SETE DIAS

“Nesta vida, 

pode-se aprender três coisas de uma criança:

estar sempre alegre,

nunca ficar inativo

e chorar com força por tudo o que se quer.”

– dedicatória de GUERRA DENTRO DA GENTE

Paulo Leminski

filoneofilomitofilosofia, amor pelo saber, amor pela narrativa, amor pelo novo, amor pela magika <3

filoneofilomitofilosofia, amor pelo saber, amor pela narrativa, amor pelo novo, amor pela magika❤

frankshirt

“ITS ALIVE! ITS ALIIIVE!!

3:38->

No man live forever, but never say never / Every good he want better, just be a go-getter / And always be clever in every endeavor / The drastic time call for drastic measure / Your girl tied to pleasure from your neighbor since ever / The land and the treasure work for whatever / Just don’t be a beggar, the Alpha Omega / Will bless every soul no matter which name you prefer / The immortal stepper believe in every skin / No matter which color they are / Would never let, Him not care which kind of weather / You’re destined to rise like the Son of Rebbecca / Don’t stop for a second / Every man reckon it sure would be good to be there / Whether Zion or Mecca / When the gates are finally closed / And the saints go marching in / When the Armageddon’s dark and dread (I get up and make it happen) / A lot of weak-hearted weep and moan (I get up and we get it cracking) / Only the strong will continue / Do you have it in you? / Come, we’ve got a journey to go / And when the battle get sour and dread (I get up and I get it going) / A lot of weak-hearted wither and moan (We get up and we keep it flowing) / Only the strong will continue (only the strong will continue) / I know you have it in you / I know you have it in you

ricknmortynatv

refletindo sobre as responsabilidades de ser um bom exemplo

um post um pouco mais autoral pra variar..

um post um pouco mais autoral pra variar..

FILHOTE A CAMINHO (primeiro prelúdio)

Madrugada de 21 para 22 de Janeiro  – 2X15

CHOVE em SP mas os fios de luz gotejam mais que o céu.

Sentimos efeitos colaterais dum silêncio forçado. Maomenos cefalite; maomeno enjoo; maomeno pirirí. MULTIDORES NOS PLURICORPOS – tosse estranha & arrastada. Dorsinha do ladinho. 1 lágrima (Q eu vi).

A cabeça abriga explosões sobre explosões de pensamentos de todo tipo: “nunca conseguirei ler um gibi novamente”; “o quão opressiva não é uma ideia que não admite deixar de ser pensada”; “Filhote, se algum dia, qualquer um – absolutamente qualquer pessoa MESMO – te fizer chantagem emocional, responda com um imediato e assertivo ´tomá no seucú´ pra que a pessoa não repita jamais a tentativa”; nomes, nomes, nomes, Lourenço; Severino; sim Ernesto – de punho em riste; ou Bernardo ou Benjamin… Violeta é consenso máximo para uma moça. Mais pensamentos: “Quão forte pode ser uma criatura que nunca – jamais – passou nenhuma fome?”; “ou frio?”; “ou pegou carona?”; “ou pulou muro?”; “ou tomou uns sopapos?”; ou…

Coisas pra fazer amanhã:

– Inventar alguns deuses a mais pra acreditar.

– Rezar pra não ficar idiota.

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PLANO DE PARTO (segundo prelúdio)

Broto desponta de dentro da sua semente. Racha semente, deixa pra traz tal qual casca vazia. Descama como cascavel. Avança na vida. A mente também brotará no corpo. O corpo também despontará do solo. Alcança outras crias. Cria e cura feridas. Expande-se em  subida e descida. Abaixo as raízes daquilo que deixar pra trás serão suas partes mais fortes. As raízes sempre são os pedaços mais resistentes da existência. Acima estenderá suas extremidades . As folhas que brotarão das pontas dos seus dedos serão a realização/manifestação/ do encontro entre potencial criativo e o espaço que o mundo te dá pra fazer. O mundo folha inteiro em branco, esperando pra ser desenhado. Aquilo que dirá a que veio & que está pro que der e vier.

girasol

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7 DIAS

“Eu to com aquela sensação de furo na mão e no pé. Só que sem o furo.” – Ju Litvin, poetisa & filósofa sobre o início do trabalho de parto.

DIÁLOGO SOBRE O SABOR DO LEITE

Eu:

– Doce e ultrasuave, quase com gosto de…

Ela:

– Achei doce, doce que nem pé de manga doce.

A casa é uma máquina viva de contar nossa história. A história do que estamos fazendo. Cada objeto é vivo e conta nossa trajetória. ANIMISMO DO LAR. Meu primeiro diálogo com a filhota foi sobre sua coleção de discos, de como ela vai gostar dos cantos da tradição Juruna na voz de Marluí Miranda em Fala de Bicho, Fala de Gente, sem contar Vengo com Ana Tijoux, tantos da Nação Zumbi (Dá-lhe viver! Dá-lhe viver! Dá-lhe viver!) e uma tonelada de música preta linda pra compor os entremeios da seleção. Música é das formas mais eficientes de transmitir carinho, afeto, bem querer em cada canção. Equalizando as almas e subindo o volume da amizade.

demolidor #8

CAPA DO DEMOLIDOR #8 com elástico em cima: A história do que poderia ter ocorrido: O feitiço do “e se?” a corroer as bordas da realidade. Repetindo em espiral feito o dia da marmota. E se eu tivesse estourado o elástico? Arrebentado ele de propósito? Teria sido mais destemido, não? Quando se é destemido como o diabo, Deus te recompensa com boa sorte e a alegria da sobrevivência. Não sem sustos e soluços.

