Archive for the Cantos Pré-Históricos Category

SIMPATIA DE VIOLETA do Doutor Boo-Yah-Yah-Suoka e Prof.Tyberius A.Bear

Posted in Cantos Pré-Históricos, novidades on setembro 26, 2016 by PRFSSOR-Regiz-Y.

 

SIMPATIA DE VIOLETA

retirado do livro: Livro de Feitiços Voodoo do Doutor Cobra. 2000. St. Martin’s Press.

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“José Newton já dizia, se subiu tem que descer.”

(Como Vovó Já Dizia – Raul Seixas)

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Já dizia o Vuduísta de New Orleans, o Doutor Yah Yah, que VIOLETAS são excelentes amuletos protetores para evitar e derrotar qualquer doença ou machucado. Ele acreditava que essas lindas florezinhas roxas emanavam poderosas vibrações curativas. (repita 3vzs susssurros like peanut&pickles: -healing hoodoo-healing hodoo-healing hoodoo).

Para harmonizar com os benefícios destas vibrações, coloque algumas Violetas numa bolsinha de flanela vermelha, amarre bem a abertura, com um barbante de algodão e use-a em volta de seu pescoço para proteção. Troque as flores dentro da bolsinha a cada 7 semanas. Para atingir uma maior potência, salpique algumas Violetas dixavadas em cada canto de seu quarto em sua casa.

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Doutor Yah-Yah violou a tradição de que todos os Mestres Voodoo eram livres, por que ele mesmo era um escravo, cujo nome real era George Washington. Seus talentos incluíam leituras da sorte e cura. Sua carreira veio a tona no fim de 1861, contudo, quando ele foi preso por vender veneno a um comerciante de frutas Italiano, que tinha pego a poção para dar a um químico, que por sua vez aceitou-a como uma cura para o reumatismo. O mestre do Doutor Yah-Yah teve de pagar uma alta multa para soltá-lo e então enviá-lo de barco para o fim de sua vida trabalhando numa plantação de violetas.

Não se deixe levar pela ideia de que você tem de aprender tudo de uma vez, para manter-se junto do resto da comunidade. Não existe uma corrida! Você se sentirá muito menos sobrecarregado se você se focar em um ou dois temas por quanto tempo for necessário. Esta jornada é sobre preencher você mesmo, e não preencher as expectativas das outras pessoas. Lembre-se sempre haverá MÁGICKA nos processos. O seu café-da-manhã-sinta-se-bem é um ritual de alegria. Arrumar sua cama é a dedicação para clarear e acalmar a mente. Varrer a casa é capturar & banir pequenos diabretes e homúnculos parasitários que se encostam na gente roubando a energia do ambiente. Andar para o trabalho ou para escola todo dia é uma afirmação de suas intenções para alcançar o futuro.

(repita 3vzs susssurros like peanut&pickles: -magick-magick-magick)

(repita 3vzs susssurros like peanut&pickles: -feelgudbreakfast-feelgudbreakfast-feelgudbreakfast)

NOM VANITAS EST.

NOTHING IS MEANINGLESS.

NADA É SEM SIGNIFICADO.

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olha o tibs chegando aí devagar devagarinho no post…

ORAÇÃO PRO ALÉM

Minha mãe, meu pai, meus avós, meus ancestrais. Todos os saberes primordiais, a força radical. Herança. Unganga, Palo, minha voz, Criumba, Winti, meu nome, Catimbó, Cabula, Babassuê, Kimbanda e Maria Lionza, Capoeira e Maculelê. Abakua, todos os deuses gatos, ganja de Pukumina, Cybersansara, culto de São Gonçalo,  os correlários de Santo Amaro, O que você lança? Já parou pra se perguntar quem é você? O cheiro de azeite de dendê. Fumaça. Pajelança. Não confunda voodoo com hoodoo nem olho de Agamotto  com olho do Rá. Enquanto eu olho pra Hórus, tem quem ora pra uruca  e pede pelo amor de deus por mais desgraça. E macumba é só um jeito de falar tambor. E batuque é religião sim, assim como Jarê e Tererecô, os cultos de Jurema e do Bosque Sagrado. No Caribe, como em outras culturas de diáspora, não se distingue muito bem o que é o nome da entidade do que é o nome da prática. Originária de Gana, África, a Obeah de Trinidad y Tobago e outras ilhas caribenhas próximas diferenciava-se consideravelmente de localidade para localidade. A feitiçaria é uma forma de religiosidade que respeita e considera a autonomia de seus praticantes. Posso ser/fazer Obeah sem jamais tratar com wintis relacionados a outros obeahmans. Cada qual faz sua magia do seu jeito. O suspense & mistério quanto ao procedimento é recurso narrativo, objeto de pesquisa ou instrumento de poder, de dominação da ação alheia. Sabendo disso, é só libertar-se de culpa e medo. Agora, se Papa Bones, Barão Samedi e Exú Caveira são diferentes alcunhas pra mesma entidade, se são diferentes formas da mesma força, ou se encontram-se os 3 às quintas-feiras pra jogar dominó entre corvos falantes e serpentes carinhosas, só tem realmente um jeito de saber, e é aproximando-se pra escutar sua voz. Suas vozes na sua voz. Sua voz sendo muitas vozes dentro da sua voz. A voz da sua mãe, do seu pai, dos seus avós. Yorka, seus antepassados. Memória ancestral. Seus segredos e fofocas. Obi, a força criadora da natureza, emanando quintessência, exalando feito perfume todos os saberes primordiais que do outro lado do muro são fruto proibido. Elos primievos. O caminho sagrado de Hoggoth. O lugar de poder não tem poder por si só. O poder do lugar vem da postura de quem está lá. Onde e como a alma  fica protegida. A alma é água. Condutora e transmissora de vidas. Kra. Tanto pra saber. Tanto pra imaginar. Minha fé, é pra mim, assim tão sagrada, que nunca se curvaria à fé de outrem. A fé que move o juggernaut esmagando fiéis sob seus pés é contraditória como qualquer fundamentalismo teocrático. Até Caim vai se tocar que cyttorak não é o canal ideal pra andar, porque o caminho irrefreável do fanático não é abastecido por uma rocha mística mas pelo medo de falhar. Medo vira ódio. Ódio vira violência. Violência vira medo. Mas um sábio mano meu disse que medo é ausência de fé; como então explicar tanta incompetência religiosa? É que nem sempre algo é o que parece. E o ilusionista vê o que acontece através do véu dos truques e dos espelhos e toda ilusão perece ante a graça da sua percepção. O olho do mago sabe que o que muitos alegam ser fé, na verdade é só certeza. Uma certeza covarde e desesperada, às vezes um pouco mais outras vezes um pouco menos… Nesse jogo de ilusionismo religioso e discursivo, não raro um torna-se instrumento da fé do outro. A tal da regência. Dizer para o outro como ele deve entender, como ele deve sentir, como ele deve saber. Bonecos de pregação alheia. Uma ferramenta cujo único deus é a mão que a opera. Amar deus e uns aos outros somente é possível obedecendo exclusivamente a si mesmo. Conhecendo de onde vem cada impulso íntimo. Erguendo a cabeça. Ori. Axé. Minha deusa é minha mulher. Deusa materializada, divinizada pelo encontro de um corpo inacreditável com um olhar incrédulo. O mojo de mama Juju, Gris-Gris moara e seu gran grimoire, casamento do céu com o inferno, faz filho, goza e chora na terra, todo dia nova Encantaria, todo dia cantoria, todo dia café, cafuné e zombaria. O riso mais verbo põe magia em feitiçaria. Bruta como uma flor, delicada como infantaria, ensina que a MÁGICKA, a magia potencial, essa poderosa energia, é coisa que vem de dentro do ventre, de trás do ás de copas, onde vivem cegonhas e se celebra a bruxaria. As três feito uma. Muié, véia, donzela. Tá posto o panteão, o altar e a adoração. Simples como quem põe a mesa pra comer um pão. Toda culinária é feitiçaria, também toda arte e toda paixão. Fé pura e intensa não se mancha com discurso nem explicação. Nem amor sagrado carece expiação. No máximo uns versos, um poema, uma canção. Uma prece, uma reza, vela acesa na viela, presentes em encruzilhadas, descoberta, acaso, sincronia, intersecção. Respeito profundo, calma e silêncio, oração. Então pelas mães, ancestrais, pelos saberes primordiais, faço essa do fundo do peito. Sem pressa. Sem fazer preza. Obrigado.  Sou muito grato mesmo, de coração. Por me fazer refletir, por me deixar relembrar, deuses lhe paguem, deusas lhe protejam, totens te inspirem pra que também aprendam e não se esqueçam. & se for pra pedir ou querer algo, que seja além do bem, enxergar mais além. Amém.

