Estudo em Imaginário Marron by PLAUNS

Estava evitando escrever sobre o assunto, por acreditar que seria perigoso expor minha opinião política no momento. Mas com a publicação de Tiago Abreu e Régis Yasuoka no NMS, senti que talvez poderia contribuir. Por isso vamos lá!

Obedecer é mais fácil do que pensar e agir de maneira honesta e sincera. Por isso muitos preferem se manter ignorantes e simplesmente escolher “o lado” das pessoas com as quais se identifica mais, sem realmente refletir sobre a escolha; muitas vezes defendendo algo que não entende, ou mesmo não acredita 100%. Isso é abrir mão da própria autoridade/alteridade, é autorizar outro a atuar por você, é deixar de ser o autor de sua própria vida. O problema não está na autoridade, mas sim no poder dado à ela.

Pior que a preguiça física é a preguiça mental, que muitas vezes faz as pessoas seguirem pela religião, política, tribo, por simples aproximação, sem criticar sua escolha, acreditando e confiando na representatividade que a autoridade terá, na TOTALIDADE do discurso. Como muito bem colocado pelo Tiago Abreu e pelo Régis Yasuoka: “…A constituição das massas não liga pra pormenores da diversidade cultural. Não importa as idiossincrasias entre anarquistas, socialistas, comunistas e suas variações… Pra formação do discurso opressor, toda diversidade deve ser suprimida. Todo companheirismo deve ser viciado, contaminado pela desconfiança própria do sistema vigente de dominação.”.

A diversidade cultural, religiosa, política, biológica, química, está cada vez mais em falta; e como causa/consequência a intolerância (preconceito) está cada vez mais em alta em todos os âmbitos (cultural, religioso, político…) ; inclusive com uma certa doze de orgulho pela agressividade resultante destas intolerâncias.

O que mais me assusta em toda essa situação é o fato de que a maioria dos inflamados (pretensos salvadores da pátria, ou da democracia), realmente acreditam que a diversidade é boa, mas mesmo assim “lutam” (agridem, brigam, quebram laços, insultam e violentam) por uma sociedade menos diversa e mais homogênea.

Quando você abraça uma bandeira, invariavelmente você está recusando outra, muitas vezes por causa de uma intolerância cega, que não quer enxergar os pontos negativos de sua própria bandeira (e sempre têm) e os pontos positivos da bandeira supostamente oposta (que também sempre têm); “Onde o paradigma diferente torna-se uma ameaça só por ser diferente.” (NMS).

E pior que isso normalmente confiando na pessoa que levantou a bandeira primeiro e confiando no discurso que acompanha, com uma preguiça mental tamanha que a ignorância é quase sempre a motivação da intolerância. Nas palavras de Tiago e Régis “Todo poder ao povo. Isso assusta o povinho que tem poder, num sabe? O poder, quando concentrado, acumulado nas mesmas mãos, corrompe, como disse o frederico, o poder superconcentrado é origem do mal… Saber se posicionar e dar sua opinião própria, não é torcer, é se alfabetizar de novo. Existe uma mídia controladora de opinião, que não divulga os fatos verdadeiros, mas que incentivará e estimulará a todo custo uma forma binária de interpretar os acontecimentos. O tal livre arbítrio que nos é concedido de forma divina mitológica não é seguir caminhos que nos são apresentados, mas trilhar nossos próprios caminhos. Nas relações políticas imediatamente aparentes, há um predomínio de infantilidade, um maniqueísmo anacrônico e bobalhão, que rege as brigas por gostos como fossem grandes manifestos… Querem controlar, mas são todos descontrolados… Sem discussão lógica e ideológica sobre a vida numa sociedade, os imbecis se multiplicam. Lá vão eles ser, carrasco, juiz, júri e executor…”

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“quem escreve a história é a mídia e o Estado (o Estado, mais precisamente representado no poder judiciário). É a mídia coorporativa e os tribunais de justiça que produzem os documentos históricos que contam nossa história. Qualquer coisa pra além disso, deverá manifestar-se pela subversão, ludismo e criatividade. Por fim somos cínicos cuzões suficiente para ver o circo pegar fogo, uma mídia de merda que produz cérebros de merda. Neomitosofia contra a escória.”

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Desde meus 17 anos de idade acredito que a política mais próxima do meu ideal de mundo seria uma mistura; com a anarquia como premissa, o capitalismo como processo e o socialismo como objetivo final. Mas essa mistura não seria no sentido cronológico, em que um precede o outro e no futuro só sobraria o socialismo; seria sim uma mistura no sentido hierárquico, onde cada estilo acrescenta à política suas qualidades, tentando de alguma forma equilibrar seus defeitos através da mistura organizada. Mas essa mistura começa com as pessoas reconhecendo sua prórpia autoridade/autoria, agindo de maneira honesta e sincera (de modo anárquico), para só então pensar nos processos do capitalismo e nos ideais do socialismo; ou se preferir no bom do capitalismo e no bem do socialismo.

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Então pode-se dizer que não sou nem vermelho (esquerda), nem verde/amarelo (direita), tou mais para um marron/cinza/preto (uma mistura dos dois).

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