Project 27

dê o play e acompanhe a esta horripilante estória neomitosófica que aconteceu numa sexta-feira 13, esta estória se chama :

O PROJETO 27
CABRUM !!!

tales-from-the-crypt-season-5-crypt-keeper-dentistproj.27HorrorHostCryptKeeper_3421Boa noite leitores, bem vindos à câmara de torturas subterrânea do Neomitosofia, aqui são contados os mais tenebrosos casos e acontecimentos, de arrepiar até mesmo o mais fiel caçador Van Helsing de monstros. Caros telespectadores ou, pedaços humanos vivos, presos nesta existência humana deplorável que nos compõe. We are spirits in a material world. Aqui quem vos fala é o coveiro Régiz karloff, a estória que vou lhes contar hoje é sobre ressucitamento de cadáveres. No qual eu mesmo tive o desprazer de participar, puxando a alavanca. Uma experiência com restos em decomposição. Um acidente brutal com o ciclo vital. Esta história se passa em um local muito conhecido a nós; ou melhor é um meio de comunicação, midiático que todos conhecemos: são formados por artistas, músicos, cantores. A vida que os cerca é cheia de mistérios e intrigas, na busca constante por sucesso muitos destes são submetidos a diversas provações, são assassinados, fazem pactos com o outro mundo em busca de reconhecimento, fama, dinheiro mulheres, carros, sucesso, iate…

Todos que já foram acolhidos pelos anfitriões tenebrosos, aquelas criaturas decrépitas, por vezes em plena decomposição, por outras apenas deformadas, abnormais & vis, sabem qual o destino dos ambiciosos nessas histórias. Essa é a mágica, são histórias, sobretudo, moralizantes, pois tratam de morus, dos hábitos – sobretudos os hábitos mais mesquinhos – da escória da humanidade. Aqueles que desejam ascender pelo caminho mais fácil, planejando traições e assassinatos…

proj.27ec-comics-gaines_5355Existem imperfeições que nos completam e nos fazem ser quem somos, dificilmente alguém conseguirá ser a criança perfeita.

Untitled

Mas existem… métodos.. E se há uma certeza na vida além da morte, é a de que enxergamos muito menos possibilidades de realizar nossas ações do que realmente haverão, no universo do não-feito, um universo repleto de Antigas ideias pairando no espaço não dimensional, prontas pra voltar ao nosso plano. Enfim, o fato é que reunindo as energias certas, pode-se gerar mudanças que poucos levam em consideração. Pode-se imunizar-se dos males da vida, pode-se ascender a consciência e debater diretamente com os deuses (os intermediários geralmente são os loucos por empoderamento mais chatos que se vê por aí)… mas peraí!

“Salve.

Não não senta

Senta não não

Senta não não (senta)

Pra sair legal

  senta (murmúrios)

Então tem que dançar? Dançando.

Dançando (rsrsrs)

ÔÔ ôôôõõõ (3X)

“os alquimistas estão chegando… estão chegando os alquimistas” o som tocava ao fundo, na vitrola, mas ninguém dava atenção. Falavam amontoados num quarto amplo de prédio antigo. Uma cama que era o estrado no chão, só um colchão pra sentar, uns pufs e almofadas ao redor, umas cadeiras de metal, daquelas de boteco, com a propaganda da marca de certvejza desbotando, e pilhas gigantescas de discos de vinil enfileirados, ou de livros e revistas em quadrinhos empilhadas… Fumavam desesperadamente, bebiam para molhar as palavras e lubrificar as ideias, ao mesmo tempos encantados pelas ideias uns dos outros e tentando construir intuitivamente um laboratório, um observatório, uma oficina.

“Quando ela passou da soleira, arregalou os olhos. Ao redor da sala de pé-direito alto havia mesas cheias de tubos estranhos e outros aparatos. Ela finalmente descobria a origem do fedor de produto químico. Os bicos de Bunsen brilhavam com chamas azuis, acima dos quais cintilavam béqueres e frascos com líquidos que borbulhavam e soltavam fumaça, enquanto tubos de metal no centro da sala exalavam vapor de um gerador barulhento. O vapor subia e era coletado por um mecanismo em cujo interior havia uma ventoinha, que parecia jogar o calor e a umidade de volta para tubos corriam ao longo do teto.

