A Lenda de Jubiros & Jibérion

Esta lenda tem muitos nomes, como todas a palavras podem ter muitos significados. A NMS Crew, ou Eqipe, Team, group, tem linguisticamente discutido muitas palavras: Cultura, Contexto, Conteúdo, Propaganda, Amor, por um lado pejorativo, por outros carrega sentidos tão ultrapassados e escrotos, como bichos escrotos de contos de fadas,  como que a palavra “estupro” pode ser uma cultura, como a cultura humana se rebaixa e transforma hábitos, tradição e cultura em coisas tão carregadas de negatividade.

Gotta Live the positive way. unkle régis in da house YO!

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A LENDA DE JUBIROS E JIBÉRION

(Trad. Régis Yasuoka do conto dos Irmãos Grimm)

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(para meus amig@s T,J&V) provavelmente o tibs vai complementar o post com alguma coisa mais pra frente…

A lenda de Jubiros e Jibérion, ou a Lenda de Jorinda and  Jorindel, ou Jorinde und Joringel, ou A Flor Violeta, ou a Flor do Orvalho,  escolha como desejar só sei que foi assim

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Era uma vez um castelo tão velho que ficava sempre ali parado e pesado no meio de uma floresta densa, e nesse castelo vivia uma velha fada malvada. Todos os dias ela voava na forma de uma coruja  e se esgueirava na forma de uma gata, mas as noites ela voltava a ser uma velha de novo. Quando algum jovem do sexo masculino se aproximava a alguns passos perto do castelo, ele se congelava e não podia dar mais nem um passo, até que ela viesse e o libertasse: mas se alguma jovem donzela se aproximasse, elas se transformavam imediatamente em pássaros; e a fada vinha e as botava dentro de uma gaiola e a pendurava na câmara do castelo. Ela já tinha setecentas gaiolas penduradas no castelo, e todas com belíssimas passarinhas dentro.

Agora vou lhe contar também, que existia uma moça que se chamava Jubiros: ela a mais bonita ali do Reino do Rei Johnny Days; e também tinha um professor chamado Jibérion que gostava muito dessa moça, e eles planejavam se casar. Um dia eles foram passear pela floresta para que pudessem ficar a sós. Então Jibérion disse, “Temos que tomar cuidado pra não chegarmos perto do castelo”. Era um maravilhoso entardecer, 18 horas ali naquela região fica tudo meio congestionado, os últimos raios do sol que se punham brilhava através dos longos galhos daquelas árvores adentrando o verde pantânoso, e pássaros azuis bluejays cantavam lamentosamente dos mais altos galhos.

Jubiros sentou pra admirar o sol; Jibérion sentou a seu lado; ambos se sentiram tristes, eles não sabiam porque. Sentiram-se que fossem se separar para sempre. Eles deram mais uma caminhada e perceberam que haviam perdido o caminho de volta.

O Sol estava desaparecendo bem rápido, e metade de seu círculo já tinha desaparecido através da colina: Jibérion olhou para trás e percebeu que sem querer querendo, eles haviam sentado bem perto das velhas paredes do castelo, ele encolheu de medo, ficou pálido, bem acovardado. Jubiros estava cantando;

“A Pomba-Gira piando no Borrifo do Salgueiro,

Mas que lindo-dia! Lindo-dia!

Ele chora pelo fato

De seu adorado amado.

Lindo-dia!”

A música parou de repente. Jibérion se virou para ver porque,  no lugar de Jubiros tinha uma rouxinol; e sua música terminou com um lamentoso jub, jub, jub. Uma coruja de olhos flamejantes voou tres vezes em volta deles, e tres vezes ela gritou uwhu !uwhu! uwhu!

Jibérion não conseguia se mover: fixou-se como um golem de pedra, e não conseguia nem falar, nem chorar, nem mexer uma mão ou um pé. E agora já não havia mais sol; a escura noite havia chegado; a coruja voou para um arbusto; e logo após a velha fada apareceu, pálida e magra, com olhões esbugalhados, e um nariz e queixo que quase se encontravam.

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Jibérion congelado paralisado como se num passe de break.

Ela murmurou alguma coisa para ela mesma, agarrou a Rouxinol, e saiu fora com ela na mão. Pobre Jibérion viu sua Jubinol ser levada – o que ele podia fazer? Ele não conseguia nem sair do lugar em que estava. Por fim a fada apareceu de novo, e cantou com sua voz rouca,

“Prenda o preso bem depressa,

E sua sorte bem escassa,

Fique aí! Vai ficar !

