bAiaCu diário de bordo #2

AQUILO QUE VOCÊ SABE TE DÁ DIREÇÃO.

AQUILO QUE VOCÊ SENTE TE DÁ VELOCIDADE.

CONHECIMENTO É ILUSÃO assim como tudo que te dá sensação de estabilidade.

daSÍNTESE E EXPERIÊNCIA

BAIACU realizou-se no sesc Ipiranga com uma intensa agenda durante o mês de Julho. Oficinas, a Ocupação Visual (cuja exposição permanece aberta ao público até 03/09/2017) e vários bate-papos onde @s artistas mais foda dos quadrinhos estariam reunidos, mergulhados num clima vibrante de produção intensa e acessíveis, afim de ensinar algo do que aprenderam em suas jornadas. Tudo sob curadoria de Laerte e Angeli. A generosidade e a excitação dos envolvidos os fazia brilhar como faróis. E o efeito foi absolutamente contagioso. Eu e os colegas que puderam se inscrever nas oficinas e participar dos bate-papos formamos grupos de produção de quadrinhos imediatamente. Foi inevitável, a energia que se produziu durante esse encantado mês sete de doismiledezessete tornou essa produção irrefreável. Como a gravidade. Como as marés.

Meu objetivo aqui é tentar fazer uma síntese do que acredito que tenham sido os fatores mais relevantes dessa experiência, o que concilia coisas que aprendi com esses supramestres que compõem o quadro criativo e técnico da revista BAIACU, mas também daquilo que aprendi com @s coleg@s e parceir@s de curso. Fizemos uma graduação em duas semanas. Parece que convivemos por anos. O barato foi loco.

Sobre o SESC, sempre tentei – com muito esforço – manter acesa a brasa da desconfiança: A comida é boa e barata? Sim. A programação cultural e artística é acessível e impecável em excelência na maioria das vezes? Temo que deva dizer que sim novamente. Mas embora seja efetivamente a única alternativa cultural para massas nessa sampa prostituída tão baratinho por Dorianus, o cafetão com sorriso de ânus, vossa fétida excelência, o prefeito; dói creditar tanto à uma associação de comerciários, saca? Parece que algo permanece oculto na dinheirolândia… e esse algo é que que o que o sesc faz, com esse grau de eficiência, de competência pra usar o termo que a turma gosta, deveria ser público e oferecido pelo estado, mas ninguém nem mesmo consegue mais visualizar essa possibilidade nem entre as pessoas com mais imaginação que você pode conhecer. E no fim, os resultados práticos que SESC oferecem são inquestionáveis. Fica a impressão de que tem visionários colaborando na organização. Lógico que não conseguiria citar todos, mas Antonio Martinelli e sua crew com certeza devem ser reconhecidos pelo que fizeram (alguém dê um aumento presse pessoal!) e o próprio Danilo Miranda parecia (mesmo que tenha entre os afazeres do seu ofício escrever belos textos apresentando o trabalho de de artistas dos mais maravilhosos provenientes dos mais diversos lugares) particularmente orgulhoso e emocionado ao introduzir os mestres da aula-magna que inaugurava a OCUPAÇÃO BAIACU na unidade Ipiranga, Laerte e Angeli, Rafael Coutinho e André Conti, na curadoria e produção editorial dessa bomba de arte que será plantada em breve… http://www.revistabaiacu.com.br/

552

Caipora da Violeta posando com São Paulo Infinita de Juliana Russo Editora GG

Outra coisa que aprendi é que o nomadismo é uma cultura generosa. Talvez a perspectiva da separação convide o íntimo das pessoas a compartilharem mais de si, não sei ao certo, mas você distribui e espalha pelo mundo, pelos lugares e povos por onde passa o melhor de si. Aprendi e refleti muito sobre isso observando Juliana Russo e seu trabalho. Queria ter dito pra ela que naquela semana eu sonhei que o Itamar Assumpção estava fazendo as oficinas junto com a gente. Tenho certeza que foi por causa da citação no livro dela… ((<3))..

O sedentarismo por sua vez está radicalmente relacionado com o egoísmo e a futilidade, uma vez que nesse caso o seu lugar e as suas coisas a sua vida é mais importante que aquilo que existe e não é conhecido. Assim vive-se para preservar sua linhagem ou explorar os mistérios do mundo. Conservadorismo familiar ou a revolução pessoal de descobrir-se… e os casos surpreendentes em que a criança da família contraria os medos do pai para descobrir que descendem de uma linhagem de exploradores viajantes

Desulpem a citação disney mas depois de ver com Viola esse desenho umas setenta e sete vezes suas camadas narrativas começaram a se desfolhar e assumir outras significâncias… o ponto é que por vivermos no coração-constructo da babilônia isso não significa que o nomadismo e formas horizontais de convivência e colaboração estão desaparecidas ou ausêntes, pelo contrário: estão se multiplicando e provavelmente são nossa única saída pra efetivamente resolver nosso angu de caroço da sociabilidade. É importante dizer isso por que as águas revoltas que citei no Diário de bordo #1 só estão revoltadas porque tem várias ondas de fascismo, hipocrisia e conivência quebrando aqui e acolá. E tem um discurso que é construído diariamente em uma centena de títulos e publicações diferentes, sobretudo esse blend podre de jornalismo e publicidade que define o que se entende no geral por “mídia”, que acaba por formar uma narrativa leviatânica de normalidade que faz volta e meia você escutar do seu uber que só os militares é que dão jeito no país ou que bandido bom é enfim você já tá ligado…

Nesse contexto surge a Baiacu tocando esse tema nevrálgico: o discurso. Dizem que a sugestão de pauta foi dada por Angeli, o único cara que consegue falar menos que o Rafael Sica, e que fez questão de entrar mudo e sair calado todas as vezes. Ensinando pra gente que as palavras são supervalorizadas e que não precisa entrar na na febre da tagarelice pras câmeras pra construir uma narrativa forte e relevante. Fazer um contra discurso eficiente não é só falar contra, mas narrar de outra forma. Sair do jogo narrativo do opressor, escapar e transpassar sua lógica criando outros caminhos. Angeli foi o que menos disse e ao mesmo tempo sua voz foi a que soou mais alta. Um grito. Sujo e carregado de reverb. Amálgama de loucura e lucidez, clareza e confusão, autodestruição e sobrevivência. A folha paga o cara há décadas e não chega nem perto de entender o seu trabalho. Toda vez que escrevo revista baiacu no google fico meio puto porque logo abaixo do site da revista (já colei o link uma par de vezes por aí) aparece uma matéria muito bosta da folha cujo título é Laerte e Angeli deixam de lado o humor escrachado… óbvio que não abri essa merda pra ler, mas é inevitável não pensar que eles largaram o humor escrachado há anos… há, tipo, vários anos! Ai ai ai esse troço que chamam de jornalismo por aqui é esquisito dimai fi…

338

Mas enfim, voltando ao que interessa.

550.jpg

Essa é a segunda parte dos diários de bordo. Logo mais postarei a terceira e última, com um resumo dos conteúdos das oficinas. Ainda estou estudando como compartilhar com vocês as imagens, não sei se monto um flicker ou instangram só pra isso e só colo os links aqui, como sou toscão com o computador provavelmente precisaria de ajuda pra fazer isso… e não quero demorar mais pra publicara  bagaça toda. É provável que eu suba algumas por aqui mesmo. Logo mais porque agora vou sair pra me encontrar com os colegas de oficina pra desenhar um pouco em conjunto lá no centro cultura são paulo.

553

continua…

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: