Os Sete Samurais e O Filhote de Tartaruga de Régis Y.

Leonardo’s the Leader in Blue does anything it takes to get his ninjas through.

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Leonardo é o líder de azul e faz de tudo para que seus ninjas consigam. Leonardo só descansa quando sua família está protegida.

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O perigo sempre ataca quando tudo parece bem.

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Começo contando a estória daquela tartaruga, a mais responsável. Que carrega o mundo nas costas, de tanto peso e de tanta responsabilidade, vive num dilema. No título há uma mistura do filme Os Sete Samurais (1954) de Akira Kurosawa com O Lobo Solitário e Filhote, mangá (1970-76) de Kazuo Koike e filme(72). Também dá prá pensar no filme Três solteirões e 1 bebê (1987), dirigido pelo grande Mr. Spock – Leonard(o) Nimoy, mas não vem ao caso.

Leonardo carrega o peso de ser o herói, carrega o dilema de ser herói, ou de ser líder. O que é herói? O que é ser o Líder? “Too Much Pressure”

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Compreendendo a Jornada do herói, um pouco de Joseph Campbell – O Monomito, traduzido por mim também, explica o padrão seguido pela psicologia do herói:

1.nasce – circunstâncias fabulosas em seu nascimento estabelecem quem ele é qual será seu ciclo como mito

2.hora de aventura – o herói é chamado para aventura, ás vezes é relutante em aceitar

3.amuleto – no começo o herói recebe cuidados de uma figura protetora, ele pode vir de diversas formas, como um mago, um anão, uma mulher, uma fada madrinha ou um padrinho sensei, então recebe sua arma ou amuleto para jornada

4.cruzando a linha – até atingir seu verdadeiro potencial em uma jornada, o herói deve aprender a cruzar a linha sobre tudo o que aprendeu em vida, e sofrer com o prejuízo disso, como ser engolido por uma baleia, a importância desse passo é mostrar o contraste entre o mundo familiar que é a luz com as trevas, que é o mundo desconhecido

5.testes – nesse mundo desconhecido de sonhos e aventuras o herói passa por vários testes, encontra violência contra monstros, feiticeiros, guerreiros, forças da natureza, cada sucesso aprimora o herói

6.ajudantes – o herói é acompanhado de assistentes que o ajudam em cada tarefa com a lealdade de irmão, muitas vezes também encontra uma figura sobrenatural que o acompanha

7.clímax/a batalha final – o momento crítico da jornada do herói, que geralmente tem uma luta com um chefão, monstro, feiticeiro ou guerreiro

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8.voo – após derrotar o vilão, o herói recupera algo como um elixir, que o ajuda a retornar para seu local inicial em sua vida normal, o retorno pode assumir a forma de um voo, ou o elixir que garante a recuperação do herói

9.retorno – retorna para sua vida, sua família, para o dia a dia cheio de luz, o retorno geralmente toma a forma de um despertar, um renascimento, uma ressurreição, ou simplesmente resurge de uma floresta ou caverna

10.elixir – o objeto de conhecimento conquistado na aventura, que agora faz parte da vida cotidiana do herói, no qual ele o utiliza para se curar e definir seu papel como o herói da comunidade

11.lar – o herói retorna ao lar, após sua misteriosa aventura, com o poder de conceber bênçãos aos seus entes queridos

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Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas faixas – calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa, honey

O herói pega impulso para dar uma voadora e afastar todo o mal.

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O herói confronta o sistema? Ou o herói conforma o sistema?

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Vem ver a violência inerente ao sistema.

Cuidado tartaruga, que você pode estar em terreno escorregadio, você pode sair escorregando nesse terreno pantanoso, cair no chão, não quero te ver com o casco trincado no chão mi bredda.

Ooh, when you wet, it’s slippery, yeah.
When it damp, it crampin’!
If it’s slidin’, you’ll tumble down,
Won’t want you on the ground.

Caution: the road is wet;
Black soul is black as jet. Did you hear me?
Caution: the road is hot;
Still you got to do better than that!

No filme de Kurosawa,  com Toshiro Mifune, a lenda referência para filmes de samurais. Conhecemos um vilarejo pobre num Japão feudal, que reúne 7 samurais para ajudá-los a se defender. Toshiro Mifune é Kikuchiyo um veterano com o peso da responsabilidade de proteger e treinar seus irmãos do vilarejo. Na saga do Lobo Solitário podemos ver muita semelhança entre o ator Toshiro e o personagem principal que tem o dever de proteger seu bebê. No filme do Lobo Solitário, não chamaram Toshiro e sim, Tomisaburo para ser o personagem Ogami Itto, que também ficou muito parecido.

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Meu nome é Leonardo. Nós entramos errado em algum desvio em qualquer lugar. Agora estamos encurralados na parede desse lixo de beco. Barrando nossa saída tem 15 membros dos Purple Dragons, a gang mais durona da Zona Leste, o único jeito que eles nos deixariam sair daqui é: MORTOS !! Eu empunho num relax minha Katana e fico preparado. A minha esquerda, Donatello e Michelangelo, seguido de seu bastão e nunchaku. Raphael guarda minha direita… Eu sinto seu (corpo trêmulo) tenso de energia, esperando para ser provocado e liberado numa eufórica carnificina.

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Sua mãe era um hamster e seu pai fedia frutas velhas. Acho que quis dizer que seu pai era um rato.

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Desde onde tudo começou, nos esgotos. Quando as Tartaruguinhas mutaram em crianças. O Pai, o Mestre, o Sensei, o Rato, o Splinter, a Lasquinha de madeira, tão letal quanto pequeno. Tão pequeno quanto um rato ou uma tartaruga. Hamato Yoshi encontrou as tartarugas, que agora ele chamará de filhos, os cuidará e ensinará o ninjutsu, cascos multicoloridos, cada um recebe uma cor, cérebros, multicoloridos, vermelho, azul, laranja, roxo, sintonizam, homens, tartarugas, ratos, imprevisibilidade de comportamento, acima, embaixo do mundo, emitem, andam, sentem, amam.

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Tudo que Leo sabe veio de seu mestre. Ele sabe que é o responsável pela proteção de seus irmãos, que é o mais velho, o irmãozão, onitchan – onii chaan (兄) precisa ser firme e forte, rough and tough, ser o Garoto Rude para lidar com os problemas, ser o Homem de família. Sorvete e doce, só depois do almoço. Conversar sobre a cerveja, fundo do poço. Ex-presidente, senadora, larga do osso. Sobre Deus onipresente, sempre silencioso. A diferença entre o trabalho e a mão no revólver. Às vezes o trabalho é a mão no revólver. O caminho mais fácil, o que isso envolve? O sol não brilha pra todos, não. A vida ou a morte? Eu vou em prol do prole.

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Terry Gilliam – O Bom Mestre expandindo o potencial de aprendizagem de uma criança

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Em uma estória da Mirage Comics, Leo sonha que ‘cai de um telhado’, e cai em cima de sua espada e é empalado, claro que um ninja nunca cairia assim. Mas o que acontece é que toda sua família é assassinada porque ele não está lá para protegê-los. Rola até uma cena de autopsia com o Leo dissecado num hospital.

