a mácula de sua própria existência!

Os herméticos já sussurravam: “É preciso conter a humanidade…”

Asas nos pés e uma tenda de chill out para os deuses na cabeça.

Lounge para os demônios. Vampiros na discoteca.

Longe demais de casa.

Hoje o apocalipse já era.

Um demônio nasceu, cresceu e virou herói;

Decidiu ser humano enquanto os homens,

Nesses tempos desvairados,

Descobrem-se cada vez mais monstros.

As vísceras de Prometeu no bico da estrige.

Loogaroo faminta e traiçoeira…

Aproveita-se do deslumbramento do pequeno-homem pelo fogo de Prometeu.

A chama rija da solda. O fio rente do corte de Ogum.

A Máquina estatal de Guerra: TECNOLOGIA DA MORTE

Também transforma a morte em tecnologia.

Condução de energia. Transmaterialidade. Metamorfose.

O mal é sutil e carinhoso.

Toda mentira é delicada como uma punhalada lenta e certeira dada no escuro.

O bem é brutal. Algo que destrói o racional.

Destrói o social. Destrói o normal.

Demolição de ilusões.

Em tempos de termos de marketing em discussões amorosas,

Todo entendimento é lisérgico, marginalizado & banido.

O Anti-Cristo é um velho político corrupto que depois de 50 anos de carreira ainda quase se elege…

 só pra provocar.

Diske 666 para uma vida feliz.

Compre um lugar no inferno o quanto antes

{porque o Céu tá interditado

e você não quer acabar aqui…}

Prestações Eternas. Juros sobre Moléculas.

O Diabo é nosso vizinho.

Você provavelmente aluga pro Leviatã sua vaga extra na garagem.

Olhe a TV: Veja a imagem da Besta

Os crentes, evangélicos, presbiterianos, mórmons e satanistas estão certos:

O Diabo Vive. Está entre nós…

É NÓS.

Quem se exclui?

Quem esconjura essas coisas-ruins de volta pras profundezas?

Quem nega o desejo?

Quem refrea a mesquinhez?

Quem alimenta a vontade pela verdadeira construção de uma virtude?

Satã Reina.

É verdade; é verdade, eu vos digo.

Brasas e fumo na manjedoura.

E uma reza rarefeita na fumaça,

Mandando pros anjos e deuses o recado

de quem tem um bem querer mas já não tem mais saudade

pra Mike Mignola

e Flávio Colin, seu pai

.                                                                                      ti<AN – DEZ. 2008

ASCENDENDO  YUGDRASIL

O Natal diz respeito à Odin, mesmo que a maioria das pessoas ignore isso.

Uma vez por ano, ele se disfarça e desce para a terra afim de caminhar entre os homens. Ele se manifesta como um velho sujo, desses imprestáveis que costumamos ver nas ruas da cidade. A coisa dos presentes é na verdade um saque, uma forma de provar a humildade e fraternidade entre os homens de boa vontade que, gozando da bravura e liberdade de que são herdeiros natos ao nascer, habitam Sua criação.

Pois bem, como um velho maltrapilho, Odin, o pai de todos os deuses, exige para si uma prenda, e são os que cruzam com Ele que é melhor que tenham alguma oferenda para presentear, do contrário são mortos. De forma rápida e indolor, tal divindade benfazeja que É, mas ainda assim intranqüila. O tal infeliz que por falta de sorte (e/ou caráter) eventualmente destrata o Velho Odin tem seu baixo ventre aberto por uma lâmina antiga, enferrujada e um tanto cega pelas eras, e seus intestinos, membros, órgãos, pele e coração pulsantes são enrolados ao redor da mais bela e exuberante árvore da região, de forma que os enfeites rubros sirvam de exemplo à comunidade e reguem o solo fértil para tempos mais fraternos, nos quais um velho mendigo possa ser presenteado com qualquer coisa no natal. Não se engane, Odin é um deus bondoso e afetuoso para com seus filhos, visto que coloca o desenvolvimento moral desses à prova apenas uma vez por ano; entretanto, quando a humanidade torna-se enfadonha e previsível, quando ­ -como crianças teimosas- os homens insistem em recorrer nos mesmos erros: na violência vã, na passividade fria, obscura e conivente… Quando as coisas acontecem assim, o odioso velho caolho, cansado e ofendido, ultrajado pelo que se tornou a lenda de seus dias caminhando entre os homens, deve acabar pensando se mais dias como esse não são necessários para a humanidade… ou se não deveria desencanar desse macacos engenhosos de uma vez por todas e partir para longe, como os deuses Maias e Egípcios fizeram…