Tiago Abreu

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VerSOs CinoCÉfALoS…….. frAgmenTos de LAmEntos LiCAnTróPicOs..

Posted in Cantos Pré-Históricos, Monstros no Espelho, MUTANTES on agosto 31, 2015 by ti

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Lobo – Segundo o manual de sonhos arquetípicos de C.Jung; sua imagem está associada a sombra da psiquê, normalmente representando crueldade; engano; desconfiança; esperteza; habilidade; avidez; astúcia.

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O DOMÍNIO DA FORMA HUMANA

Saber identificar / sentir o que é intrinsecamente humano. Ser um ser humano.

Sentir o cheiro do ar mudar conforme mudam as estações. Identificar uma planta com sede ou a morte se instalando numa forma de vida, só de olhar. Saber o que te faz mal em cada caso de doença. Sentir na salivação, na textura bucal, a composição das coisas que pode farejar… Conhecer sensorialmente a fundo, só deixando a intuição trabalhar livre, em conjunto com o corpo. Laboratório de perícia do lado de dentro da pele. Detector de mentiras vivo. Tantos patifes pra desmascarar…

Sentir afeto pelo que é bem diferente mas sente igual. Sentir afeto pelo que é semelhante e sente bem diferente. Sentir certa aversão ou paixão pelo igual.

Transformar-se.

Maravilhar-se.

Aprender.

Ensinar.

E o poder de alienar-se de tudo; o poder de contrariar tudo isso:

A civilização.

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“ser feliz é bem possível; a lua cheia me reduz a pedacinhos” ❤ Itamar Assumpção, SUTIL

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Minha parceira é companheira de muitas voltas, travessias, jornadas e também dalgumas presepadas. As vezes fica preocupada comigo, por causa desse espectro sombrio que evapora dos meus poros e tensiona com meus tendões e face meu entendimento do mundo pruma pulsão sexual pela pira mortuária gigante que o planeta se tornará um dia. Quer dizer, ela só me diz com carinho e bem querer que eu deixo a testa franzida demais… Mas a questão é justamente essa. Como a pele se franze sobre nossos ossos? E por que?

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Sou alguém como tantos outros que caminha verdadeiramente um caminho de virtude. Que todos os dias acorda e renova um contrato consigo de manter-se íntegro, verdadeiro e de propagar e compartilhar só o conhecimento que leva à liberdade, felicidade e aprimoramento. Mas tenho um tesão danado pelo fim de tudo. A destruição é um grande afrodisíaco. A violência me encanta. O armagedom e suas pretensas apoteoses, o apocalipse e suas promessas de revelação. A paz reinante no dia depois do cessar definitivo do choro irritante do homem. O destino derradeiro que enfim irá nos embalar. Luto entretanto com todas as minhas vontades pra não incorrer na melancolia ou – ainda pior – no fatalismo. Não sou um suicida. Apesar de reunir como que por magnetismo natural uma imensa energia entrópica ao redor do meu corpo (que faz minhas roupas se desgastarem e apodrecerem com uma celeridade inacreditável e/ou os mais diversos objetos simplesmente quebrarem, pifarem, encrencarem quando na minha companhia), nunca poderia ser um suicida. A maravilha da vida continua a encantar-me, sim, a despeito do ódio batendo ao portão todos os dias, enviando as contas dos meus descuidos por baixo da porta. Vou viver. Tenho a terra sob meus pés e a terra sob meus pés tem a mim e essa relação realizar-se-á pelo estapeamento constante das minhas caminhadas. Não desertarei do mundo, não o deixarei pras serpentes e vermes e ratos que se multiplicam sem parar, não facilitarei pras fardas cinzas vomitadas em linhas de produção. Mas não sem sequelas. As vezes a pele dobra e desdobra, e fica meio amarrotada por dentro. Fica meio justa demais. Fica tensionando a expressão, como pessoas suportando um sorriso pra foto por tempo demais. As vezes há inflamação no vinco do espírito, como um espinho cravado na pata da alma amarrotada.