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A word unto the wise is enough
You can look but don’t touch
My reparation and such
Cause out here in this jungle we roar
Every king has his thrown
And if you enter my zone
And going to protect my own
Protect my own
I will protect my own
Protect my own

Todo rei tem seu trono, C você entrar na minha zona, eu vou proteger os do meu tipo, vou proteger os meus. Vou proteger minha quebrada e meus irmãos.  Ele aprendeu desde pequeno a compreender as necessidades de seus irmãos mais novos, a compreender o que os outros pensam, a questão do líder colocada como o responsável, e não o que manda, ele pensa pelo grupo. E pensa em como o grupo deve agir como um conjunto, como uma guerrilha móvel. Há estudos de tribos em que o líder têm a função social, somente para ser criticado, para melhorar, ter menos regalias que os outros, pois é ele quem deve se preocupar em prestar serviços. Leo se interessa pelo comportamento do Capitão Kirk de Star Trek, tomar decisões rápidas e um tanto quanto infundamentadas para resolver os problemas de sua Crew.

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Bakunin fala sobre autoridade no contexto de um sapateiro. Um sapateiro tem autoridade em sapatos e isso não pode ser discutido, a autoridade de ordenar de forma imperativa, de tentar submeter um ser ao outro, essa autoridade é que transforma os indivíduos em escravos estúpidos submetido a vontade e aos interesses de outrem. Viva Zapata, Viva Sandino, Antonio Conselheiro, todos os Panteras Negras, um outro conceito de Liderança. Liderança e Honra, as palavras chaves de Leonardo.

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No acidente tóxico que as tartarugas foram criadas, no mesmo acidente é revelado por Stan Lee e por Eastman e Laird, que um outro herói se tambem surgiria, o Daredevil, O Demolidor. No episódio, Speak of The Devil E por falar no Diabo ( Já explicado no post do Misfits – https://neomitosofia.wordpress.com/2015/08/20/misfits-american-psycho-1997-pt-5-regis-y/ ) da nova série do Demolidor (2015), há um diálogo entre o Padre Lantom e Matt ‘Demolidor’ Murdock que aqui traduzi:

Matt Murdock: Você acredita no Diabo, Padre ?
Father Lantom: Você quer dizer … como um conceito ?
Matt Murdock: Não. Você acredita que ele existe? Nesse mundo, entre nós.
Father Lantom: Você quer a resposta curta ou a comprida?
Matt Murdock: Somente a verdade.

Father Lantom: Quando eu estava no seminário eu era mais estudioso que devoto, mais cético que a maioria de meus colegas. Eu tinha essa noção, de que eu estava disposto a falar a respeito, em detalhes, com quem eu pudesse encurralar, que o diabo era inconsequente. Uma figura menor no esquema geral das coisas.

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quero ter olhos prá ver, a maldade desaparecer…

Eles conversam sobre o conceito de bem e de mau, das dicotomias que existem na vida, o frio e o quente, a luta eterna do bem e do mau, da vida e da morte, o azul e o vermelho, como o Ying e o Yang, se leo é o ying, raph é o yang, são os irmãos rivais, em constante conflito e ao mesmo tempo em constante apreciação.

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No desenho de 2003, têm um episódio que chama-se Lone Raph and Cub, transcriando a estória do Lobo Soitário com o Raph, que não é a tartaruga deste post.

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Básico para todos que não só têm irmãos, mas como eu que tenho amigos que são meus irmãos e eles sabem quem são, pois estão lendo isto aqui. “Meus amigos são os mesmos, eles fazem jus.” Este post vai à um irmãozão que me identifico e identifico com o Leo, que está se tornando papai, o lobo responsável da alcatéia,  este post se comunica com seu antecessor, com o (re)nascimento de Tiago Abreu :(https://neomitosofia.wordpress.com/2015/10/01/sete-dias/ )

Muitas confluências astrais na mente neste momento, a lua vermelha. A lua azul. A Velha lua. A Lua Nova. A Lua Cheia. Nossos filhos seriam punks, straight edge’s, crusties, libertários. Pulando no sofá, ouvindo Lärm, Fyp e Ex-Comungados. Ao lado estariam os livros, Marx, Drummond, Monteiro Lobato. Bebês cosplay de Tartaruga ninja, de Emília punk roque, um visconde de sabugosa cyberpunk, rasta caçadores de vampiros, garoto com orelhas de ursinho, com a espada da alma e seu melhor amigo irmão cachorro, lutando contra o Jabberwocky, a quimera, qui mer.. não fala palavrão na frente dos mais novos, lendo Lewis Carroll antes de dormir, e aí leva os muleke pra pixa, desenha, pixela, fazer akele graffitti do Pops e do Jake que a gente tava querendo fazer…mil grau, mil opções de caracteres robóticos para formar uma sequência genética – tr -c -tmnt “[:digit:]” ” ” < /dev/urandom/leo | dd cbs=$COLUMNS conv=unblock | GREP_COLOR=”1;32″ grep –color-blue “[^ ]”

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Agora vou contar uma estória, que meu avô, meu Ojichan (おじちゃん), contava para mim dormir quando eu era pequeno, não há final feliz ocidentalizado, já vou avisar, a lição aprendida é inesquecível.

Retirado do livro : Urashima Taro e Outras Estórias Japonesas para Crianças de Florence Sakade e Yoshio Hayashi.

A Lenda de Urashima Taro, O Jovem Pescador (1905)

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Há muito tempo atrás, na província de Tango, na costa do Japão, existia um vilarejo de pescadores em Mizu-No-Ye. Lá vivia um jovem pescador chamado Urashima Taro. Seu pai tinha sido pescador também antes dele, e tinha muita habilidade mais do que ele pode doar para seu filho, mas Urashima era o mais talentoso naquela região, e podia pescar muitos peixes Bonito e e Dourado em um dia, mais do que seus camaradas podiam fazer. em uma semana.

Mas no pequeno vilarejo de pescadores, melhor do que ser conhecido como um ótimo pescador, ele também era conhecido pelo seu bom coração. Nessa sua vida toda ele nunca tinha machucado nada, nem grande nem pequeno, e quando era garoto, seus amiguinhos riam dele, porque ele nunca agredia animais, ao contrário sempre tentava salvá-los de crueldades.

No fim do dia de um entardecer de verão não tão quente, quando o jovem voltava para casa, ele esbarrou num grupo de crianças. Elas gritavam e falavam alto, e pareciam estar com os nervos à flor da pele, e pela empolgação,  ele pode perceber que elas estavam importunando uma tartaruga. O primeiro menino pulou em cima dela, o outro ficou na frente, enquanto a terceira criança a batia com um pedaço pau, e o quarto batia no seu casco com uma pedra.

Urashima sentiu-se muito incomodado pela pobre tartaruga e foi ao resgate, falando com os meninos.”Olha aqui criançada, vocês não estão tratando está tartaruga bem e ela morrerá!”

Os meninos, que eram de uma idade danada, não ligavam para crueldades, nem perceberam a reprovação de Urashima e continuaram na mesma algazarra. Um dos garotos respondeu: “- Quem liga se ela vai viver ou não, nós não ligamos. Vai lá lesque zica, continua.” E continuaram a tratar a tartaruga de uma maneira pior do que antes. Urashima esperou, e pensou que a melhor maneira de lidar com esses muleques era; ele ia tentar pressioná-los a desistir, ele sorriu e disse: “- Eu tenho certeza que vocês são bons garotos ! Me dê essa tartaruga então que eu quero ela !” “Não, nóis num vai ti dá a tartaruga, tio, nóis que caço ela.”

