Abnormal Brains part5: Abnormal X Normal

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Comecemos com uma breve interpretação da história do Dr. Frankenstein como criador e a sua respectiva criatura; os dois são facilmente associados aos conceitos de doença e de monstruosidade; no caso poderíamos dizer tanto sobre patologias mentais, quanto patologias físicas e até sociais. Nesse conto da Mary Shelley que transcende a simples metáfora, os “humanos” que atacam e executam tanto criatura, quanto criador Dr. F.; também podem facilmente ser associados aos conceitos de doença e de monstruosidade. Em se tratando desses conceitos, que são arquétipos comumente utilizados como motivação para hostilizações, podemos perceber uma tentativa de implantação de um padrão, que normatiza a cultura, tornando-a tanto normal (parte do paradigma vigente) quanto legal (parte da legislação, tanto “oficial” (escrita), quanto extra-oficial(praticada)).

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E com essa implantação consumada a tendência é dos executores nesse conto serem aproximados do conceito de normalidade, com mais freqüência que o Dr. F. e sua criatura; pois a reação mais saudável ao estranho e ao novo é matar e/ou esconder né? Atualmente a maioria ainda acha que a doença e a monstruosidade, são dissociados dos conceitos de saúde e padronização. Afinal o que é ser saudável, estar dentro dos padrões? Estar na moda é saudável? Eu perguntaria isso a quem já superou doenças sociais como a bulimia; antes de tirar qualquer conclusão. Pois essas doenças e muitas outras estão fazendo cada vez mais vítimas através da padronização; que atinge inclusive o que costumamos chamar de sistema de saúde. A padronização da saúde gera doenças, acho isso um tanto paradoxal, mas tão real quanto o que acredito que seja o meu corpo e o que penso ser saudável para mim e para os outros. Ao meu ver a saúde está associada ao bem estar e à consciência no projetar, mas não necessariamente ao ser bom; a saúde e o desejo nem sempre são convergentes. Mas acima de tudo a saúde é um conceito muito relativo e portanto dificilmente classificável; pois cada um interpreta e deveria praticar do seu jeito. Muito do que já se considerou como doenças, posteriormente foram dadas como “aceitáveis”, ou até benéficas ao “portador” da “ex-doença”. Apesar de existirem anomalias que tanto afetam o bem estar, quanto a consciência, não necessariamente são passíveis de tratamento e em alguns casos, essas anomalias podem até ser mais benéficas ao “portador” do que o que aquilo que se considera(va) como saudável.

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Alguns apesar de considerarem Albert Einstein, ou Leonardo Da vinci gênios, também consideram o fato deles dormirem somente três horas diárias uma anomalia, algo estranho e conseqüentemente interpretado “normalmente” como “errado”, ou maléfico, ou mesmo não-benéfico. Como o conceito de saúde está diretamente relacionado ao corpo, e o conceito de corpo diretamente relacionado aos corpos físicos e mentais; são raros os casos de associação do conceito de saúde com os corpos espirituais, vitais e até mesmo sociais/culturais, principalmente quando falamos da cultura ocidental. Em se tratando das religiões, a maioria prega uma certa padronização e normatização; portanto ao meu ver são antagônicas ao conceito de saúde, já que este é um conceito relativo.

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Abnormal, abominação, algo que para mim pode ser passível de condenação é a não cordialidade. Como dito por Tiago Abreu em Abnormalbrains: “Monstros: aqueles que culpam os progenitores por seus defeitos”; pode ser resumido como alguém sem cordialidade. O que é cordialidade? Muitos associam diretamente ao conceito de formalidade, o que está longe do conceito original. Cordial: “(…)1. Referência ao coração. 2. Que vem do coração, ou que expressa os sentimentos genuínos; EFUSIVO; FRANCO; SINCERO. 3. Diz-se de quem não esconde seus sentimentos; também que age movido mais pelos sentimentos do que pela razão. 4. Que tem, demonstra ou desperta bons sentimentos ou boa disposição em relação aos outros; que é espontâneo e caloroso. 5.Marcado por demonstrações de cortesia, simpatia, bons sentimentos, ou por ausência de tensão, conflito ou animosidade; AFÁVEL; CORTÊS; GENTIL(…)”. Ou seja ser cordial envolve tanto o bem estar (próprio e alheio), quanto a consciência ao projetar (individualmente e coletivamente).

http://www.youtube.com/watch?v=zRO1HIVkFTc

Dito isto, um bom exemplo de cordialidade é a cultura “open source” (trabalho em rede); tudo começou com o Linux, desde então essa cultura tem se disseminado de modo vertiginoso, se diversificando e podendo ser associada com empreitadas como Wikipédia, Firefox, Torrent e ao meu ver até germinando o que conhecemos como Crowdfunding (financiamento coletivo).

http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_aberto

Pouco tempo atrás, assistia descompromissadamente ao youtube, quando entrei neste vídeo (Open Source – Para Salvar o Planeta) quase sem querer:

http://www.youtube.com/watch?v=4JNaVzdB4nE

PS: Como eu sei que a maioria (inclusive eu) não consegue assistir as 4 horas, sugiro olhar o começo dele e principalmente os links que ele disponibiliza na descrição.

