SIMPATIA DE VIOLETA do Doutor Boo-Yah-Yah-Suoka e Prof.Tyberius A.Bear

 

SIMPATIA DE VIOLETA

retirado do livro: Livro de Feitiços Voodoo do Doutor Cobra. 2000. St. Martin’s Press.

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“José Newton já dizia, se subiu tem que descer.”

(Como Vovó Já Dizia – Raul Seixas)

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Já dizia o Vuduísta de New Orleans, o Doutor Yah Yah, que VIOLETAS são excelentes amuletos protetores para evitar e derrotar qualquer doença ou machucado. Ele acreditava que essas lindas florezinhas roxas emanavam poderosas vibrações curativas. (repita 3vzs susssurros like peanut&pickles: -healing hoodoo-healing hodoo-healing hoodoo).

Para harmonizar com os benefícios destas vibrações, coloque algumas Violetas numa bolsinha de flanela vermelha, amarre bem a abertura, com um barbante de algodão e use-a em volta de seu pescoço para proteção. Troque as flores dentro da bolsinha a cada 7 semanas. Para atingir uma maior potência, salpique algumas Violetas dixavadas em cada canto de seu quarto em sua casa.

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Doutor Yah-Yah violou a tradição de que todos os Mestres Voodoo eram livres, por que ele mesmo era um escravo, cujo nome real era George Washington. Seus talentos incluíam leituras da sorte e cura. Sua carreira veio a tona no fim de 1861, contudo, quando ele foi preso por vender veneno a um comerciante de frutas Italiano, que tinha pego a poção para dar a um químico, que por sua vez aceitou-a como uma cura para o reumatismo. O mestre do Doutor Yah-Yah teve de pagar uma alta multa para soltá-lo e então enviá-lo de barco para o fim de sua vida trabalhando numa plantação de violetas.

Não se deixe levar pela ideia de que você tem de aprender tudo de uma vez, para manter-se junto do resto da comunidade. Não existe uma corrida! Você se sentirá muito menos sobrecarregado se você se focar em um ou dois temas por quanto tempo for necessário. Esta jornada é sobre preencher você mesmo, e não preencher as expectativas das outras pessoas. Lembre-se sempre haverá MÁGICKA nos processos. O seu café-da-manhã-sinta-se-bem é um ritual de alegria. Arrumar sua cama é a dedicação para clarear e acalmar a mente. Varrer a casa é capturar & banir pequenos diabretes e homúnculos parasitários que se encostam na gente roubando a energia do ambiente. Andar para o trabalho ou para escola todo dia é uma afirmação de suas intenções para alcançar o futuro.

(repita 3vzs susssurros like peanut&pickles: -magick-magick-magick)

(repita 3vzs susssurros like peanut&pickles: -feelgudbreakfast-feelgudbreakfast-feelgudbreakfast)

NOM VANITAS EST.

NOTHING IS MEANINGLESS.

NADA É SEM SIGNIFICADO.

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olha o tibs chegando aí devagar devagarinho no post…