A metamorfose do corpo. Contração. Expansão. Tensão versus tranquilização. Massageando a solidez até transformá-la em liquidez. Extração. Nutrição. A absoluta falta de solidão. Que será do dia de amanhã? Que será da calma? Do silêncio? O corpo então se transforma, se retransforma, quase mas nunca destransforma – medita, silencia, dói, ri & chora. Compartimenta em chumbo e chaves os maiores medos. Criando sua própria pandora. Eventualmente libertando demônios famintos, tornando-os anjos de viola. Fazendo o melhor possível, botando os bicho pra fora. Trazendo pra perto os amigos, tecendo uma teia invisível a cada minuto de cada hora.

“Ninguém morre!”

“Onde há vida há esperança.” – DEMOLIDOR # 8

27 – 9 – 15

Lua Cheia. Eclipse noturno. Uma lua cheia vermelha no céu. Amanhã minha filha fará sete dias. Ela vive(u) algum tempo numa unidade de tratamento intensivo e passou as primeiras setenta e duas horas em protocolo de hipotermia para preservação neural; algo que se parece muito com o laboratório do jovem Frankenstein, chei de máquinas, tubos, motores e apitos. Na cidade futurista de Neo-Sampa há todo um universo social de crianças como ela, bailando o tango de rosa e punhal nos dentes com a gravidade de seus casos. Suas vizinhas e vizinhos de leito. Dezenas. Certo que Centenas. Na cidade toda talvez milhares.  Como comentou nossa adorada neonatologista, a Dra. Gato, “bebês highlander”, por sua plasticidade adaptativa e capacidade de encontrar novos caminhos pra por sua vida em curso. Violeta, virgo; que nasceu junto com Bill Murray, Leo Cohen e Stephen King. Santo Murray, Santo Cohen, Santo King, abençoem essa menina que tem os pés do Hank McCoy e um olhar de pirata. A vida é dura (já sabíamos). Viver é barra (redescobrimos). Mas o nenê é feroz.

Violinha: receio que ja esteja apaixonado..

Violinha: receio que ja esteja apaixonado..

28.9.2015

Pela primeira vez pegamos Violeta no colo. Estou totalmente desconectado do mundo da internet, das notícias espetaculares e da rotina do trabalho. Queimando karma em fogo alto. Dedicando-me integralmente ao que é orgânico e vital. Depois de anos de malacabadagem, não bebo, não fumo, não sinto falta de nada. Faço planos de treinar boxe e tai chi chuan. De dançar com a pequena Viola nos braços ao som de Tetê & o Lírio Selvagem.

Quando tivemos alta, caminhar pra longe do filhote era como nadar pra cima as águas de uma catarata. Deixar o edifício depois de quase uma semana fazia o mundo ainda mais surreal. No caminho pro carro, na rua da hospiternidade, cruzamos, entre um temporal e outro, com um grupo de Hare Krishnas ensopados cantando e batendo tambores e pandeiros. No rádio, Kashmir na ida, Dancing Barefoot e Take It Easy My Brother Charles na volta. Na rua, vimos uns caras pichando o posto de gasolina na esquina da maternidade, riscando runas urbanas com tinta spray, rolinho e canetão. Em casa, dormimos como acrobatas da cama, como cegos com hipersentidos saltando através das coberturas dos prédios. E entre um soluço e outro susto, sonhamos sonhos agitados e quase inelembráveis, que correm pra se esconder ligeiros nos bueiros da consciência aos primeiros instantes de despertar.

SETE DIAS. Finalmente pude escrever. Pra poder convencer o universo pela magika endemoniadamente ousada do verbo somado de intenção (no caso gráfica), de que eu sou eu. De que nós somos nós. De que meu amor é meu amor. Ela tem sete dias e nunca chorou. Nem um pouquinho. Nem por um instante. Começa agora a testar em pequenos grunhidos sua voz. Eu e sua mãe cruzamos sem vara a corda bamba de ocupar-se antes com o após. No banheiro, álcool em gel, fralda, algodão, hipogloss. Deus parece oscilar entre bonachão benevolente e selvagem atroz,

& pra amanhã a lembrança das sábias palavras ditas pelos avós, de que no final das contas o bebê é um bicho feroz.

Pra Ju e Violeta Litvin

VAI Q VAI

1:33

29.set.2×15

Meu pai veio da Aruanda e a nossa mãe é Iansã.
Meu pai veio da Aruanda e a nossa mãe é Iansã.

Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.

Deixa a gira girar…
Saravá, Iansã!
É Xangô e Iemanjá, iê.
Deixa a gira girar…

Meu pai veio da Aruanda e a nossa mãe é Iansã.
Meu pai veio da Aruanda e a nossa mãe é Iansã.

Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.
Ô, gira, deixa a gira girar.

((❤ ))

6 Respostas to “SETE DIAS”

  1. Com olhos molhados, vejo um oceano, vasto, feroz, indomável; mas também fascinante, rico, vivo, colorido, brilhante. Na superfície: ondas, reflexos, vento, sons; abaixo do horizonte: acolhedor, silencioso, livre, leve… O desafio fortalece os corpos espirituais, vitais, mentais e físicos; “It’s Alive”, “She’s Alive”, “She Brings Life”… Longa vida à Violeta e suas raízes fortes e queridas: Tibs & Jubs.

  2. monstrodopantano Says:

    Hold down all the sprinklers on Mount Olympus. My god’s tougher than Zeus.

  3. […] trocando dados & combatendo a escória « SETE DIAS […]

  4. monstrodopantano Says:

    tibs jubs e vibs amo vcs
    vou ensiná-la a desenvolver estes pés de pegar – Prof. RX

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