No entanto, em meio aos emaranhados do que parecia ser uma investigação científica, havia outras coisas também, objetos bem mais interessantes do que aqueles no dormitório do outro lado do corredor. Havia jarros com líquidos peculiares e pedaços de coisas – que ela suspeitava terem sido vivas – flutuando suspensas em seu interior. Em uma mesa, havia pedaços de osso partido e uma variedade de pós multicoloridos. Pergaminhos amarelados estavam empilhados em uma caixa de madeira enfiada até a metade sob outra mesa. Prateleiras transbordavam livros modernos e antigos.”

– Joe Golem e a Cidade Submersa – Mike Mignola e Christopher Golden

A roda de narrativas horríveis. Estórias Assombrosas. Livre apropriação de acontecimentos ficcionais ou não, que serão contados só/tãosomente/apenas/exclusivamente pra louvar a minha voz. Contar, narrar é a mais antiga manifestação de poder. Um poder que precede a antiga corrupção do poder em si, que podia ser, além de fortalecedor, curativo, educador, enaltecedor das partes do homem que realmente merecem honras. Antigas histórias de bravura, de coragem, de enfrentamento do que é autoritário e injusto, histórias de viagens, de descobertas, de alcançar os lugares mais inóspitos, de realizar as proezas mais inusitadas. MITO é, quase sempre, sobre tentar mitificar-se. Os causos de Beowulf e Riobaldo Tatarana. O cavalo do vodu: emprestar seu corpo para o loa mETatRoN מטטרון . Heroificar-se talvez não seja só a ideologia embrutecedora da autoridade, o posicionamento intervencionista dos bastiões do “certo”, os normatizadores da ordem, colonizadores do espírito multicolorido, os arautos do cinza, golens de concreto caçando bruxas, não! Talvez seja o caso de relembrar atos heróicos mais primitivos. Relato de caça justa e respeitosa. Caçadores gratos pela participação da presa no pique esconde da caça. Caçadores sagrados de leões e quimeras erguem suas lanças flamejantes, quando saltam no lugar, no congelar dum frame, são pessoas que aprenderam a voar. Viram heróis contando suas histórias, de como transformaram-se a si próprios na armadura do anjo guerreiro matador de dragões. Salve Jorge. Voa bem alto anjo jorge. Jorge voa. Meu amigo que voa. Olha lá meu amigo voando, voa jorge!

Masai_Mara_PH1“Mary Shelley apresentara um romance precariamente inconclusivo quanto à moral, à mensagem ou mesmo à conclusão. A sua sutil incerteza combina a famosa definição romântica de “aptidão negativa” – o estado mental poético descrito por seu contemporâneo John Keats como aptidão “de viver em meio à incerteza, com Mistérios, dúvidas, sem nenhuma busca excitável de fatos e razões. (…) Em The Reanimated Man [O homem reanimado], um ensaio de 1826, ela recontou relatos (posterioriormente provados como falsos) de um inglês do século XVII soterrado  por uma avalanche e trazido de volta à vida “com aplicação de medicamentos comuns”. Em Transformation [Transformação], uma narrativa de 1831, um pretendente à mão de uma mulher troca o seu corpo bem proporcionado pelas riquezas de um anão escabroso, um lúgubre exemplo de identidades fundidas. The Mortaal Immortal [O imortal mortal], publicado dois anos depois, contava a história de um aluno de Cornélio Agripa que fica impedido de morrer porque bebeu um elixir alquímico.”

– Frankenstein – As Muitas Faces De Um Monstro – Susan Tyler Hitchcock

Ebó na encruzilhada da ciência com a ficção, Exú-Hermes-Mercúrio é também um homem da razão. Seu orgulho tão humano é aquele de descobrir paragens inóspitas, pisar onde jamais ninguém pisou. Ousar um Sapere Aude na fita, tá ligado?

Os humanistas da velha escola tendem, certamente, a achar alarmante a idéia de recorrer a computadores em busca de conhecimento especializado e refinamento cultural. Na maioria dos casos, as objeções dos críticos soam como uma versão estranhamente invertida dos velhos contos morais que um dia nos alertaram contra as máquinas animadas: o aprendiz de feiticeiro de Goethe (e Disney), o homem de areia de Hoffman, o Frankenstein de Shelley. Na versão contemporânea, não é que a tecnologia escrava fique mais forte do que nós e aprenda a desobedecer nossas ordens – mas sim que nós nos deterioremos ao nível das máquinas. A tecnologia inteligente nos torna mais estúpidos.”