ORAÇÃO PRO ALÉM

Minha mãe, meu pai, meus avós, meus ancestrais. Todos os saberes primordiais, a força radical. Herança. Unganga, Palo, minha voz, Criumba, Winti, meu nome, Catimbó, Cabula, Babassuê, Kimbanda e Maria Lionza, Capoeira e Maculelê. Abakua, todos os deuses gatos, ganja de Pukumina, Cybersansara, culto de São Gonçalo,  os correlários de Santo Amaro, O que você lança? Já parou pra se perguntar quem é você? O cheiro de azeite de dendê. Fumaça. Pajelança. Não confunda voodoo com hoodoo nem olho de Agamotto  com olho do Rá. Enquanto eu olho pra Hórus, tem quem ora pra uruca  e pede pelo amor de deus por mais desgraça. E macumba é só um jeito de falar tambor. E batuque é religião sim, assim como Jarê e Tererecô, os cultos de Jurema e do Bosque Sagrado. No Caribe, como em outras culturas de diáspora, não se distingue muito bem o que é o nome da entidade do que é o nome da prática. Originária de Gana, África, a Obeah de Trinidad y Tobago e outras ilhas caribenhas próximas diferenciava-se consideravelmente de localidade para localidade. A feitiçaria é uma forma de religiosidade que respeita e considera a autonomia de seus praticantes. Posso ser/fazer Obeah sem jamais tratar com wintis relacionados a outros obeahmans. Cada qual faz sua magia do seu jeito. O suspense & mistério quanto ao procedimento é recurso narrativo, objeto de pesquisa ou instrumento de poder, de dominação da ação alheia. Sabendo disso, é só libertar-se de culpa e medo. Agora, se Papa Bones, Barão Samedi e Exú Caveira são diferentes alcunhas pra mesma entidade, se são diferentes formas da mesma força, ou se encontram-se os 3 às quintas-feiras pra jogar dominó entre corvos falantes e serpentes carinhosas, só tem realmente um jeito de saber, e é aproximando-se pra escutar sua voz. Suas vozes na sua voz. Sua voz sendo muitas vozes dentro da sua voz. A voz da sua mãe, do seu pai, dos seus avós. Yorka, seus antepassados. Memória ancestral. Seus segredos e fofocas. Obi, a força criadora da natureza, emanando quintessência, exalando feito perfume todos os saberes primordiais que do outro lado do muro são fruto proibido. Elos primievos. O caminho sagrado de Hoggoth. O lugar de poder não tem poder por si só. O poder do lugar vem da postura de quem está lá. Onde e como a alma  fica protegida. A alma é água. Condutora e transmissora de vidas. Kra. Tanto pra saber. Tanto pra imaginar. Minha fé, é pra mim, assim tão sagrada, que nunca se curvaria à fé de outrem. A fé que move o juggernaut esmagando fiéis sob seus pés é contraditória como qualquer fundamentalismo teocrático. Até Caim vai se tocar que cyttorak não é o canal ideal pra andar, porque o caminho irrefreável do fanático não é abastecido por uma rocha mística mas pelo medo de falhar. Medo vira ódio. Ódio vira violência. Violência vira medo. Mas um sábio mano meu disse que medo é ausência de fé; como então explicar tanta incompetência religiosa? É que nem sempre algo é o que parece. E o ilusionista vê o que acontece através do véu dos truques e dos espelhos e toda ilusão perece ante a graça da sua percepção. O olho do mago sabe que o que muitos alegam ser fé, na verdade é só certeza. Uma certeza covarde e desesperada, às vezes um pouco mais outras vezes um pouco menos… Nesse jogo de ilusionismo religioso e discursivo, não raro um torna-se instrumento da fé do outro. A tal da regência. Dizer para o outro como ele deve entender, como ele deve sentir, como ele deve saber. Bonecos de pregação alheia. Uma ferramenta cujo único deus é a mão que a opera. Amar deus e uns aos outros somente é possível obedecendo exclusivamente a si mesmo. Conhecendo de onde vem cada impulso íntimo. Erguendo a cabeça. Ori. Axé. Minha deusa é minha mulher. Deusa materializada, divinizada pelo encontro de um corpo inacreditável com um olhar incrédulo. O mojo de mama Juju, Gris-Gris moara e seu gran grimoire, casamento do céu com o inferno, faz filho, goza e chora na terra, todo dia nova Encantaria, todo dia cantoria, todo dia café, cafuné e zombaria. O riso mais verbo põe magia em feitiçaria. Bruta como uma flor, delicada como infantaria, ensina que a MÁGICKA, a magia potencial, essa poderosa energia, é coisa que vem de dentro do ventre, de trás do ás de copas, onde vivem cegonhas e se celebra a bruxaria. As três feito uma. Muié, véia, donzela. Tá posto o panteão, o altar e a adoração. Simples como quem põe a mesa pra comer um pão. Toda culinária é feitiçaria, também toda arte e toda paixão. Fé pura e intensa não se mancha com discurso nem explicação. Nem amor sagrado carece expiação. No máximo uns versos, um poema, uma canção. Uma prece, uma reza, vela acesa na viela, presentes em encruzilhadas, descoberta, acaso, sincronia, intersecção. Respeito profundo, calma e silêncio, oração. Então pelas mães, ancestrais, pelos saberes primordiais, faço essa do fundo do peito. Sem pressa. Sem fazer preza. Obrigado.  Sou muito grato mesmo, de coração. Por me fazer refletir, por me deixar relembrar, deuses lhe paguem, deusas lhe protejam, totens te inspirem pra que também aprendam e não se esqueçam. & se for pra pedir ou querer algo, que seja além do bem, enxergar mais além. Amém.

Tiago Abreu

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