Quando a simpatia encanta ela,

Como um pássaro canta ela,

E se esconde! Foge dela!”

Por um momento Jibérion se viu livre. Então caiu de joelhos diante da fada, que mais parecia uma bruxa, e pediu para ela devolver sua amada Jubiros: mas ela disse que ele nunca mais veria ela de novo e vazou, saiu fora mais uma vez.

Ele rezou para Jah, ele chorou, resmungou, mas tudo em vão. “O que que eu vou fazer?”

Ele não podia voltar para sua própria casa sem Jubiros, então ele foi para um vilarejo vizinho, arrumou um trampo de cuidador de cachorros e ovelhas. Ele corajosamente muitas vezes andava com seus cães rosnando nas redondezas das muralhas do castelo que ele tanto odiava. Milagrosamente uma noite, ele teve um sonho  em que achava uma linda flor roxa, e no meio desta uma pérola brotava; ele sonhou que pegava a flor, e ia com ela em mãos para dentro do castelo, e em tudo que ele encostava a flor, começava a se desenfeitiçar, e assim ele encontrava sua querida Jubiros de novo.

De manhã quando ele acordou, ele começou a procurar no Vale do Anhangabaú por sua preciosa flor de cor violeta; e oito dias se passaram em que el ficou procurando em vão: mas no nono dia numa manhã se bem me lembro, ele encontrou sua maravilhosa flor Violeta; e no meio desta existia mesmo um orvalho tão grande quanto uma pérola preciosa.

Então ele colheu a flor-menina-Violeta, e foi em direção a seu destino, dia e noite até chegar de volta no castelo. Andou mais que cem passos para a perto do castelo e percebeu que não estava mais paralisado, até que chegou na porta.

Jibérion muito contente de ver toda sua façanha: encostou na porta com a flor, e isso logo se abriu, e assim já foi se aprochegando para a corte do castelo, até que ouviu o som de milhares de pássaros cantando.

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Ali ele viu em uma câmara onde ficava a fada bruxa velha, os setecentos pássaros cantando em suas setecentas gaiolas. Quando a bruxa viu Jibérion ela ficou super brava, e gritou de raiva; mas ela não conseguia se aproximar mais dele; a flor em suas mãos o protegia. Ele olhou em volta todo malandrão agora, essa bruxa vai se ver, procurou um rouxinol, mas encontrou tantos, que ele não poderia nem saber qual era Jubiros. Enquanto pensava o que fazer, ele viu que a velha pegou uma das gaiolas e se preparava para arredar o pé pela porta. Ele pulou para cima dela, mas hoje acredito que ele praticamente voou para lá e encostou a gaiola com sua flor, – e sua Jubiros apareceu diante dele novamente. Ela atirou-se num abraço em volta de seu pescoço e se olharam como se o tempo tivesse parado naquele por do sol na floresta.

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Então como um justiceiro ele encostou sua florzinha violeta em todas as outras gaiolas, para que todas pudessem voltar a suas verdadeiras formas; levou sua Jubiros e sua Florzinha Violeta que havia se transformado numa linda menina e a pérola de orvalho que nascia era um dente que saia do meio de suas gengivas, e assim viveram felizes juntos por muitos e muitos anos num Rainbow Country.

 

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olha o tibs chegando aí devagar devagarinho no post…

 