O que você disse é verdade, disse Urashima, mas eu não estou pedindo ela de graça. Eu te darei um grana por ela – em outras palavras, meu Ojisan (tio) me deu uma dinheiro para comprar ela de vocês. Que que vocês acham? Ele mostrou o dinheiro, enrolado com um elástico. Olha garotada, vocês podem comprar o que quiserem com todo esse dinheiro, podem fazer muito mais dinheiro do que ficar perdendo tempo com essa pobre tartaruga. Viu como vocês são bons, só de pararem para ouvir.

Os meninos não eram tão maus assim, só eram arteiros, e assim que Urashima falou ele os conquistou com sua gentileza e sorriso, conquistou seus espíritos, como eles dizem no Japão. Pouco a pouco eles desistiram, e o cabeça do pequeno bando fez um sinal para afastarem-se da tartaruga. “-Beleza, tiozão, te daremos a tartaruga pela grana.” E Urashima pegou a tartaruga e deu o dinheiro aos meninos, que num embate pegaram a grana e sumiram de vista. Urashima desvirou a tartaruga, “Oh seu coitadinho, pobrecito ! Calma ae, aqui, olha, agora você tá seguro! Dizem que uma cegonha vive por mil anos, mas você tartaruguinha viverá por dez mil. Você tem mais tempo de vida do que qualquer criatura deste mundo, e você vive em constante perigo, quase encurtou sua vida por causa desses muleques levados. Por sorte, eu estava passando e salvei sua vida, sua vida ainda é sua. Agora vou te levar pra sua casa, para o mar, prá já. Não deixe te pegarem de novo, na próxima pode ser que eu não esteja lá para te acudir.

O gentil pescador falava e andava em direção à orla do mar, perto das pedras onde as ondas batiam, colocou a tartaruga dentro da água e viu o animal desaparecer, virou-se e decidiu que era hora dele ir para casa pois estava cansado e o sol estava se pondo.

Na manhã seguinte Urashima saiu com seu barco, como de costume. O clima estava ameno, o mar e o céu estavam ambos azuis com uma suave neblina fresca da briza de uma manhã de verão. Urashima entrou em seu barco e sonhando, adentrou no oceano, jogando sua rede como sempre. Ele logo, passou por diversos barcos de pescadores, deixou-os para trás até sumirem no horizonte, seu barco flutuava mais e mais longe para dentro da imensidão azul.

De algum jeito, ele sentia algo mágico, ele sentia uma alegria diferente esta manhã. Ele só desejava que como aquela tartaruga que ele tinha libertado no dia anterior, ele pudesse ter mais mil anos de vida ao invés deste curto espasmo de vida humana. De repente se alertou com um reverência clamando por seu nome:”-Urashima, Urashima!” Claro como um sino e suave como um vento de verão seu nome flutuou pelo oceano. Ele se levantou e olhou para todas as direções, pensando que algum dos outros barcos pudesse tê-lo alcançado, mas olhando fixamente na imensidão do mar, até aonde não se pode enxergar, não viu nada e percebeu que a voz não vinha de um ser humano.

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Assustado, e pensando quem ou o quê poderia estar lhe chamando, ele olhou novamente que quase nem percebeu uma tartaruga subindo em seu barco. Urashima viu-a com surpresa, pois era a mesma que ele tinha salvado um dia antes. “Seu Tartaruga, foi você que chamou pelo meu nome ? “A Tartaruga somente moveu a cabeça e disse: “- Sim, fui eu. O seu gesto de ontem foi honorável, salvou minha vida, eu voltei para lhe oferecer meus agradecimentos e lhe dizer quão grato estou pela sua bondade. Certeza, disse Urashima, muito gentil de sua parte. Eu lhe ofereceria um trago, mas como você é uma tartaruga duvido que você fume, e o pescador deu uma risada, duvidando de sua sanidade.”He-He-He-He !” riu a tartaruga, SAKÊ é a minha bebida favorita, mas eu não descarto um baseadinho. “Me arrependo muito de não ter Sakê do bom no meu barco, senão te ofereceria, vêm aqui prá sombra, sai do sol, sei que tartarugas gostam de se secar. Após o lento andar da tartaruga em direção a sombrinha, a tartaruga disse: “Você já viu Rin Gin, O Palácio do Rei Dragão do Mar?” O Pescador balançou sua cabeça e replicou; “Não, ano após ano, o mar tem sido minha casa, mas eu nunca ouvi falar sobre tal Reino do Rei Dragão no fundo do mar, nunca vi maravilhas tão grandes, deve ser muito bem escondido se é que existe!

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Bom se você não viu o Palácio do Rei Dragão, você está perdendo um dos mais maravilhosos lugares de todo o universo. Não é muito longe, é no fundo do oceano, mas se eu te levar lá, chegaremos bem rápido. Se você quiser, eu serei o seu guia. “Eu gostaria de ir, seria muito gentil se você me levar, mas você deve lembrar que eu sou só um pobre mortal, não tenho o poder de nadar no mar como criaturas como você. E antes que ele pudesse completar sua frase absurda, a tartaruga o interrompeu e disse sobe aqui no meu casco e eu te levarei, pronto ! Mas, mas… disse Urashima, como é que eu vou subir nesse seu casco tão pequenininho. Pode parecer um absurdo agora, mas eu te asseguro que rola. Somente suba e veja que não é tão impossível assim quanto você pensa. Enquanto Urashima se ajeitava, pensava e olhava para o casco, estranhamente ela crescia de em um tamanho tão grande que um homem facilmente poderia deitar em suas costas.

“-Isso é realmente estranho !”disse Urashima; “Bom Seu tartaruga, com vossa permissão vou subir em suas costas. Doikosho! (expressão usada por pessoas mais pobres, significa tudo certo ) exclamou e pulou.

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A Tartaruga com cara de nada, como se esse procedimento fosse super comum, disse: “Agora acabou a pausa, e com essas palavras pulou para o Mar com Urashima em suas costas. E lá eles foram mergulhando e afundando água abaixo. Por um tempo ele rodaram pelo Oceano. Urashima nem se sentiu sem ar, e nem suas roupas se molhavam na água. Depois de um longo tempo, após terem percorrido uma grande distância, um magnífico portão apareceu ,e atrás do portão, um longo declive que mostrava o teto de um palácio, ia surgindo no horizonte. “Uau!”, exclamou Urashima. “Isso é que é Portão de Palácio! Senhor Tartaruga, pode me dizer que lugar é esse ?”

Esse é o Grande Portão do Palácio de Rin Gin, o teto mais imenso que você vê atrás do portão é o Palácio do Rei do Mar ! Finalmente chegamos no Palácio, disse Urashima. Sim, é sério, cara ! respondeu a Tartaruga, e você não acha que chegamos rapidinho ?, enquanto falava a tartaruga abria um lado do portão, e aqui estamos, agora pode ir andando.

A tartaruga ia na frente. conversando com o  porteiro, e dizia, “-Esse é o Urashima Taro, veio do País que se chama Japão. Tenho a honra de trazê-lo para uma visita ao Reino. Por favor mostre-nos o caminho.” Então o porteiro, que era um peixe, começou a guiá-los.

O Dourado Vermelho, a Solha, o Linguado, O Molusco Choco, e todos os mais importantes vassalos do Rei Dragão do Mar vieram cortejar e reverenciar o estranho que chegava. “Urashima San, Urashima San, Urashima San ! Bem vindo ao Palácio do Mar, a casa do Rei Dragão do Mar. Três vezes te saudamos, você que veio de um país distante. E você, Senhor Tartaruga, nós estamos em débito pela coragem de trazer Urashima. Por favor nos siga!” então todos os peixes viraram seus guias.

Urashima, não sabia como se comportava, pois era um pobre pescador, o mais estranho, é que ele não se sentia envergonhado ou constragido, mas ele seguia calmamente seus gentis guias adentrando o palácio. Quando chegou no portal principal uma bela princesa e suas criadas vieram vê-lo. Ela era a mais bela moça do que qualquer outra que ele já tenha visto. Estava vestida com um quimono macio com ornamentos em vermelho e verde, no formato de uma onda, e fios de ouro que brilhavam através das dobras do vestido. Seu adorável cabelo negro que fluía até seus ombros, como cabelos que as filhas de Reis usavam a milhões de anos atrás, e quando ela falava o som de sua voz era como uma música debaixo d’água. Urashima se sentia perdido toda vez que olhava para ela, e não conseguia falar.

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Então lembrou-se que tinha que se curvar e reverenciá-la pois ela era uma Princesa, ela o pegou pela mão e o levou até o hall do palácio, onde tinha um belíssimo assento real, e ordenou-lhe que sentasse. “Urashima Taro, me de o maior prazer de recebê-lo no Reino de meu Pai”, disse a Princesa. “Ontem você salvou uma tartaruga. Agora você vêm aqui para morar para sempre na terra da eterna juventude, onde o verão nunca acaba e onde a tristeza nunca vem, e eu serei sua esposa e ficaremos juntos e felizes para sempre !” Urashima ouviu as doces palavras e fitava seus olhos brilhantes em seu rosto adorável e seu coração se enchia de grande alegria e prazer, então perguntou se ele não estaria sonhando:”Obrigado por suas belas palavras, não há nada mais messa vida que eu possa  desejar do que ficar aqui com você, nesta terra maravilhosa, não sei nem o que dizer, nunca vi um lugar tão maravilhoso como esse!”

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Enquanto falava, um cardume de peixes apareceu, todos vestidos com quimonos cerimoniais de antigos samurais. Um por um, silenciosamente com passos majestosos, eles entravam no hall, bandejas de coral rodavam no salão, iguarias de peixes e algas, que ninguém nunca sonhara no mundo real, e um espantoso banquete que começava a se formar diante do noivo e da noiva. O noivado começava a ser celebrado imediatamente, no Reino do Mar havia muito regozijo e esplendor.

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Tão logo o jovem casal tinha feito seus votos, com uma taça de vinho, três vezes três brindes, a música começava a tocar, começavam a cantar, e peixes com escamas douradas e rabos de ouro entravam para dançar. Urashima não sabia o que fazer, seu coração estava a mil, nunca em sua vida ele tinha sonhado com tal banquete maravilho, e ainda mais em seu noivado.

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Quando o banquete estava quase para acabar, a Princesa perguntou a seu noivo se ele gostaria de conhecer o palácio. Claro, o pescador muito contente, seguiu sua noiva, a filha do Rei do Mar, ela lhe mostrava todas as maravilhas desta terra encantada, aonde a juventude era eterna e a alegria contaminava a todos, nem o tempo nem a idade os tocava. O palácio era coberto de corais e adornado com pérolas, as maravilhas do lugar eram tantas que faltam palavras na língua para descrever.

Mas, para Urashima, mais maravilhoso que o palácio, era o jardim que o cercava. Conseguia-se ver a ação das quatro estações do ano diferentes, verão, inverno, primavera e outono, todos aconteciam ao mesmo tempo.

Quando olhava para o Leste, via ameixeiras e cerejeiras em flor, os rouxinóis cantavam em avenidas cobertas de pétalas rosas, e as borboletas iam de flor em flor. Olhava para o Sul e todas as árvores estavam verdes com aquela abundância do verão, de dia a cigarra e e de noite o grilo cricrilavam bem alto. Olhando para o Oeste, o outono com folhas bordô como um carvalho silvestre queimavam como um céu em por do sol, e os crisântemos atingiam perfeição. Olhando para o Norte, Urashima começou pelo chão que era neve branca prateada, e as árvores e bambus também cobertos de neve se encostavam congelante num lago feito de gelo denso.

E a cada dia, novas alegrias e novas maravilhas, iam sendo apresentadas para Urashima, e de tanta alegria que vivia, ele ia se esquecendo de tudo, da casa que ele tinha deixado para trás, dos seus pais, no seu país, e três dias se passaram, sem nem mesmo ele lembrar o que ele tinha deixado para trás. Então em sua mente, lhe veio uma lembrança, e ele percebeu que ele não pertencia a esta maravilhosa terra ou ao Palácio do Rei do Mar, “Ai, ai caramba, eu acho que eu não sou daqui, marinheiro só, eu tenho um velho pai e uma mãe em casa. O que deve ter acontecido? Eles devem ter enlouquecido nestes dias em que eu não voltei para casa. Eu tenho que voltar, os dias não podem continuar passando, e já se preparava para sua jornada de volta. Virou-se para sua linda esposa, a Princesa, inclinando a cabeça com respeito disse: “Eu sou muito feliz ao seu lado por tanto tempo, Otohime Sama (era o nome dela), e você sempre foi o amor mais gentil da minha vida, e eu não sei como expressar-me com palavras. Mas eu preciso ir, preciso visitar meus velhos. Então a Princesa Otohime começou a lacrimejar e disse suavemente de maneira bem triste: “Porque esta pressa Urashima? Você não está bem aqui e por isso quer me abandonar logo!” Urashima lembrou-se de seus pais, do seu trabalho no Japão, da responsabilidade para com seus os pais, no Japão isso é um laço muito importante, o de cuidar dos mais velhos, muito mais do que os prazeres do amor, e ele precisava ir e disse: “Eu devo ir. Não pense que quero te abandonar, não é isso. Eu só quero ver meus velhos pais. Deixe-me ir somente por um dia e eu voltarei para você, meu amor.”

Então, disse a Princesa entristecida, não há nada que eu possa fazer. Lhe enviarei hoje para você ver seu pai e mãe, e ao invés de impêdi-lo, vou lhe dar este símbolo de nosso amor – por favor leve com você; e ela lhe trouxe uma caixinha envernizada amarrada com um cordão de seda de franjinhas vermelhas. Com remorso, Urashima pegou o presente: “Eu não tenho presente nenhum para você se lembrar de mim, não sei se devo aceitar mais presentes, depois de tantas alegrias que passamos juntos, se é seu desejo eu levarei a caixinha, mas me diga o que é esta caixa?”

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Isso, respondeu a Princesa, é o Tamate-Bako (玉手-箱 – Caixa de Jóias da Mão), e contêm algo extremamente precioso. Você não deve abrir esta caixa, o que quer que aconteça ! Se você abrir isso algo muito terrível irá acontecer ! Agora prometa-me que não abrirá! Urashima prometeu e em um comando de adeus beijou sua amada Otohime Sama e foi em direção aos Portões do Palácio, a Princesa e os serventes o seguiram e lá ele encontrou o velho Sr. Tartaruga o esperando.

Já experiente, montou nas costas da criatura e foi carregado através do iluminado oceano para o Leste. Ele olhava para trás e via sua amada balançando sua mão até que ele não conseguia mais vê-la, não via mais a terra do Rei do Mar, nem os telhados do palácio. Quando virou seu rosto, já estava quase em terra e via novamente os montes cobertos por nuvens e um céu azul que se formavam no horizonte diante dele. A tartaruga o carregou até a baía, e depois até a praia que uma vez ele tinha saído. Ele pisou na areia e olhou para a Tartaruga que já voltava para o Reino do Mar. Logo um estranho medo agarrou Urashima enquanto ele, parado olhava ao seu redor. Ele olhava para as pessoas que estavam na praia naquele momento, e elas também olhavam para ele. O mar era o mesmo e os montes também, mas as pessoas que ele via, eram bem diferentes do que as que ele conhecia.

Confuso, ele caminhava em direção a sua antiga casa. As coisas diferentes, mesmo assim ele reconheceu sua casa e ali ele chamou Papai, eu voltei ! E estava prestes a entrar,  quando viu um homem estranho se aproximando. “Talvez meus pais tenham se mudado enquanto eu estive fora, ou quem sabe tenham ido a algum lugar. “Me desculpe”, disse para o homem que o encarava,”Eu vivia nessa casa a alguns dias atrás. Meu nome é Urashima Taro. Onde estão meus pais, eu parti há muito tempo para uma viagem.”O homem desnorteado e com uma expressão de dúvida, ainda mirando para a cara de Urashima, disse: “O que ? Você é o Urashima Taro?”

Sim, eu sou o Urashima Taro, disse o pescador.

Ha, ha, ha! Riu o homem, não faça piadas, homem. Eu sei que antigamente vivia aqui nesta vila um homem que se chamava Urashima Taro, mas isso é uma história de 300 anos atrás. Ele possivelmente não poderia estar vivo hoje!

Quando Urashima ouviu essas palavras, ele ficou aterrorizado, e disse, “Por favor, senhor não brinque comigo, eu estou perplexo e chocado, eu sou realmente Urashima Taro, e certamente não tenho 300 anos. Fiquei no máximo uns quatro ou cinco dias fora, e eu vivia aqui nesta casa. Me diga o que você sabe, por favor !”

Mas a expressão do homem ficava mais e mais séria, disse: “Você pode ser ou não ser o Urashima Taro, isso eu não sei. Mas o Urashima Taro de que eu ouvi falar é um homem que viveu aqui a 300 anos atrás. Talvez você seja seu espírito vindo revisitar sua antiga casa. “Você tá me tirando tio ! Não me zoa assim não, não sou espírito ! Sou um homem vivo – você não vê meus pés; ele pisou no chão deixando marcas de suas sandálias e mostrou ao homem. (Alguns fantasmas japoneses não tinham pés)

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Viagem no tempo, de Rip Van Winkle, Doc. Brown, Rick n Morty, A máquina do tempo, Dr. Who, 300 anos atrás, days of future past

Mas Urashima Taro viveu a 300 anos atrás, isso é tudo que eu sei, existem escrituras de crônicas que falam sobre isso. Urashima, perdido e desnorteado, e diante dos fatos, se lembrou que tudo era diferente, um sentimento terrível tomou conta de seu corpo de que talvez o homem estivesse falando a verdade. Ele se sentia num sonho ruim e os poucos dias que ele viveu no Palácio do Mar, não tinham sido dias, mas tinham sido centenas de anos, e nesse período, seus pais já haviam falecido e todas as pessoas que ele tinha conhecido eram história. Não havia sentido ficar ali. Ele precisava voltar para sua linda esposa no fundo do mar. Num ímpeto, correu de volta para a praia, carregando em seu braço a caixinha que sua esposa havia lhe dado. Mas como ele chegaria lá sozinho, e olhou para a caixa, O Tamate-Bako.

Sua Princesa lhe disse para nunca abrir a caixa – que continha algo muito precioso. Mas agora ele não tinha casa, e não tinha nada a perder, pois havia perdido tudo, estava desesperado e sentia saudade de sua amada. Se eu abrir a caixa, com certeza encontrarei algo que me ajudará a voltar para minha linda Princesa do Mar. Não há mais nada a fazer. Sim, vou abrir a caixa!

E seu coração disparado consentia os atos do cérebro, em desobediência, ele não sabia se quebrar sua promessa seria a solução. Lentamente, muito devagar, ele desamarrou o cordão de seda, e maravilhado levantou a tampa da preciosa caixa. E o que ele encontrou, uma linda nuvem roxa que elevou-se da caixa e três ninfas voaram e por um instante, cobriram seu rosto e o envolveram , o flutuaram para o alto como um vapor  sobre o oceano. Urashima, que até aquele momento tinha se mantido forte, bonito e jovem de 24 anos, de repente tornou-se muito, muito velho. Suas costas dobraram com a idade, seu cabelo se tornou branco como neve, sua face enrugou e ele caiu morto na praia.

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Pobre Urashima ! Por causa de sua desobediência ele não iria mais retornar ao Reino do Mar para os braços de sua linda Princesa. Então pequeninos, não desobedeçam aqueles mais sábios do que você, a desconfiança é o começo de miséria e tristezas na vida.

História triste, já diria o guardião da cripta.

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fazendo o post do ti pra ti deu pra ti – Tiago Abreu Litvin pro ti pra ti pra Ju e Viola, e pra violeta, q está em movimento – nascendo – vivendo – birth of a myth  – tropicopicolando a msg dele prele seus pros seus e pros meus pronomes demonstrativos possessivos yo Jake ma dawg The Dad! I’m a Ninja, Dawg !

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Aproveito para citar Violeta Parra – Cantora camponesa folklore Chilena maravilhosa. Ver filme Violeta Fue al Cielo (2011), que mostra a saga dessa cantora.

Leonardo o protetor, a espada protetora, protetora de Violeta, cabeça precisa concentrar, coisas acontecendo eu tendo que estudar língua portuguesa 1, para prova e tentar não beber…tentar como o ti no post anterior, preparando o terreno pra começar a discutir a VIDA de uma perspectiva neomitosóficA.

Todos abrigamos nas entranhas os panteões que um dia devorarão nossa carne.

Somos todos Pais.
Bebês com cabeças de animais


Vim de lá, vim da praça mistério da raça
Cachaça pra se beber … se beber

Qualquer um, no enredo da graça
Nos somos cachaça pra se beber … se beber

Lá do sul, eu frequento Ipanema

Sistema, cachaça pra se beber … se beber

No sonho dos meus sonhos

Quando eu sonho o mundo está pra se acabar
No fato, no relato, quando eu faço

O mundo está pra se acabar

Mas quem não pisa na terra não sente o chão
Luz é vida, pulsação
mistério da raça – luiz melodia e banda black in rio

“O pé sente o pé quando pisa o chão” Buda

A segunda tradução que fiz é de meu inseparável, Lafcadio Hearn:

Trecho da estória

Em Yokohama de Lafcadio Hearn do livro Fora do Leste (Out of The East-1895)