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Dominar a forma humana é humanizar-se. Sintonizar-se com o que é bom e positivo e natural. Não as naturalizações ilusórias da modernidade, publicidade da babilon, putaria bagaceira… Não aquilo que é imposto e vendido como “natural”, mas natural enquanto cultura emergente, as manifestações que florescem de baixo pra cima, a maneira anti-hierárquica do mundo bruto e verdadeiro. O modo da rocha, do tronco, da raiz e do broto, o modo do ronco das feras.

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Minha parceira, bruxa que é desde sempre, me disse que pra ficar vivo sem sucumbir a nenhuma dessas patéticas formas de desmorte em vida, tais como a burocratização da alma, a coisificação social, as pirâmides de culto à grana, o empreendedorismo vodu etc&tal; é preciso encantar-se permanentemente. Permanecer encantando-se. O encantamento é o despertar da ilusão. O sistema de domínio empilha tantas camadas de ilusão de controle para a finalidade de consumo, que seu próprio projeto de marketing globalizante torna inviável para seres humanos viverem por muito tempo nesse ambiente sem adoecer. A saída do vampiro-babilon é duas: Normalizar a doença. E desumanizar o máximo de pessoas que puder. Mas não no nosso turno beibe… a gente vai assar marshmallows numa fogueira de cabeças vampirescas antes de amanhecer. Nós lembramos dos feitiços, então é nossa obrigação proteger o solo primordial dos vamps… a lua vem, a lua vai, ensinamento e amor são dons que doem pa carai, mas entre uma cicatriz e outra, desmorto, zumbi e vamp, invariavelmente, diante do ashanti consciente, cai.

“footnote to howl” by allen ginsberg
Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy!
Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy!
The world is holy! The soul is holy! The skin is holy!
The nose is holy! The tongue and cock and hand
and asshole holy!
Everything is holy! everybody’s holy! everywhere is
holy! everyday is in eternity! Everyman’s an
angel!
The bum’s as holy as the seraphim! the madman is
holy as you my soul are holy!
The typewriter is holy the poem is holy the voice is
holy the hearers are holy the ecstasy is holy!
Holy Peter holy Allen holy Solomon holy Lucien holy
Kerouac holy Huncke holy Burroughs holy Cassady
holy the unknown buggered and suffering
beggars holy the hideous human angels!
Holy my mother in the insane asylum! Holy the cocks
of the grandfathers of Kansas!
Holy the groaning saxophone! Holy the bop
apocalypse! Holy the jazzbands marijuana
hipsters peace & junk & drums!
Holy the solitudes of skyscrapers and pavements! Holy
the cafeterias filled with the millions! Holy the
mysterious rivers of tears under the streets!
Holy the lone juggernaut! Holy the vast lamb of the
middle class! Holy the crazy shepherds of rebellion
Who digs Los Angeles IS Los Angeles!
Holy New York Holy San Francisco Holy Peoria &
Seattle Holy Paris Holy Tangiers Holy Moscow
Holy Istanbul!
Holy time in eternity holy eternity in time holy the
clocks in space holy the fourth dimension holy
the fifth International holy the Angel in Moloch!
Holy the sea holy the desert holy the railroad holy the
locomotive holy the visions holy the hallucinations
holy the miracles holy the eyeball holy the
abyss!
Holy forgiveness! mercy! charity! faith! Holy! Ours!
bodies! suffering! magnanimity!
Holy the supernatural extra brilliant intelligent
kindness of the soul!

kyno

São Cristóvão – aquele que carrega cristo nos ombros. Era um monstro com cabeça de cão, que além de lobisomem era gigante, mas do tipo clássico com um bom coração.

el licantropunk

foto por alexandre lamalhama fejones

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As vezes o melhor que se pode fazer por alguém é deixar ser o monstro que, pela sua estranheza, nos parece estar inclinado a ser, sem medo de ferir-se. Aceitar as idiossincrasias e rompantes de raiva e fúria, amar sem civilizar. Enamorar-se não do potencial do parceiro para ser um bom marido/esposa/amigo(a); mas por sua própria selvageria. As vezes devemos fazer isso internamente, conosco mesmo. Aceitar que nossa pulsão por sangue pode ter fundamento ou pode ser ecos de pensamentos soltos, ideias vivas perambulando pela cidade… Resistir sim. Seguir no caminho do bem. Mas entendendo a si. Desvendando seus sentimentos e apetites. Descobrindo suas emoções e distinguindo-as entre intenções e desejos. Nas vísceras sabemos o que é certo. No diálogo sem pé nem cabeça dos loucos, caráter – bom ou mal – nenhum passa despercebido. A alma não tem segredo que o comportamento não revele. Observar. Estar atento a si mesmo. Nunca desumanizar-se. Nunca insensibilizar-se. Nem pro pior de si. Não há corruptos e íntegros. Há momentos de integridade e momentos de corrupção. Integridade é uma escolha a ser tomada a cada nova manhã. E durante o dia, deverá ser reforçada várias vezes.

<p><a href=”https://vimeo.com/27657792″>Howl</a&gt; from <a href=”https://vimeo.com/nataliebet”>Natalie Bettelheim</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

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Há gente pra quem a humanidade não é algo terminado.

Ser alguém. Estar vivo. Ser bicho-homem não é o mesmo que ser gente.

Olhando animais nos shoppings PIG CITY porcos alegres amontoados.

Pelas ruas, furtivo, entre lixo caça & habita outrem diferente.

Há dos que sentem comigo e compartilham a licantropia.

Cães por melhores amigos e uma matilha que inclui a família.

Pelo grosso, longo e preto faz a forragem da pele.

A fuça, os dentes, as unhas mei´q estabelecem o que acontece.

Mas de gravata na racistolândia até monstro sai bem na foto.

Nos palcos do dia a dia, ter mil faces – nação: Ama ou sufoco.

Fascistas falam tanta bosta que quase tudo perde o foco.

Pseudociência versus pseudofé invadem até meu ócio.

Entre o corpo, a alma e o lobo, não há descanso, não há divórcio.

Assim como não haverá jamais entre o cão-diabo e deus, seu sócio.

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ACORDA CEDO VAI TRABALHAR

SEMPRE ONDE HÁ MULTIDÕES & INTENSO CONTATO HUMANO

PROFESSOR, CAMELÔ, PIXADOR, BADERNEIRO, RIMADOR.

AJEITA A CARA VAI ATRASAR

A PELE MEI´TORTA, CASACO DO AVESSO, SEMBLANTE TENSO CHEGANDO

JÁ FALÔU. CALÔU. ENFEZÔ. FECHÔ VERDADEIRO OPOSITOR.

A NOITE A PELE PARECE NÃO AGUENTAR

ESCOLHE ENTRE CELA E CAÇA, DECIDE PASSAR UIVANDO

JA MATÔU. CAÇÔU. RASTREÔU. COMEU LIGEIRO ATÉ SEU AMOR.

MAS A CIDADE NÃO TE DEIXA VIRAR.

NORMOSE É O OLHAR DA MEDUSA QUE A TODOS VAI CONGELANDO.

ATUÔU. INTERPRETÔU. FEZ Q SOU, FAZER Q SEI VIVER VIDA SEM DOR.

A LUA VELOZ NÃO VAI ESPERAR.

APROVEITA ENTÃO A SOMBRA DA LUA NOVA. NO CICLO TAMBÉM HÁ DESCANSO.

BAIXÔU. LEVOU PAR DE NOITE PRO LOBO DE DENTRO VOLTAR A FALAR DE NOVO.

ATÉ A CRESCENTE SE INSINUAR.

SENTE ENTÃO UM OTIMISMO. ENTUSIASMO DESABROCHANDO.

COMEÇÔU. VIRÔU. ESPERÔU O CONTRÁRIO DO AVESSO OUTRO POUCO.

A VIDA PERMANENTE TRANSFORMAR.

CADA MANHÃ DECIDIR NÃO AO MONSTRO INDA Q PERMANEÇA ESTRANHO.

NO BOLOLÔ DO BÔNUS DE DIAS ESTREMEÇO O ARDOR DO ATOR.

ATÉ O LUAR PARECER UM OLHAR.

SOMBRIO & PROFUNDO & SINISTRO CONVIDANDO MEU PIOR PRA BAILAR.

E O BICHO A BESTA FERA INSISTIR EM SAIR PRA BRINCAR

AS CORES SERÃO MAIS VIVAS COMO DA SALIVA EVAPORANDO

GOZÔU. PERTÔU. GARRÔU FORTE PRESA GUERREIRA. ESTRANGULÔU.

A CHEIA VAI RAIAR…

POR TRÁS DAS NUVENS DOS PRÉDIOS, JÁ ESTÁ LÁ.

MESMO QUE A FUMAÇA DA VÃ CIVILIZAÇÃO PONHA UMA CORTINA ENTRE ELA E O CÉU,

ELA TÁ LÁ…

ATIÇANDO O LOBO DE DENTRO PRA FORA DA TOCA PASSEAR.

BRINCAR DE CAÇAR DESGRAÇADOS QUEBRAR SEUS PESCOÇOS & CAGAR

NOS SEUS RESTOS E NAS FOTOS DE FUNCIONÁRIO DO ANO.

AMOR. DOR. ARDOR. MOTOR. AMOR À FLOR.

AMOR. DOR. ARDOR. MOTOR. A MONSTRA FLOR.

O ODOR. O NEGROR. O CALOR.

 AMOR. DOR. ARDOR. MOTOR.

 AMOR. A FLOR.

AMOR. DOR. ARDOR. MOTOR.

A MONSTRA FLOR.

AMOR. DOR. O ODOR. O ODOR.

O NEGROR. O CALOR.

A MONSTRA FLOR.


Post Hackeado por Régis Y. Intervenção sonora: Te quero te quero querendo quero bem quero te quero querendo quero bem. Chiclete chiclete, mastigo dor e dor clete chiclete, mastigo dor e dor. Te choro te choro, chuvinha chuviscou. Choro te choro, chuvinha chuviscou. Chamego chamego, me deixa me deixou.Mego chamego, me deixa me deixou. A dor a dor, a dor a dor.

O Incrivel Cabeça de Parafuso_20130901_0035

Fuça negra. Barba crespa.

Santo Chaney abençoa meu sorriso

[cheio de dentes

& conciso

tiberas

sampa – lua cheia; fins de agosto de 2015

Pedras que Cantam – A Lenda do Ingá Régis Y.

Posted in Cantos Pré-Históricos, novidades, Textos on junho 15, 2015 by PRFSSOR-Regiz-Y.

Este post começa com nosso amigo hippie Chester,  amigo do Monstro do Pântano, Allec Holland, cantarolando algumas canções marcantes dos 50, 60, 70’s. Acabou de colher frutos que caíram das costas do Monstro do Pântano, frutos com poder alucinógeno e psicódelico, que deixam qualquer cogumelo de zebu para trás. É o xamanismo das plantas, da terra e do espaço em una comunhão, Lula Cortês declarou  “comíamos cogumelos mais como licença poética mental.”  A Pedra do Ingá, localizada em Ingá do Bacamarte, Paraíba, tem uma série de inscrições pré-históricas, provavelmente feitas em rituais nativos mágico-religiosos, diversas estórias e especulações foram feitas sobre como foram criadas e seus significados.

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The Beatles-Strawbery Fields Forever (1967)

The Supremes-Stop In the Name of Love (1965)

Dale Evans & Roy Rogers-Happy Trails (1952)

Bee Gees-Tragedy (1979)

Como havia dito no post anterior, eu estava ali em minhas férias observando a Ilha da Tartaruga.
Daí eu parti para conhecer as pedras do Ingá, as pedras que cantam e contam uma estória estelar,  onde fui conhecer e estudar um pouco dessa parte da história do Brasil e prá não dizer do mundo. Hieróglifos Fenícios, sinais interplanetários, estudos sobre constelações, e um mistério que ainda não têm explicação, datam aproximadamente mais de 6.000 anos. Para explicar e aprofundar o estudo neomitósofico sobre estas, começarei com o álbum de Zé Ramalho e Lula Côrtes. O Paêbiru (1975), ou o Caminho da Montanha do Sol caminho que se estendia por mais de mil e duzentos quilômetros da costa brasileira do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. Da Paraíba, pelo Chilê para o Peru, e Paraguai, um caminho secreto como o Caminho de Eldorado, a volta pra casa, o caminho da terra prometida. Os índios acreditam que o santo interplanetário, Sumé teria ido de norte a sul, mata adentro pela milenar trilha “Paêbirú” – em tupi-guarani, “O Caminho da Montanha do Sol”.

