BAIACU diÁrio de bordo #1

Massacre-Eldorado-do-Carajás

Se você você estiver entre os troncos de Marabá, é importante dizer que não falará nada. O silêncio irrompe sobre ti. E tu percebe que não é nada. Não é um indivíduo. É parte de um sistema maior que independe da tua vontade. Há de se desapegar do controle do desejo. De ser quem tu pensa que é. O problema dos discursos é que as pessoas acham que são criações individuais. Mas não. Discursos são as formas pelas quais os fantasmas e as egrégoras falam. Discursos são vazamentos no encanamento do pensar. Eles revelam aquilo que é criado psiquicamente não por um agente, mas por um coletivo. Há quem só retransmita e há quem vive de gerar ruído, de fazer interferência, de testar outras sintonias.

Em contraparte, fluir com a correnteza não é necessariamente ser passivo. A passividade tem sua própria tática. A paz requer uma sofisticada estratégia.

O caminho da água perpassa o conflito. Não seja atroz. Recuse a violência. Combata para destruir a vontade primal que o oponente tem de combater. Crie saídas, sonhos e soluções. Invente seu próprio túnel pra fora do labirinto. Não percorra velhos caminhos. Transpasse. Invada. Ocupe. Resista. Insista. Procure a brecha na cerca. Pule o muro. Seja melhor sendo só você. Apesar de si e de suas expectativas. Supere as exigências desprezando-as. Conquiste a primazia da sua própria excelência. Torne-se aquilo que deseja… Ou só seja um pé, cara. Resgate aquela pessoa que tu era com seis, sete, nove anos, procure onde ela esta viva em ti (se você está vivo é porque ela está lá em algum lugar) e a faça sair do armário. Assuma na vida adulta quem você foi na infância. Incorpore aquela parte de si. A parte artista selvagem sem respeito por nada. Tenha no horizonte que você nunca será tão sábio quanto já foi antes da vida adulta. Lembre disso pra aproximar-se dessa sabedoria. Tudo o que já fomos ainda vive em nós. O caminho do aprimoramento é feito de resgate e transformação.

Bom, esse primeiro registro quer compartilhar algo do que aprendi nessa imersão inflando entre baiacus em águas revoltas. Travei contato com artistas que já admirava há muito tempo. Em vários momentos minha tietagem simplesmente transbordou e se esparramou pelas relações e diálogos que travei. Ainda assim, as parcerias foram mais que demasiado produtivas, mas essencialmente transformadoras e o  aprendizado dos mais ricos que já tive na vida. Sinto que embriões gigantes estão chutando no útero. Sinto que algo lindo vai nascer. Isso me preenche de alegria e força. Enquanto a vida na notíciolândia parece mais desoladora do que nunca, e mesmo sem muita perspectiva de como arcar com meus boletos, sinto de perto o cheiro de um delicioso banquete assando no forno. Inseguro e incerto, vinha bradando há muito tempo que não há nada a temer, mas agora realmente não tenho mais nenhum medo.

Guazzelli, Fabio Zimbres, Pedro Franz, Juliana Russo, Rafael Sica, Marina Paraizo, Gabriel Góes, Laura Lannes, Ilan Manouach, Power Paola, Rafael Coutinho, Laerte, Angeli, Bela, André Conti, Paula Puiupo, Ian Indiano, Diego Gerlach, Julia Baltazar, Mateus Acioli e mais uma penca da Baiacu ou do SESC que fizeram isso acontecer e eu não to citando: OBRIGADO. Amo muito que vocês existam no mesmo mundo que eu.

Gratidão imensa e reverência máxima aos mestres do Kung Fu Baiacu

http://www.revistabaiacu.com.br/

Uma resposta to “BAIACU diÁrio de bordo #1”

  1. […] dados & combatendo a escória « BAIACU diÁrio de bordo #1 pRiMEirA InTerMitêNciA ou PARABÉNS PLAUNS! […]

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