‘ Mas o livro que ele trabalha’ disse meu intérprete estudante, é bastante esquisito. Suas estóriás nunca serão publicadas; é cheio de estórias impossíveis – milagres e contos de fadas.’
(Eu pensei que eu iria gostar de ler estas estórias)
‘Para alguém que conseguiu viver até tal idade, ‘ eu disse, ‘você parece muito forte.”
“São sinais de que eu vou viver só por mais alguns anos,’replicou o velho, ‘embora eu desejasse viver só o suficiente para terminar a minha história. Então, como estou debilitado e não consigo me mover, eu queria morrer para conseguir um corpo novo. Eu suponho que eu tenha  cometido algum erro em minha vida passada, para ser aleijado como sou. Mas eu estou grato em sentir que estou me aproximando da Orla.”
‘Ele queria dizer a Orla do Mar da Morte e do Nascimento,’disse meu intérprete. “O barco com o qual atravessamos, você sabe, é o Barco da Boa Virtude; e a Orla mais distante é o Nehan – Nirvana.”
“São todas as nossas fraquezas e infortúnios corporais; eu perguntei, ‘o resultado de erros cometidos em outras vidas?’
‘Isso é o que nós somos,’ o velho respondeu, ‘a consequência disto que é o que nós nos tornamos. Nós dizemos no Japão as consequências de: Mango e Ingo – as duas classes de ações.’
‘Bem e Mau ? eu inquiri.
‘O Maior e o Menor. Não existem ações perfeitas. Cada ato contêm ambos, méritos e deméritos, tal como até a melhor pintura tem defeitos e qualidades. Mas a quantia de bom em cada ação excede a quantidade de mau, assim como em boas pinturas os méritos sobrepõem as falhas, e aí o resultado é o progresso. E gradualmente por tal progresso todas malemolências são eliminadas.’ “Sem Malemolência turbulência infernal”

Prazer…
Sou mais um filho, nova fonte de prazer
De cara aberta pra apanhar e pra bater
Olhando em volta até o fim…

Falem mau mas falem de mim.
‘Mas como,’eu perguntei, ‘pode o resultado das ações afetar as condições físicas? A criança segue o caminho de seus pais, herda suas forças e suas fraquezas; mas ainda não é deles que ela recebe sua alma.’
‘A cadeia das causas e efeitos não é fácil de ser explicada com poucas palavras. Para entender tudo você deve estudar o Dai-jo ou o Veículo Maior; e também o Sho-jo, o Veículo Menor. Lá você compreenderá que o mundo existe por si só por causa dos atos. Até mesmo um simples aprendizado como escrever, primeiro se escreve com grande dificuldade, mas depois de um tempo nos tornamos habilidosos, escrevemos sem grandes esforços, a tendência dos atos repetidos é continuamente uma forma de hábito. E tais tendências persistem até além desta vida.’…
…Vida – vida como unidade, incriada, sem começo, a qual conhecemos nas sombras luminosas; vida eternamente rivalizando contra a morte, e sempre conquistada e sempre sobrevivendo – o que é isso? – Por que é assim? Uma miríade de vezes o universo é dissipado – uma miríade de vezes de novo evolui; e a mesma vida desaparece e em cada desaparecimento, somente para reaparecer em um outro ciclo. O Cosmos se torna uma Nebula, a Nebula um Cosmos: eternamente os enxames de sóis e mundos nascem; eternamente eles morrem. Mas depois de cada integração gigantesca as esferas flamejantes esfriam e aprimoram a vida; e a vida aprimora dentro do Pensamento.

(O meu pensamento tem a cor de seu vestido. Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?)

O fantasma de cada um de nós deve ter passado através da queimada de milhões de sóis – deve sobreviver por horríveis desaparecimentos em incontáveis universos futuros. Pode a Memória de algum jeito, em algum lugar também sobreviver? Estamos certos de algum jeito ou de alguma forma irreconhecíveis, uma visão infinita – recordações do Futuro no Passado? Possivelmente na Noite-sem-Fim, tão profunda quanto o Nirvana, sonhos de todos estes tipos existem, e tudo que poderá ser, está sendo perpetuamente sonhado.

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Como eu superei – Intervenção chatistíca de Tiago Abreu:

  1. Tiago Abreu

    “pela quebrada onde a gente vai crescendo/ primeiro ensinam “to pouco me fudendo”/ esse tipo de pensamento te leva a nenhum lugar/ alguém tem q se importar”

  2. Tiago Abreu

    21/08/2015 07:04

     Tiago Abreu

    e o da laurin everything is everything, tive essa pira do mundo vinil com aquele mito hindo/chines da tartaruga que carrega o mundo nas costas..e o leo tem esse complexo de atlas.. carregar a responsabilidade no casco e tal o darma do samurai mesmo sendo ninja fiquei pensando nisso ontem na volta pra casa e hj to revendo o clipe da lauryn com a letra em mãos. de chorar:

    Everything is everything/ What is meant to be, will be/ After winter, must come spring/ Change, it comes eventually/
    I wrote these words for everyone/ Who struggles in their youth/ Who won’t accept deception/ Instead of what is truth
    It seems we lose the game/ Before we even start to play/ Who made these rules? We’re so confused/ Easily led astray/ Let me tell ya that/ Everything is everything/ Everything is everything
    After winter, must come spring/ Everything is everything
    I philosophy/ Possibly speak tongues/ Beat drum, Abyssinian, street Baptist/ Rap this in fine linen/ From the beginning
    My practice extending across the atlas/ I begat this/ Flippin’ in the ghetto on a dirty mattress/ You can’t match this rapper / actress/ More powerful than two Cleopatras/ Bomb graffiti on the tomb of Nefertiti/ MCs ain’t ready to take it to the Serengeti/ My rhymes is heavy like the mind of Sister Betty/ L. Boogie spars with stars and constellations
    Then came down for a little conversation/ Adjacent to the king, fear no human being/ Roll with cherubims to Nassau Coliseum/ Now hear this mixture/ Where hip hop meets scripture/ Develop a negative into a positive picture

    Ao pedido, traduzo esta estória sobre a criação do mundo e da tartaruga que carrega o mundo nas costas, e Tudo faz parte de tudo, tudo está relacionado, toda a criação é um pacote, por isso Tudo é tudo. Lenda Wyandott dos nativo-americanos do Norte. Retirado do livro “Mitos e Lendas da América do Norte Britânica”, de Katharine B. Judson (1917).

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    As pessoas antigamente viviam acima dos Céus. Eles eram os Wyandotts. Um dia o Xamã disse a seu povo que cavasse em volta das raízes da Grande Maçanzeira que crescia perto da cabana do chefe e assim os índios começaram. A filha do chefe estava ali por perto encostada. Logo que os homens começaram a cavar, um barulho os alertou. Eles deram um pulo. Eles tinham quebrado através do chão do Reino dos Céus, e o chefe e sua filha caíram lá dentro. O mundo lá embaixo era cheio de água, não tinha terra em lugar nenhum. Alguns gansos nadando ouviram o estrondo de um trovão. Foi o primeiro trovão ouvido neste mundo. Quando eles olharam para cima, viram a árvore e a estranha menina caindo do Reino dos Céus. Um deles disse: “Que diabo é aquilo caindo?” E adicionou, “A água não vai segurar ela. Vamos ali nadando e deixar ela cair nas nossas costas.” Então a menina caiu ali e ali desmaiou.

    Depois de um tempo, um ganso disse: “Vamos perguntar para a Grande Tartaruga. Vamos chamar o síndico. Ele provavelmente vai convocar um conselho de condôminos e saberá o que fazer.”

    Então eles voaram e perguntaram para Grande tartaruga o que fazer com a moça de suas costas. A Grande Tartaruga de imediato convocou um Delivery Bwoy com um mocassin (aquele tipo de tecido que os índios norte-americanos usam) escrito com uma convocação geral para todos os animais. O conselho então conversou. Alguém levantou e perguntou sobre a árvore. Talvez que alguns mergulhadores pudessem recolher uma amostra de terra de suas raízes, e que procurassem onde ela tinha afundado. A Grande Tartaruga disse: “Quem sabe com um pouco de terra, poderemos fazer uma ilha para esta menina.” Então os gansos levaram todo mundo para onde a árvore tinha caído.