Poder dormir
Poder morar
Poder sair
Poder chegar
Poder viver
Bem devagar
E depois de partir poder voltar
E dizer: este aqui é o meu lugar
E poder assistir ao entardecer
E saber que vai ver o sol raiar
E ter amor e dar amor
E receber amor até não poder mais
E sem querer nenhum poder
Poder viver feliz pra se morrer em paz

Mas voltando para Zé Ramalho, o disco se concentra nas Pedras do ingá, município de Ingá, no interior da Paraíba, que é hoje um dos monumentos arqueológicos mais significativos do mundo. Ingá fica a sudeste de Campina Grande, vizinha de Lagoa Grande terra de Jackson do Pandeiro.

O disco também fala de mitologias brasileiras e ameríndias, que são os índios creditados ter descendência asiática. e africanas como, Iemanjá. Eu e minha companheira, no dia dos namorados, fomos lá visitar. Na capa Zé e Lula aparecem ao lado de um negativo para mostrar a profundeza com qual foram talhadas as inscrições, que se assemelhavam muito ao alfabeto Fenício.

Ficaram parecidos com Smurfs.

Lula Cortês & Zé Ramalho - Paêbirú Silva_Ramos,_Pedra_da_Gavea,_interpretation

Aqui eu também copiando a capa:

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O disco foca-se numa das possíveis teorias sobe as inscrições das pedras, que seria a Lenda de Sumé, uma epopéia interplanetária dessa entidade mitológica indígena, que teria sido um um índio, santo e extra-terretre evoluído, associado agumas vezes com São Tomé, que tentava chegar ao Paraguai, fugindo dos guerreiros Tupinambás, e assim por meio de magia e conhecimentos extra terrenos, conseguiu detalhar e entalhar nas pedras, sua trajetória.


Sumé o cariri / fica perto desse mar
Fica perto da tranqüilidade
Da tranqüilidade desse mar
Peixe de pedra e espinhos no homem de ferro
Igualdade

Entre a luz e a linha reta que delineita o horizonte – bis
Pelo Vale de Cristal
Acredite se quiser

O viajante lunar desceu num raio laser
Num radar
Com sua barba vermelha desenha no peito a Pedra do Ingá – bis

Sumé dizei a flor
A mim mesmo e a meu irmão
Que mensagens / que caminhos

Que traços estão nesse chão?
Onde fica tua estrela?
Quanto é daqui para Marte?
Quanto pra Plutão?

 

Ficha Técnica e Informações sobre o Disco:

Zé Ramalho e Lula Côrtes – Paêbiru (1975)  

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Enquanto o punk rock rolava nas vitrolas dos anos 70, transformando a psicodelia sessentista em garagera, Zé e Lula mostravam um nordeste lisérgico. Com influências de Crosby, Stills, Nash and Young, T-Rex, Captain Beefheart, Grand Funk Railroad e The Byrds.O LP duplo, com onze faixas e inicialmente com 1300 exemplares. Acontece um acidente em Recife, que transforma o álbum em achado arqueológico, juntamente com a fita master da gravação, mil discos foram levados pela enchente. Hoje em dia encontramos essas preciosidades, valendo quatro mil reais em sebos.  O disco é miscelânea mestiça de sons, passando do rock psicodélico, folk, jazz , ritmos regionais do Nordeste Brasileiro, cultura africana fundida à sonoridade dos indígenas. As composições são de Lula Côrtes e Zé Ramalho, conta com a participação de renomados nomes, fazendo esse ritual fonográfico estão também: Geraldo Azevedo  e Alceu Valença que toca num papel de celofane: “- Participei de Paêbirú. Dei uns gritos lá”, diz Alceu. E daí o udigrudi nordestino tomou forma com bandas que se seguem: Ave Sangria, Marconi Notaro, Flaviola & O Bando do Sol, Aristides Guimarães.

Nas Paredes da Pedra Encantada, Os Segredos Talhados Por Sumé


O disco é dividido em quatro elementos, como os poderes de um Avatar, os quatro elementos da natureza: Terra, Ar, Fogo e Água, respectivamente.

No lado “Terra”, sentimos instrumentos como tambores, flautas, congas, sax alto e berimbau, o bater das asas de aves em voo. Além do tricórdio uma guitarrinha marroquina que acompanhava Lula.

No lado “Ar”, voamos com conversas, risadas, e suspiros, gargarejos, harpas e violas, okulelê e trompas marinhas.

No lado “Fogo” é o heavy, o rock e a psicodelia, a garagem suja, guitarradas elétricas  fuzz e distorcidas, teclados e órgãos Farfisa; Raga dos Raios-é um exemplo de guitarra fuzz nacional.

No lado”Água” , obviamente,  água corrente, a louvação as entidades, a renovação, fluído líquido, uma mescla com ritmos nordestinos, um repente com mantra psicodélico e dançante como o baião.

Quem sabe as profecias talhadas eram da própria jornada homérica do disco que viria ?

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‘Se os Stones gravaram na Jamaica em dois canais, por que a gente não?’

As lendas rezam ainda que a entidade, após deixar o nordeste, rumou para a Montanha do Sol, os versos cantam a saga de Sumé, “viajante lunar que desceu num raio laser e, com a barba vermelha, desenhou na Pedra do Ingá. Sumé é uma entidade mitológica que teria transmitido conhecimentos aos índios antes da chegada dos colonizadores. A crença indígena diz que, quando o pacifista Sumé se foi embora, expulso pelos guerreiros tupinambás daquelas terras, deix­ou uma série de rastros talhados em pedras no meio do caminho.#ficaadica

Diversos caminhos foram anotados, ligavam desde os Andes até o Atlântico, de São Tomé das Letras ao Peru, Passava por Assunção, Foz do Iguaçu, Alto Piquiri, Ivaí, Tibagi, Botucatu, Sorocaba, até São Paulo, um caminho mágico, outros iam para Florianópolis e Cananeia, chegava em São Paulo vazando pelo Pátio do Colégio e Rua Direita, cruzava o Vale do Anhangabaú, e desembocava no que hoje é Avenidas Consolação e Rebouças.

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Após a colonização, para diluir os valores indígenas em dogmas católicos, missionários portugueses e jesuítas santificaram Sumé, o rebatizando como São Tomé. Os rastros foram explicados, em nossa visita ao museu,  pelo guia, como que talhados por uma técnica utilizando pedras, mas feitos de uma maneira não humana, como o Monolito de 2001, Uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, livro de Arthur C. Clarke, eu pensei que eles pudessem ter sido feitos da maneira como é dito na música com um raio laser, ou com um Sabre de Luz de Star Wars.

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O misterioso monolito, ornado com representações data de três a seis mil anos representando algumas constelações; a via láctea, a constelação de órion, frutas, animais, seres humanóides, répteis. O monolito que abre a mente, absorve conhecimentos do espaço e faz conexão com toda vida terrena, quem tinha esses conhecimentos, eis o Mind Fuck.

Trecho traduzido e adaptado por Régis Y.
do Livro The Call of Cthulhu and Other Weird Stories
de H. P. Lovecraft

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“Toda de uma vez minha atenção foi capturada pelo vasto e singular objeto no declive oposto, o qual cresceu vertiginosamente aproximadamente umas 100 jardas à minha frente; um objeto que brilhava ofuscando raios primordiais de uma Lua ascendente. Isto era meramente um gigantesco pedaço de Pedra, eu logo assegurei por mim mesmo; mas eu era consciente de uma impressão distinta que seu contorno e posição em todo seu conjunto não era obra da Natureza. Um escrutínio mais próximo me preencheu com sensações que eu não pude expressar; pois apesar de sua enorme magnitude, e sua posição mediante o abismo o qual havera se espreguiçado ao surgir no fundo do oceano desde que o mundo era jovem, eu percebi com uma dúvida que o estranho objeto era retangulado exato como um monolito cujo volume massivo tinha sido apresentado ao conhecimento das manufaturas dos homens e talvez à devoção das criaturas vivas e pensante.

Atordoado e assustado, ainda sem a certeza palpitante dos delirios de um cientista ou um arqueólogo, eu examinei as imediações com mais precisão. A lua, agora em seu apogeu, brilhava misteriosamente e vívida sob os altos ângulos que embebiam o desfiladeiro, e revelavam o fato de um submergido corpo afogado ao fundo, perdendo-se da vista em todas direções, e quase lambia meus pés próximo ao declive. Através do vácuo, as ondas lavavam a base do Monolito Ciclóptico; cuja superfície eu não podia traçar e nem decifrar nessas inscrições e cruas esculturas. As escrituras estavam num sistema de hieróglifos desconhecidos para mim, e diferente de qualquer coisa que eu tenha visto em livros; consistia na maior parte em Símbolos Aquáticos convencionalizados tais como peixes, enguias, polvos,crustáceos, moluscos, baleias, e similares. Diversos caracteres obviamente representando coisas marítimas desconhecidas ao homem moderno, mas cujas formas componentes eu já tinha observado nas evidentes recifes dos Oceanos.

A engenharia cai sobre as pedras

As pedras remontam muito mais que pinturas rupestres, elas falam do período pré-histórico, da formação do homo sapiens, de sua transição índigena neanderthal, para um ser mais complexo, um ser com conhecimentos cósmicos, agricultura celeste, remeto ao filme;  A Guerra do Fogo (1981) de Jean Jacques Annaud, com estréia de Ron Pearlman, o Hellboy dos cinemas, e com o ator Everett Mcgill, o Big Ed Hurley do Twin Peaks, que no momento atual está desaparecido, o filme conta a trajetória dos seres humanos em um ambiente hostil, onde os grandes animais são deuses, e a falta de compreensão sobre todo o mundo que os permeia era o enfoque principal para a sobrevivência.

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“Pois naqueles dias os deuses ainda caminhavam na Terra, e faziam seus lares nas terras quentes do Norte. (pg.38) O Rei dos Pássaros ,Histórias na Areia – prólogo de Sandman A Casa de Bonecas.

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Abaixo, um vídeo russo mostrando as pedras do Ingá com a musica do arquivo X :

Um outro filme que trata sobre inscrições e pinturas é A Caverna dos Sonhos Esquecidos de Herzog (2010).

Há gente também que pensa
Que ali o solo é sagrado
Pois o santo da descrença
Por lá teria passado
No piso há marcas de pé
Dizem que foi São Tomé
Que ali teria pisado

No entanto, um doutor falou,
Que aquilo não são pegadas,
Que a água foi quem cavou
Por vias centrifugadas
São marcas de erosão
Cavadas no turbilhão
Da força das enxurradas

Naquela Pedra do Ingá
Há muito para entender
Sobre as figuras de lá
O que pretendem dizer
Muitas especulações
Acerca das inscrições
Agora é o que vamos ver:

Meu compadre, em certa vez,
Quando viu esse letreiro
Disse:- É coisa de holandês
Vindo lá do estrangeiro
Que em passagem no Ingá
Gravaram um mapa que dá
Onde enterraram dinheiro

Certo Doutor Chovenágua
No Seridó, de passagem,
Estudando em cursos d’água
Sinais nas pedras de margem
Disse que esses indícios
Foi feito pelos fenícios
Registrando uma mensagem

O doutor Leon Clerot
Diz num livro que eu li,
Sobre quem foi o pivô
Dos entalhes que há ali:
– Todo aquele bê-a-bá
Quem fez na Pedra do Ingá
Foi o índio Cariri

Já Gabriela Martin
Versada em arqueologia
Publicou num boletim
Que aquilo era magia
Invocação, ritual,
E esse antigo cultual
Pra água se dirigia

Já disse um estudioso,
Doutor Francisco Faria,
Que esse painel suntuoso
Trata de astronomia
E a pedra vem registrar
Um calendário solar
Do povo que ali vivia

Mestre Balduíno Lélis,
Sábio de Taperoá,
Disse a mim: – Tu não reveles,
Pois eu digo o que tem lá
Contando por cada vez
Múltiplos sempre de três:
Esse é o segredo de Ingá

Cordel de Vanderley de Brito – A Pedra do Ingá – Na visão de um Sertanejo (pg. 07-09)

No caminho fomos conversando sobre as infinitas teorias sobre as pedras do Ingá, como observado no cordel acima. As referências do Cordel são: a respeito do apóstolo São Tomé, sobre as marcas em forma de pegadas que são naturais, produto do desgaste nas águas feito pelo efeito turbilhonar da água sobre a pedra. Os nativos diziam serem rastros de seu Deus Sumé. Alguns sertanejos como no cordel acreditavam que as marcas eram holandesas. O Dr. Chovenágua: refere-se ao pesquisador Ludwig Schwennhagen. Pois assim ficou conhecido entre seus amigos sertanejos devido a dificuldade de pronunciar-lhe o nome austríaco. As regiões citadas no Cordel acima: vale do Rio Seridó região que se estende na Paraíba, Cariri-Indigenas vindo do São Francisco, que foram assentados pelos colonizadores no Vale do Paraíba; Taperoá: Município da Paraíba, no vale do rio de nome igual.