tumblr_mt016qRSnj1rhn6zno1_1280Sem dúvida, a crítica tem seus méritos e, mesmo na comunidade da Net – se ainda é possível falar de uma única comunidade na Net – , o software inteligente ainda é motivo de difamação em alguns lugares. Décadas atrás, em um livro curioso e brilhante, God and Golem Inc., Norbert Wiener argumentava que “em poemas, romances, pintura, o cérebro parece ser capaz de trabalhar muito bem com material que qualquer computador rejeitaria, por considerar amorfo”. Para muitas pessoas, a discriminação persiste até hoje; olhamos para nossos computadores como calculadoras; quando queremos informação cultural, já somos abençoados com uma quantidade de seres humanos para consultar. Outros críticos têm medo de um estreitamento em nossos parâmetros de estética, com agentes recomendando mecanicamente os sistemas nos quais todos surfam, enquanto envolvem astutamente suas recomendações em pele de cordeiro, dando impressão de indicar a cultura ideal para cada consumidor.”

EMERGÊNCIA – A Vida Integrada de Formigas, Cérebros, Cidades e Softwares – Steven Johnson.

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Cruzado nessa reza brava, três [ou +] narradores protagonizam a fusão de muitas personagens; cedem espaço espiritual em suas cabeças pros loas de contos estranhos tagarelarem. Seu manto é representação dos eternos hostess do bizarro – o zelador da cripta, o guardião da câmara, a bruxa velha – antiga, antiquíssima – e seus causos misteriosos: Já se manifestavam em diversos tempos e locais. São família também como Carlitos, o primeiro imitador de Chaplin do Brasil, Zé Mojica do Caixão, Ivan Cardoso o vampiro da Consolação, titio Creepy, o Morto do Pântano de Colonese, o primozes Eerie, a vampira de Los Angeles Maila Nurmi – aquela amiga gostosa que tem plena consciência do seu poder de sedução; o beatnik de Chicago Terry Bennett que virava Mad Marvin o lunático; ou Pete Myers de Cleveland que virava Mad Daddy; ou o almofadinha de Miami Charlie Baxter que trasfigurava-se no neanderthal pervertido M.T. Graves… todos com uma única missão, dirigirem-se aos espectadores como “companheiros confinados em hospitais, prisões e nos seus próprios refúgios” e compartilhar com eles narrativas – cinematográficas, televisivas, circenses, cartunescas, animadas, mas não muito diferentes do que a Ilíada, a Odisséia ou o causo de como se vence uma bruxa-sereia celta e seu filho gigante abobalhado que é seu meio-irmão ou de como se faz um pacto com o diabo, se apaixona pelo melhor amigo, enfrenta o jagunço mais sanguinário do meio oeste e ainda sobrevive em meio ao austero árido sertão pra contar a história. Tem vários narrando coisas assim. Faz parte da vida.

391757_538264622867184_1422553125_nDeixando por uma tarde

a mansidão de seu retiro,
capturava, sem alarde,
a casca de um crocodilo.

Comprimindo as covas da arcada
do monstro abriu a bocarra,
com beijo, encheu-o de sopro,
animando um réptil de barro.

Criou órbitas o animal inflado,
o inchaço, cai a roída escama, chama
pelo nome próprio o monstro de dragão,

que agora erguia a garra ao capitão,
-mudou em serpente fugidia
a terrível língua que ao mar atirava.

– trecho do poema “Excursão naval”de Gabriel Kolyniak do livro “Discórdia” de 2013, publicado pela Ed. Córrego

Há um palco triangular no método neomitosófico, está apontado pra três públicos diferentes, cada qual dos três dentro da cabeça de cada um dos três atores. Entre o culto pagão & o laboratório alquímico eles até ironizam a ritualística, só pra zombar da sua irrelevância: “Ave cenobitas! Leviatã nas alturas!” – os atores – tríade vezes tríade vezes tríade… – revezam em sua cabeça a função “doutor maluco”; “criatura monstruosa” e “ajudante corcunda desmiolado”.. cada qual dos três membros da cabala neomitosófica é essas três figuras em algum momento. E a sua ciranda, o fundamento da sua lógica primitiva, é criar o monstro, construir o grande projeto, realizar o plano maior, ascender às gargalhadas numa tempestade relampejante e parir uma técnica que lhe possibilitará parir a si mesmo no futuro; viver a monstruosidade, transformando-a em arte, em sensibilidade, na criatura citando Milton para seu criador, exibindo-se maior, mais inteligente, mais forte e mais ética do que o doutor nunca fora; e é claro ser também o ajudante sabotador, aquele que faz errado de propósito, só para irritar seu mestre, só para vê-lo enrubescer-se de ódio por trás de seus bigodes poderosos de homem do saber, desconstruindo poderes, desempoderando afinal, pela sabotagem criativa, pela provocação, pela subversão irrefletida, pela iconoclastia instintiva, pelo sarro porra: Igor só faz coisa de saci..