    A Grande Tartaruga chamou pelos mergulhadores. Primeiro foi o Lontra o melhor de todos. Ele afundou na água e depois de um tempo apareceu engasgando e morreu. Depois veio o Rato Almiscarado, e lá foi ele afundando, e voltando morto em seguida. Depois veio o Castor que também não teve sucesso e muitos outros tentaram sem sucesso.

    A Grande Tartaruga ainda insistiu, “Quem vai buscar um pouquinho de terra ali embaixo d’água ?”Ninguém apareceu, até que veio o Velho Sapo Pemba, que disse que tentaria. Os animais riram, O Velho Sapo era feio e muito pequeno. Grande Tartaruga olhou em volta e disse: “Bem, você p0de tentar.”

    E lá prá baixo foi o Velho Sapo, ninguém conseguia ver direito, mas lá ia ele. Então eles esperaram ele voltar. Eles esperaram, e esperaram e esperaram. E começaram a dizer: “Ele não vai voltar.” Mas, então, viram uma pequena bolha se formando e estourando na água. A Grande Tartaruga disse: “Vamos nadar até ali. É ali que ele vai subir.” Pronto. Lá vinha o Senhor Sapo Pemba Subindo para Superfície para próximo do Grande Tarta. Abriu a patinha e jogou alguns grãos de terra que caíram no casco do Tartarugão. Mas o pobre Sapinho estava acabado.

    O Pequeno Tartaruga começou a esfregar a terra na concha do Grande Tartaruga. Então começou a crescer como o tamanho de uma ilha. Todos os animais ficaram olhando enquanto crescia e crescia. Então a ilha ficou do tamanho certo para que a moça vivesse nela. Então a moça subiu na ilha. E a ilha cresceu tão larga e tão grande, por isso que é do tamanho que o mundo é hoje.

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    Quando aconteceu o grande terremoto que dividiu o mundo, foi porque o Grande Tartaruga moveu seu pé. Algumas vezes ele fica cansado de ficar na mesma posição o tempo todo.

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Se Nascemorre Morrenasce. Este post é sobre o nascimento e sobre a morte também, nascimento de um mito, de uma filha, de um irmão querido e despedida de um irmão querido que vai  para outro plano. No nasce e morre de Haroldo, danni e o novo bebe que vem diz que vem diz que vai e diz que Deus dará -let the children play, para rimar. Lembrando que os Doors também deixam o menino brincar. Deixa as criança brinca.

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Danniel Costa, samurai, amigo que fez a passagem dia 22 de Maio a uma nova aurora, o “Dandy do Dendê”, também não foi esquecido aqui, e a banda que tocava Baixo, Bombay Groove:

e la nave va a vida segue o barco segue

heiwa bushi de nokori

平和 武士 で 残り

Rest in peace samurai

pra um grande amigo que fez a transição o shangri love por favor não fique triste

No filme E La Nave Va (1983),  de Fellini, vemos a analogia da vida e da morte, do nascimento e da partida para o grande oceano do pós-vida, na cena em que o Duque alemão discute com o jornalista italiano, percebi uma questão quanto a discussão que eles tem, se é a boca ou a orla de um vulcão, na realidade, ele está querendo dizer que estamos todos sentados na boca de uma montanha, na boca de um vulcão, o diálogo segue assim:

Orlando: Pum pum? A boca da Montanha? Mas é a boca de um vulcão. Nós estamos sentados na boca de um vulcão. Agora eu entendo a metáfoda! Uma Tragédia.

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Entre a guerra e a paz de Tolstói, e a Arte da Guerrra de Sun Tzu, entre a cruz e a espada de Hanna Arendt, está a honra inalcançável. No espisódio Vision Quest, vemos na bandeira das Tartarugas os Kanjis, “Fu Rin Ka Zan”, respectivamente Vento, Floresta, Fogo e Montanha. Como dito em posts anteriores. Você medita e se aprimora como ser humano, se adapta, sofre e apanha da vida, como tudo de uma guerra, em uma outra estória da Mirage. Dessa vez adaptada pelo novo desenho de 2012, Leo toma uma surra do Clã do Pé e os capangas do Destruidor, para logo em seguida ser arremessado pela janela do apartamento de April.  Muitos referências foram mantidas pelo desenho novo, inspirados nitidamente pelos quadrinhos clássicos.

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Leo é o vento, seu Kanji é “Fu” (風) ou Ku- 無 (Vórtice). A espada leve como o vento, giratória como um vórtice.  “Seja rápido como o vento” Pensamento rápido e longe. Leo é o detetive que instiga e investiga, é o irmãozão com a lupa, lente de aumento, tentando ajudar os outros ao seu redor através da verdade.

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Como dito em um post anterior, a relação dos ventos e dos raios, e dos relâmpagos, que formam o ciclo das nuvens no céu.  O tigre que evoca as nuvens, que evocam o sol, o sol que evoca o dragão que evoca os raios, que novamente evocam as nuvens.

https://neomitosofia.wordpress.com/2009/12/30/tora-no-o-wo-fumu-otokotashi/

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Nota para recomendar assistir a série Bored to Death (2009-2011), fala sobre um escritor noir que entra no ramo de investigações, através dessa vida dupla aprende como são os antigos métodos dos romances  de detetives. Com Jason Schwartzman, Zach Galifianakis e Ted Danson, aquele dos solteirões e 1 bebê.

a espiritualidade do pai, do ensinador, do teacher , escolhas de religião, escolhas de caminhos, escola de detetive

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Se o vento fraco derruba os fracos…o que será dos ventos fortes.

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Com a espada empunhada, é preciso observar os movimentos, todos os movimentos, ela desliza como uma faca na manteiga. Bem afiada, a espada, e ele é tão fofo, desvia-se de balas, a espada sente as vibrações dos tiros, dos movimentos, a espada faz parte de seu corpo, um membro que decepa. Magnético sabre de luz, tão rápido quanto o vento, assiste, enquanto a espada luta, e você dança, as lágrimas, você também sente as gotas através da lâmina afiada, que de tão fina deixa as sensações à flor da pele. Como se estivesse assistindo os detetives , mickey, pateta e donald, trabalhando em seus escritórios. Você nãos se move, mas a espada, ah! A espada desliza suavemente sob as clavículas.

A espada, KATANA (刀), a espada é o guia espiritual, ela está conectada com o mundo dos mortos. Ela está conectada com a Orla do Mar do Além vida, como visto no conto acima.

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Ao mesmo tempo em que ela é a luz que combate os monstros, relembrando a espada de São Jorge, das fábulas, a brasileira, a inglesa, a americana, mundial, aquele que na lua derrotou o dragão, a espada que matou os monstros, que derrotou os tremores. Invoco um protetor também de aruanda, com sua espada e seu cavalo.

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Leo recentemente conseguiu aprender um poder de cura com o Mestre Splinter, através das Mãos estilo heiki fazendo um contraponto até mesmo com seus arqui-inimigos, o Clã do Pé de destruidor Shredder. As mãos da Princesa do Mar balançando em adeus, a mão no revólver não é a mão que cura. Agora vai. Então põe fé que já é, a energia que emana de você, luz é vida, é pulsação.