Amilcar Quintella Jr. no cântico XII de seu ivro poema épico, de 1957. “A Atlântida”fala de um profeta atlante que conduz uma leva de iniciados até o rochedo do Rio Ingá e os orienta a esculpir na rocha a trajetória da Atlântida, que fora perdida nas profundezas do Oceano.

Adquiri também um exemplar do livro do mesmo autor; A Pedra do Ingá – Itacotiaras na Paraíba (2013);  Vanderley de Brito que foi um dos maiores estudiosos brasileiros sobre o assunto das Pedras, ele conhece o idioma técnico deste código mnemônico melódico: “As pedras que formam o conjunto do Ingá foram insculpidas com apurada técnica e, segundo cremos, por uma incogniscível comunidade pré-histórica que gravava duras rochas com fino acabamento e polimento. Sua simbologia e formas simétricas muito elaboradas variam entre pontos capsulares agrupados, retângulos gradeados, figuras antropomórficas, possíveis fitomorfos e zoomorfos, sulciformes, círculos pendulares, cortados, cheios, concêntricos, e diversas outras formas ambíguas.” 

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Em 29 de dezembro de 1598, os soldados liderados pelo capitão-mor da Paraíba, Feliciano Coelho de Carvalho, caçavam índios potiguares quando, eis que surgiu em meio à caatinga, nas fraldas da Serra da Copaoba , um imponente monolito  pré-histórico ininteligível para queles homens da guerra.
Feliciano mandou-os copiar todos os caracteres. Retirado do livro: Diálogos das Grandezas do Brasil (1618). Ambrósio Fernandes Brandão  estudando os hieroglifos os entendeu como “figurativos de coisas vindouras”. Um segundo monólito foi encontrado pelo padre francês Teodoro de Lucé, em 1678, em território paraibano.

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Interpretação e Pintura de Vanderley de Brito

 

O autor Vanderley de Brito diz que a pedra seria, para os nativos, um “meio de comunicação” com os deuses (ou deusas) da natureza.  Datação exata não é possível, porque o monolito está em meio ao riacho, e em dias de cheia essas pedras ficam completamente submergidas, portanto uma análise em carbono 14 também não é facilmente realizada para datá-las. “Animais de grande porte, como a preguiça e o tatu-gigante, no período mezosóico, habitaram a região: mastodontes, cavalos nativos e outros mega-animais também circulavam por aqui”. Relatos do professor Clóvis Lima dos Santos, os cojuntos e inscrições nas pedras era bem maior, ocupando área de 1.200 m², infelizmente, segundo o engenheiro Leon Clerot, em 1953, começou um processo de asfaltamento na região, que ocasionou na perda de diversos pedaços.

 

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De fato não se tem uma precisão sobre quem é o autor das inscrições da Pedra do Ingá, desde o monolito pré-histórico até diversas outras origens, como as já citadas anteriormente foram especuladas, origens de obra de engenharia extraterrestre, ou combinações matemáticas que poderiam medir as distância da terra, da lua e/ou das galáxias, também associadas aos egípcios e fenícios que tinham tecnologia, para se locomoverem de barco até a região. Desde sua relação com inscrições encontradas em Queops, no Egito, e Theotihuacan, no México, ou até mesmo coordenadas para localização do Reino Perdido de Atlântida.

Podem ser também focos de energia que alinhados, com as grandes pirâmides, do Egito e do México, e dividindo o Trópico de Câncer no meio, entre as duas pirâmides citadas, traça uma linha vertical, localiza-se abaixo a Pedra do Ingá e acima, a localização da desaparecida Atlântida. Analisando as fotos que tirei podemos chegar a diversas conclusões, pois os símbolos são até comuns aos nossos olhares, podemos ter diversas mensagens, diversos sinais futuros, ou passados, talvez uma análise da divisão dos continentes de Pangéia, Itacotiara em Tupi Guarani significa:

Ita-Pedra

Coati-Desenho rabiscado

Ara-Aquilo que voa nas alturas

Pedra com o Rabisco dos Altos, um mapa para um segredo perdido. É a pedra do Genesis, o que começou, a pedra filosofal, dos seres que viajavam pelas galáxias. “No fundo do oceano existe um baú/Que guarda o segredo almejado desde a aurora dos tempos/Por gênios, sábios, alquimistas e conquistadores/Eu conheci esse baú num estranho ritual reservado a poucos/Hoje eu posso enfim revelar que essa busca de séculos foi em vão”

Estes buracos encontravam-se em pontos espalhados da pedra, tive a informação de que se formaram a partir de Magma ou Pedra quente, que formou bolhas explodindo e formando estes buracos arredondados. Quem sabe as inscrições foram feitas com materiais efervescentes ?

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Aqui eu com uma espiral,  que é o símbolo dos Incas e Maias para Patchamama, a “Mãe Terra”. Patchamama ou a natureza é quem começa a vida, é a gaia, que possiblita o surgimento, possibilita o movimento, por el suelo camina mi pueblo. Patchamama te veo tan triste. Patchamama me pongo a llorar.

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Nos inscritos abaixo, podemos reparar uma forma lacertiforme, como um lagarto, os répteis da região, de acordo com Vanderley Brito, é comum notar nas pedras, figuras semelhantes aos animais e às pegadas respectivas destes, observei que existiam muitos calangos na região, de diversos tamanhos e cores. Este lagarto foi representado em sua forma, talvez por ser rastejante, isso dificulta a análise de suas pegadas. Os répteis, reptilianos, cabeças de lagarto, Devil Dinosaur, Leatherhead, e os mamíferos, humanóides, macacos, patas, pés, pegadas de onça, de ema, de veados, de lobo-guará e de anta, animais típicos brasileiros

 

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As bolinhas que aparecem frequentemente na Pedra do Ingá, podem representar a contagem de sóis ou luas, do tempo, de algo que represente a contagem da vida que segue, a grande melodia, podendo também ser notas musicais numa escala.  Figuras muito parecidas com pegadas de animais, imagens fálicas, representando a fecundação, seres humanóides, caracteres similares a alfabetos que puderam ser comparados com símbolos semelhantes na Ilha de Páscoa, e aos alfabetos fenícios e sumérios.