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Belo dia eu e Tibes(tein) estávamos querendo ressuscitar uns cadáveres, e pensamos! temos que fazer nosso próprio frankestein mais cabalístico e profissa que qualquer outro cientista louco pode criar, acredito que eu nesse momento seria o Igor que puxaria a alavanca, mas se pensarmos quem é mais louco empataríamos, então criamos o Projeto 27, um frankestein formado por todos aqueles artistas – principalmente músicos – que morreram com 27 anos: Só podia dar certo e só podia dar nesses rascunhos.
começo com nosso Noel Rosa que também foi com 27 e entendia muito sobre a vida em retalhos, viver no fio da navalha, viver os extremos da bohêmia.

Então, após essa sexta feira treze de Julho (Dia do Rock segundo os mais crentes), a experiência sucedeu-se com sucesso. O monstro tinha a cabeça com rosto de Robert Jhonson e caixa craniana de Kurt Cobain, mãos de Brian Jones, pés de Bohan e coração de Amy Winehouse.. os procedimentos ainda estão mantidos em segredo, devido às constantes tentativas da cia de roubar essa tecnologia para fins de uso militar e também para produzir filmes horríveis cheios de explosões sem sentido e diálogos idiotas. Parece que a intervenção militar associada à filmes fracos tem dado bons resultados para a tecnocracia… Mas se vocêe, que é truta, chegado, amigo da neomitosofia, e curte uma sabotagem cosntrutiva estiver interessado em fazer essa pesquisa, é só acessar a nossa biblioteca, procurando pelo verbete THE FUCKIN CRAZY PSYCHEDELIC ROCK K ROLL PROMETHEIC FRANKSTEIN EXPERIENCE, todos os tomos estão com seu título grafado na lombada. Ou consulte o golem de gravata alí na porta, nosso bibliotecário.

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“1. Tudo mostra uma causa inteligente, ativa. 2. O número dá prova da unidade viva. 3. Nada pode limitar aquele que tudo contem. 4. Só, antes de qualquer princípio, está presente em toda parte. 5. Como é o único senhor, é o único adorável. 6. Revela aos corações puros seu dogma verdadeiro. 7. Mas é preciso um só chefe às obras da fé. 8. É por isso que temos um altar, uma lei. 9. E nunca o Eterno mudará sua base. 10. Dos céus e dos nossos dias regula cada fase. 11. Rico em misericórdia e enérgico no punir. 12. Promete ao seu povo um rei no porvir. 13. O túmulo é a passagem para a terra nova. Só a morte acaba, a vida é eterna.”

– A CABALA – MALCHUT – PRINCIPIUM – PHALLUS – Eliphas Levi – Dogma e Ritual da Alta Magia.

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Os 7 Grandes Privilégios do Mago:

Aleph – Vê Deus face a face, sem morrer, e conversa familiarmente com os sete gênios que mandam em Toda milícia celeste; Beth – Está acima de todas as aflições e de todos os temores; Guimel – Reina com o céu inteiro e se faz servir por todo o inferno; Daleth – Dispõe da sua saúde e da sua vida e pode também dispor das dos outros; Hê – Não pode ser surpreendido pelo infortúnio, nem atormentado pelos desastres, nem vencido pelos inimigos; Vô – Sabe a razão do passado, do presente e do futuro & Zain – Tem o segredo da ressurreição dos mortos e da chave da imortalidade.

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Sua Preparação e seu Estudo (conforme enumerados num manuscrito hebreu do século XVI:

Cheath – Achar a pedra filosofal; Theth – ter a medicina universal; Iod – Conhecer as leis do movimento perpétuo e poder demonstrar a quadratura do círculo; Caph – Mudar em outro não só todos os metais, mas também a própria terra, e até as imundíces da terra; Lamed – Dominar os animais mais ferozes, saber dizer palavras que adormecem e encantam as serpentes; Mem – Possuir a arte notória que dá a ciência universal; Nun – Falar sabiamente sobre todas as coisas, sem preparação e sem estudo.