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Esta imagem vem de um anime que chama, Serial Experiments Lain (1998) anime japones, fala sobre uma garota chamada Lain que começa a vivenciar fenômenos estranhos interconectados através de um reino virtual chamado “The Wired” – segue um diálogo que traduzi do inglês:

Lain Iwakura: [engasgo]
Miho Iwakura: Na verdade, The wired, é uma camada superior altamente avançada do mundo real. Em outras palavras, a realidade física não é nada menos que uma ilusão, um holograma da informação que flue através do The Wired.
Lain Iwakura: Mas ma…
Miho Iwakura: Isso porque o corpo, o movimento físico, a atividade cerebral humana ‘meramente um fenômeno físico, simplesmente causado pelas sinapses distribuindo impulsos elétricos.
Lain Iwakura: Mas mãm, eu…
Miho Iwakura: O corpo físico existe num plano menos evoluído somente para comprovar a existência de alguém no universo.
Lain Iwakura: Você está realmente certa disso, mamãe?
Miho Iwakura: [desaparece]
Lain Iwakura: Você está?

 

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Por fim estes conflitos, a religião e a guerra que retarda a humanidade. Que divide e que segrega, sejamos livres para fazermos nossas escolhas. Melhor manter suas orelhas bem abertas e sua boca bem fechada. Aprender o que os outros tem  para ensinar e falar menos besteira. É assim que age o samurai e mantêm sua honra.

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paul newman dennis hopper gun n roses rosas e flores guerra civil
What we’ve got here is failure to communicate. Some men you just can’t reach. So you get what we had here last week, which is the way he wants it. Well, he gets it. I don’t like it any more than you men.
enquanto a guerra alimenta os ricos, enterra os pobres
seu poder esfomeado vende soldados frescos
nas mercearias dos chineses e indians
não quero a babaquice dessa guerra coxinha contra comunas
“WE PRACTICE SELECTIVE ANNIHILATION OF MAYORS AND GOVERNMENT OFFICIALS
FOR EXAMPLE TO CREATE A VACUUM
THEN WE FILL THAT VACUUM
AS POPULAR WAR ADVANCES
PEACE IS CLOSER”

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A Tartaruga Dragão Chinesa (龙龟) combina traços de 2 animais celestiais da mitologia chinesa : o corpo de uma tartaruga com cabeça de dragão. No Feng Shui ele traz coragem, determinação, fertilidade, longevidade, poder, sucesso e apoio. Segue mais uma tradução minha, ufa, está no fim. Fazendo aquela média clássica entre a Lei de Murphy (Z-Nation, o Zombie Murphy Messias Telepático) e a teoria do caos. Professor Reggiz mais caótico do que nunca, disia professa reggiz, teachin’fi di fya. Dessa vez um clássico complexo, de Lewis Carroll de 1895, retirado do jornal filosófico chamado Mind, sobre o paradoxo de Aquiles e a Tartaruga:

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Trecho do texto “O que a Tartaruga disse para Aquiles” tradução: Régis Y.

“A maravilhosa Primeira Proposição de Euclides!” murmurou sonhando o Tartaruga. “Você admira Euclides?”

“Apaixonadamente! Tanto, que por menos eu sou capaz de admirar um tratado que só será publicado somente há alguns séculos no futuro!”

“Bem, agora, vamos argumentar mais um pouco sobre essa Primeira Preposição – que tem somente dois passos, e a conclusão se desenhará. Gentilmente escreva no seu caderno. E para referir a eles de forma conveniente, vamos chamá-los de A, B e Z:-

(A) Coisas que são iguais as mesmas, são iguais uma a outra

(B) Os dois lados desse Triangulo são coisas que são iguais as mesmas

(Z) Os dois lados desse Triangulo são iguais um ao outro

“Leitores de Euclides irão garantir, eu suponho, que Z segue logicamente A e B, então qualquer um que aceite A e B como verdadeiro, deve aceitar Z como verdadeiro?”
“Indubitavelmente! Uma criancinha numa escola – tão logo que as escolas serão inventadas, que será somente a alguns dois milhões de anos futuro -garantirão isso.”
“E se tal leitor não aceitar A e B como verdadeiro, ele talvez aceite a sequencia como válida, eu suponho?”

“Sem dúvida que tal leitor possa existir. Ele talvez diga ‘Eu aceito como verdadeira a Proposição Hipotética que, se A e B são verdadeiros,Z têm que ser verdade; mas eu não aceito A e B como verdade.’Tal leitor sabiamente deveria abandonar Euclides, e optar pelo futebol.”

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O paradoxo de Zeno, é esse em que Aquiles e a Tartaruga apostam uma corrida. Aquiles nunca passa a tartaruga, quando ele chegar à posição inicial A que está a tartaruga, esta  estará mais a frente, na posição B. Quando Aquiles chegar a B, a tartaruga não estará mais lá, pois avançou para uma nova posição C, e assim sucessivamente, infinitamente, ad infinitum. “Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar.”  Aquiles virtualmente alcança a tartaruga, mas não importa quanto tempo se passe, Aquiles nunca ultrapassará a tartaruga. Um paradoxo causado pelo referencial, Aquiles é submetido ao espaço e ao movimento da tartaruga. Isso remete à mecânica quântica e ao Princípio da Incerteza formulado por Heisenberg (1927) – “Say my name!” Princípio que dita que quão maior a certeza da localização de uma partícula, menor a certeza de seu momento, isso só acontece devido a um observador fora do sistema físico. Toda vez que se dá um passo o mundo sai do lugar.

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O samurai se recolhe em sua concha com vergonha do mundo a sua volta. Novamente no filme E La Nave Va, quando o navio com italianos da mais alta estirpe, resgata Sérvios fugidos da guerra contra a Áustria durante a Primeira Guerra, isso nos faz pensar na situação atual da Itália. A Europa de hoje, dias de imigrantes naufragando, perdendo a vida no mar, o mar vermelho de sangue, profecias de Nostradamus,  acontecimentos de nível bíblico. Tentando chegar as costas Européias, crianças perdem suas vidas. Sem heróis para nos salvar, e sem montanhas para ocupar. Junkies in the alley with a baseball bat.I tried to get away but I couldn’t get far. Cause a man with a tow truck repossessed my car.

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Felix Bush: É engraçado o que acontece às vezes, quando acontecem coisas ruins. É como se o relógio parasse…e tivéssemos o tempo todo do mundo para pensar.

Felix Bush: Existem milhões de coisas que você não sabe. Tipo sabe o que? Sonho de cachorros. Você pode inventar qualquer estória sobre ele ,tipo que ele está perseguindo coelhos. Mas você não sabe se vai ter coelhos ali ou não. E ele também não pode te dizer isso, não é ? As pessoas não dizem o que elas realmente querem dizer, então nós conhecemos as pessoas tanto quanto conhecemos esses sonhos de cachorro.

Diálogos retirados do filme Get Low – Segredos de um Funeral (2009), com Bill Murray e Robert Duvall.

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Coelhos pulam e vivem por 8 anos. Cachorros andam e vivem por 15 anos. Tartarugas não fazem nada e vivem por 150 anos. Lição aprendida.

They’ve been spending most their lives
Living in a pastime paradise
They’ve been spending most their lives
Living in a pastime paradise
They’ve been wasting most their lives
Glorifying days long gone behind
They’ve been wasting most their days
In remembrance of ignorance oldest praise
Tell me who of them will come to be
How many of them are you and me

Dissipation
Race Relations
Consolation
Segregation
Dispensation
Isolation
Exploitation
Mutilation
Mutations
Miscreation
Confirmation…….to the evils of the world

Deus manda logo seus zumbis heróis, a vida anda por um triz, não foi do jeito que eu quis…

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