Mas o que vê o olho de um Deus? O que vê o pai de todos os deuses com seu único olho (aquele que resistiu ao implacável bico negro da morte fazendo-a parar justamente com a expressão do seu olhar, isso ainda nos tempos em que esteve aprisionado no seixo de Yugdrasil)? Será que vê o triste espetáculo de celebração demagoga de coisas boas? Relembrando os idos em que sacrificava os que não lhe davam qualquer coisa que fosse, como galhos soltos achados no chão, desses com algumas folhas, pouca madeira e nenhum uso a não ser o de simbolizar o bem querer de oferecer um carinho para alguém? Presentes simples. Prova de humildade.

Hoje Ele, chamado pelos cristãos de antigamente de São Nicolau, deve atingir uns poucos pobres bastardos com golpes certeiros e preguiçosos, que despedaçam de maneira irremediável e fatal como qualquer ataque divino, mas já sem interesse algum, repletos de um irritante sentimento de fartura, aborrecimento, monotonia e alguma embriaguês de sacro hidromel.

Empapuçado dessa humanidade abarrotada de peru e velhas promessas de ano novo, Santa já nem se importa em decorar as árvores com as vísceras desses infelizes despreparados de Natal. Apenas os abandona no chão para alguns intermináveis momentos de agonia e desespero antes da derradeira morte dos fracos, daqueles a quem os portões de Valhalla estarão sempre selados.

Odin não é um bonachão senhor de barbas alvas dando tapinhas em sua barriga gorda e dizendo “Ho, Ho, Ho”. Ele é implacável. E durante as festas, assim como no resto todo do ano, é comum estarmos tão deslumbrados pelo frenesi de compras e deveres morais que acabamos perdendo todo critério para a reflexão radical proposta pelo bom velhinho: Quem afinal foi “um bom garoto ou garota” durante o ano? Quem merece um presente caro e vistoso ao invés de um pedaço de carvão, como era o costume antigamente entre o Papai Noel (pais preocupado) e os maus meninos? Algo me diz que essa troca de avaliação dos comportamentos por meritocracia tá baixando consideravelmente nossos critérios éticos enquanto coletivo social… Então não se esqueçam dos maus meninos! Não presenteiem canalhas! Creio que conivência é pior que corrupção.

Cantemos noite feliz sem estarmos cegos pro mal, porque ele existe! Até durante a ceia de natal!

 Mas eu estou preparado. Joguei pedaços de unha do meu pé esquerdo (do polegar) junto ao batente da porta. E depois vou guardá-los dentro de uma meia velha (com mais uma ou duas coisinhas que podem ser úteis a qualquer indigente moribundo) e prega-la em algum lugar, de preferência entre algumas árvores… uma praça talvez… ou então a Floresta Negra da Germânia… Sei que o velho caolho ficará feliz com esse presente.

E se há alguma retribuição d’Ele, a resposta é:

É claro que não! (Quer dizer, não além do supracitado fato de ter sua vida poupada por mais um ano…).

 Feliz despretensioso Natal

E no Ano Novo, vamos tentar trocar PRÓSPERO por DONATIVO.

(E quem sabe o próximo não acaba sendo surpreendentemente mais próspero ainda?!)

Humildade Sempre

Sobrevivência Também.

Com saudades,

para todos os Amigos

Tiago Abreu

12-2XX7

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