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& os 7 poderes menores do mago:

Samech – Conhecer a primeira vista o fundo da alma dos homens e os mistérios do coração das mulheres; Hain – Forçar, quando lhe apraz, a natureza a manifestar-se; Phe – Prever todos os acontecimentos futuros que não dependam de um livre arbítrio superior ou de uma causa incompreensível; Tsade – Dar de momento e a todos as consolações mais eficazes e os conselhos mais salutares; Coph – triunfar das adversidades; Resch – Dominar o AMOR e o ÓDIO; Schin – ter o segredo das riquezas, ser sempre seu senhor e nunca o escravo. Saber gozar mesmo da pobreza e jamais cair na abjeção e na miséria; Thau – Acrescentar a estes setenários, que o sábio governa os elementos, faz cessar as tempestades, cura os doentes, tocando-os e ressuscita os mortos.

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O RECIPIENTÁRIO:

DISCIPLINA

ENSOPH

KETHER

“Penso Logo Existo”, “Eu soiu aquele que pensa”, “Eu sou quem sou”, “Eu sou aquele que está e por quem se manifesta o verbo” –

in princípio era + verbum: Eu sou, logo o ente existe. EGO SUM QUISUM: O SER É O SER.

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APÊNDICE:

PARADISE LOST – JOHN MILTON – BOOK III – LINES 179 – 215 ou o livro que o Frankenstein leu e compreendeu seu papel de criação

Assim lhe torna o Criador eterno:
“Ó Filho meu, delícias de minha alma,
Filho, meu doce amor e único Verbo,
Minha sapiência, onipotência minha,
Conforme o meu sentir são teus ditames;
Tais desde sempre os tinha decretado.
O homem de todo não será perdido:
Há de salvar-se quem contrito o intente; —
Porém não bastam diligências próprias:
A graça minha, livremente dada,
Será da salvação primeiro móvel.
Posto que pela culpa escravizadas
A exorbitante, pérfido desejo,
Renovar uma vez inda eu me digno
As desfalcadas faculdades suas.
Ele mais esta vez por mim sustido
Pode firme na terra sustentar-se
De seu fero inimigo contra os golpes.
Por mim sustido, saberá quão frágil
É sua condição; que a mim só deve,
E a mais ninguém, a salvação que aguarda.
Tenho escolhido alguns dentre os humanos,
Para de graça especial muni-los:
Assim me apraz; ao resto ouvir incumbe
A minha voz atento que incessante
As suas culpas lhes porá patentes,
Para que a tempo sossegar procurem
Da minha divindade as justas iras,
Da graça enquanto lhes franqueio as fontes.
Dest’arte quero a mente iluminar-lhes
E o férreo coração embrandecer-lhes:
Se a mim erguerem preces fervorosas,
Se me prestarem obediência humildes
E com pura intenção se arrependerem,
Nem surdos hão de achar os meus ouvidos,
Nem os meus olhos hão de ver fechados.
Dentro da alma hei de pôr-lhes a consciência,
Guia infalível, árbitro divino:
Se puros lhe seguirem os ditames,
Usando bem de sua luz primeira,
Terão logo de luz ondas sobre ondas, —
E, persistindo assim, hão de salvar-se.
Mas quem zombar da tolerância minha,
O meu dia de graça desprezando,
Nunca mais há de obtê-la; e sem remédio
Sua dureza se fará mais dura,
Sua cegueira se fará mais cega.
Seus tropeços serão quedas profundas;
Tem de abismá-lo a perdição eterna.
Mas no que hei dito não se encerra tudo:
O homem rebelde, sua fé quebrando
E louco pretendendo o grau de Nume,
Contra o Poder pecou dos Céus supremo,
E por isso perdeu quanto era e tinha.
Para seu crime expiar, nada lhe resta:
Votado à destruição, será sem falta,
Ele e a progênie sua, entregue à morte:
Morrerá; tal o quer minha justiça;
Livrá-lo pode só vítima ilustre
Que, em vez dele, a morrer se sacrifique,
Pagando cabalmente a grave afronta
Pela satisfação, morte por morte.
Dizei, dos Céus augustas potestades:
Onde tão grande amor encontraremos?
Para remir coa morte o crime do homem,
Que imortal quererá mortal fazer-se?
Para alcançar a salvação do injusto,
Que justo quererá sofrer a morte?
Dos Céus por toda a vastidão imensa
Haverá caridade tão sublime?”

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