ORAÇÃO PRO ALÉM

Minha mãe, meu pai, meus avós, meus ancestrais. Todos os saberes primordiais, a força radical. Herança. Unganga, Palo, minha voz, Criumba, Winti, meu nome, Catimbó, Cabula, Babassuê, Kimbanda e Maria Lionza, Capoeira e Maculelê. Abakua, todos os deuses gatos, ganja de Pukumina, Cybersansara, culto de São Gonçalo,  os correlários de Santo Amaro, O que você lança? Já parou pra se perguntar quem é você? O cheiro de azeite de dendê. Fumaça. Pajelança. Não confunda voodoo com hoodoo nem olho de Agamotto  com olho do Rá. Enquanto eu olho pra Hórus, tem quem ora pra uruca  e pede pelo amor de deus por mais desgraça. E macumba é só um jeito de falar tambor. E batuque é religião sim, assim como Jarê e Tererecô, os cultos de Jurema e do Bosque Sagrado. No Caribe, como em outras culturas de diáspora, não se distingue muito bem o que é o nome da entidade do que é o nome da prática. Originária de Gana, África, a Obeah de Trinidad y Tobago e outras ilhas caribenhas próximas diferenciava-se consideravelmente de localidade para localidade. A feitiçaria é uma forma de religiosidade que respeita e considera a autonomia de seus praticantes. Posso ser/fazer Obeah sem jamais tratar com wintis relacionados a outros obeahmans. Cada qual faz sua magia do seu jeito. O suspense & mistério quanto ao procedimento é recurso narrativo, objeto de pesquisa ou instrumento de poder, de dominação da ação alheia. Sabendo disso, é só libertar-se de culpa e medo. Agora, se Papa Bones, Barão Samedi e Exú Caveira são diferentes alcunhas pra mesma entidade, se são diferentes formas da mesma força, ou se encontram-se os 3 às quintas-feiras pra jogar dominó entre corvos falantes e serpentes carinhosas, só tem realmente um jeito de saber, e é aproximando-se pra escutar sua voz. Suas vozes na sua voz. Sua voz sendo muitas vozes dentro da sua voz. A voz da sua mãe, do seu pai, dos seus avós. Yorka, seus antepassados. Memória ancestral. Seus segredos e fofocas. Obi, a força criadora da natureza, emanando quintessência, exalando feito perfume todos os saberes primordiais que do outro lado do muro são fruto proibido. Elos primievos. O caminho sagrado de Hoggoth. O lugar de poder não tem poder por si só. O poder do lugar vem da postura de quem está lá. Onde e como a alma  fica protegida. A alma é água. Condutora e transmissora de vidas. Kra. Tanto pra saber. Tanto pra imaginar. Minha fé, é pra mim, assim tão sagrada, que nunca se curvaria à fé de outrem. A fé que move o juggernaut esmagando fiéis sob seus pés é contraditória como qualquer fundamentalismo teocrático. Até Caim vai se tocar que cyttorak não é o canal ideal pra andar, porque o caminho irrefreável do fanático não é abastecido por uma rocha mística mas pelo medo de falhar. Medo vira ódio. Ódio vira medo. Mas um sábio mano meu disse que medo é ausência de fé; como então explicar tanta incompetência religiosa? É que nem sempre algo é o que parece. E o ilusionista vê o que acontece através do véu dos truques e dos espelhos e toda ilusão perece ante a graça da sua percepção. O olho do mago sabe que o que muitos alegam ser fé, na verdade é só certeza. Uma certeza covarde e desesperada, as vezes um pouco mais outras vezes um pouco menos… Nesse jogo de ilusionismo religioso e discursivo, não raro um torna-se instrumento da fé do outro. A tal da regência. Dizer para o outro como ele deve entender, como ele deve sentir, como ele deve saber. Bonecos de pregação alheia. Uma ferramenta cujo único deus é a mão que a opera. Amar deus e uns aos outros somente é possível obedecendo exclusivamente a si mesmo. Conhecendo de onde vem cada impulso íntimo. Erguendo a cabeça. Ori. Axé. Minha deusa é minha mulher. Deusa materializada, divinizada pelo encontro de um corpo inacreditável com um olhar incrédulo. O mojo de mama Juju, Gris-Gris moara e seu gran grimoire, casamento do céu com o inferno, faz filho, goza e chora na terra, todo dia nova Encantaria, todo dia cantoria, todo dia café, cafuné e zombaria. O riso mais verbo põe magia em feitiçaria. Bruta como uma flor, delicada como infantaria, ensina que a MÁGICKA, a magia potencial, essa poderosa energia, é coisa que vem de dentro do ventre, de trás do ás de copas, onde vivem cegonhas e se celebra a bruxaria. As três feito uma. Muié, véia, donzela. Tá posto o panteão, o altar e a adoração. Simples como quem põe a mesa pra comer um pão. Toda culinária é feitiçaria, também toda arte e toda paixão. Fé pura e intensa não se mancha com discurso nem explicação. Nem amor sagrado carece expiação. No máximo uns versos, um poema, uma canção. Uma prece, uma reza, vela acesa na viela, presentes em encruzilhadas, descoberta, acaso, sincronia, intersecção. Respeito profundo, calma e silêncio, oração. Então pelas mães, ancestrais, pelos saberes primordiais, faço essa do fundo do peito. Sem presa. Obrigado.  Sou muito grato mesmo, de coração. Por me fazer refletir, por me deixar relembrar, deuses lhe paguem, deusas lhe protejam, totens te inspirem pra que também aprendam e não se esqueçam. & se for pra pedir ou querer algo, que seja além do bem, enxergar mais além. Amém.

Tiago Abreu

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