Já acreditava que o conceito de “open source” tem muitos potenciais, mas me surpreendeu um pouco que este conceito já tenha sido aplicado e disseminado em “hardwares” (máquinas); depois de ver o carro “open source” (Wikispeed) em desenvolvimento e o site em que o projeto é disponibilizado, minhas esperanças de uma luta contra os monopólios está quase 100% renovada. Segue o link deste site (retirado do video acima):

http://opensourceecology.org/wiki

Com a saúde estando associada tanto aos âmbitos físicos e mentais, quanto espirituais, vitais, sociais, culturais, etc; essa saúde, em sua complexidade, só pode ser interpretada como algo relativo, que não pode ser padronizado, normatizado e idealizado, como algo que é certo ou errado, mas sim deve ser respeitado e tratado como escolha (do “paciente”); a cura deve existir para aqueles que querem ser curados, mas não necessariamente precisam da cura.

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Pensando hipoteticamente, imaginemos as seguintes situações:

1- uma mulher que pode ser considerada bonita e magra, com bulimia ou algo do tipo; nos leva a acreditar que ela não se considera bonita, ou magra e portanto PRECISA (sente necessidade de) ser mais bonita, ou magra, para se “enquadrar” dentro dos PADRÕES de beleza que acredita estarem em voga.

2- uma mulher também bonita e magra, mas com algum problema físico/emocional real (que debilita sua vida), que de alguma forma impede ela de superar o próprio problema, sem recorrer à tratamentos; sejam eles uma cirurgia plástica, ou uma terapia (física, mental, social…), ou um medicamento. Esse cenário nos leva a acreditar que ela QUER o tratamento, não para se “enquadrar” nos padrões, mas sim para aumentar o próprio BEM ESTAR.

3- um homem com um real problema físico/emocional, que recorre à uma cirurgia plástica e que depois disso se torna um machista daqueles radicais. Apesar do aparente aumento do BEM ESTAR dele e do não “enquadramento” nos padrões sócio-culturais; é claro o MAL ESTAR alheio e a padronização/normatização/idealização dele para com o outro.

4- um homem andrógeno, heterosexual, considerado por muitas mulheres como bonito; e por muitos homens como homosexual; que definitivamente não quer receber qualquer tratamento e se sente saudável ao seu modo; sem necessidade ou desejo de aumentar o bem estar físico ou emocional, com qualquer tratamento que seja. Com sua fisiologia andrógena ele pode não se “enquadrar” nos padrões, mas isso não afeta o seu bem estar.

5- uma mulher também andrógena, homosexual, considerada por muitas mulheres como bonita; e por muitos homens como um heterosexual; que não quer tratamentos. Mas infelizmente devido as circunstâncias, tem sido alvo de críticas da sociedade/cultura por não estar dentro dos padrões que esta mesma defende. Tem o seu BEM ESTAR, ameaçado pelos PADRÕES da sociedade.

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Enfim qual destes casos pode ter seu “passado” sendo considerado como saudável e qual deles pode ter seu “futuro” sendo considerado como saudável? Diria que em todos os casos o “vilão” é o PADRÃO e o “herói” é o BEM ESTAR; e que infelizmente na maioria dos casos o vilão está vencendo. Mas como eu não quero fazer parte desta cultura padronizada, é bem possível que o padrão “normalmente” se estabeleça através da figura do Herói, e o bem estar através da figura do vilão; mesmo não estando dentro dos padrões, eu não concordo com esse paradigma padronizado e normatizado, onde o herói dissemina a norma e extermina o “estranho”.

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Mas alguns diriam que sem padrões/normas seríamos selvagens e hostis; o que eu respondo cordialmente, que para a cordialidade, ou seja saúde, principalmente social, esses padrões/normas são só obstáculos e limites.

UM VIVA CORDIAL AOS HERÓIS SAUDÁVEIS DO BEM ESTAR.

PS: Vide continuação (ainda para postar), com análise da figura do herói, na resposta ao texto: Histórias em Quadrinhos e Império.

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