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Ou quem sabe tudo fora um conjunto do estudo das constelações, o eterno retorno à casa, com uma nave espacial, à volta a constelação de Órion ou à Atlântida. O desenho abaixo também se assemelha com uma botija, ou com um vestido de mulher, ou uma garrafa de goró. Uma Botija é um pote ou baú com dinheiro enterrado , ou oculto em parede, como o pote de ouro de um Leprechaum das lendas Irlandesas, podendo ser literalmente interpretado como uma passagem mágica, ou seja nave ou portal. Por avareza esses Duendes, ou espíritos de quem ocultou se manifesta em sonho para que esta possa ser resgatada e dar sossego ao dono. É comum imaginar-se no meio rural que as inscrições rupestres são sinais da presença de botijas, como as runas mágicas, que manifestam a presença destas energias. Quiçá uma nave espacial, eu e ela, ela e eu, é o amor, o primeiro avião com destino a felicidade, o início, o fim e o meio. Noite azul, pedra e chão Amigos num hotel. Muito além do céu  Nada a temer, nada a conquistar. Depois que esse trem começa andar, andar. Deixando pelo chão. Os ratos mortos na praça . Do mercado.

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Cabe a mim também analisar dois tópicos presentes nesta realidade nordestina, à da seca, que conduz multidões a correr atrás dos carro-pipas, como em Mad Max, a luta pela água, o Sertão vai virar mar e o mar vai virar Sertão, como em Deus e o Diabo na Terra do Sol. O embate do sertanejo contra a seca, disso chego na Hq de Piteco-Ingá (2013) desenhada por Shiko e que numa mistura mitológica, uma comunhão do interior rural com a préhistória, mostra a tribo de Lem, da qual fazem parte Piteco, Thuga, Beleléu e Ogra, se veêm obrigados  a começar uma peregrinação para levar a aldeia para uma nova área fértil, já que esta próxima ao rio secou, muito inspirada pela pintura de Vanderley Brito. Na véspera da partida, Thuga é sequestrada pelos Homens-Tigre e seu herói e salvador, que não quer casar, Piteco se encarrega de salvá-la. No caminho enfrentam dinossauros, folclores e mitos brasileiros, se deparam com magia e rituais, as Pedras do Ingá e a rota da peregrinação, num estilo Rastafari, sobreviventes rumo ao futuro, misturando Mad Max e Glauber Rocha.

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Testemunhem-me neste post, os que habitaram, que habitam, que habitarão as terras e as estrelas de areia.

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Ei, êta luta, êta mundo, lá, lá, rá.
Andei por cima de pedras
Pisei como um cego santo
Abandonei a familia
Alvoraçada de espanto
Seguindo caminhos duros
De serras e desencantos
Arrematando os meus versos
Nas noites sem acalanto
Carreguei meu cravinote
Só mesmo por garantia
E também minha viola

O jornalista Gilvan de Brito, no livro Viagem ao Desconhecido, registrou 114 capsulares na linha superior que emoldura o painel vertical da Pedra do ingá e, para dar a sensação a sua conjectura de ali haver uma multiplicidade por três e um calendário lunar, alega que este número multiplicado por três chegaria ao número exato do ano selênico. Por comodidade o 114 ficou convencionado, até por mim mesmo em trabalhos anteriores, mas recentemente fiz a contagem, por repetidas vezes, e só computei 112 incisões capsulares nesta linha.  (Vanderley de Brito-Pedras do Ingá:Itacotiaras na Paraíba-pg.15)

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Já em meu discernimento,

Por favor, não leve a mal,

O teor do monumento

Revela um canto tribal

Um hino de sortilégio

Da casta sacerdotal

 

Um local de cantorias

E invocações musicais

Remonta mitologias

Ritos cerimoniais

Ao som de um maracá

Ali, na Pedra do Ingá,

Registra antigos anais

 

Um código evocativo

De muita sororidade

Um cântico recitativo

À honra de divindade

Gravado por erudito

Em forma de manuscritp

Legado à posteridade

 

Mas é só uma argüição

O Ingá não se traduz

É demais uma opinião

Desta pedra que reluz

Tão esmera e vigorosa

Que até hoje, caprichosa,

Nos desafia e seduz,

 

Cordel de Vanderley de Brito – A Pedra do Ingá – Na visão de um Sertanejo (pg. 30)

As pedras do Ingá são símbolos, são matemática e magia, observadas arqueologicamente e alfabética. Que revelam o nascimento do homem sapiente, que pensa, que registra, que esculpe, que transmite as informações às seus descendentes.

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A mistura de culturas alienígenas, que vivem no meio dos seres humanos, com seus costumes e caracteres símbolos próprios. O encontro do futuro e do passado, do homem, do macaco e quem sabe raças de outras galáxias. O caminho para o espaço, o caminho para o cohecimento. O espaço a fronteira final, tão próxima e tão distante.

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Trecho traduzido e adaptado por Régis Y.
do Livro The Call of Cthulhu and Other Weird Stories
de H. P. Lovecraft

Celephaïs

E num sonho Kuranes viu a cidade no vale, e além dacosta do Oceano, e o pico cheio de neve engolindo o Mar, e as alegres galerias pintadas que navegavam no ancoradouro em direção as distantes regiões onde o Mar encontra o Céu. É lá ele era conhecido como Kuranes, pois quando acordava ele tinha outro nome[…]

[…] Então Kuranes perseguiu infrutiferamente a maravilhosa Cidade de Celephaïs e suas galerias que desembocavam para Serannian no Céu,enquanto isso via mil maravilhas e uma vez escondia-se do alto sacerdote, que tinha apar6encia indescritível, mas que usava uma suave máscara amarela sob sua cara e habitava completamente só o Monastério de Pedras Pré-históricas no frio planalto desértico de Leng (Região frequente nas obras de Lovecraft, uma espécie de portal que conecta mundos, como um platô). Nesses tempos ele começou a  sentir-se muito impaciente nestes intervalos largos do dia que ele começou a comprar drogas para conseguir dormir. Hasheesh o ajudou de forma inigualável, e uma vez o enviou  a uma parte do espaço onde não existem formas, mas gases fosforescentes que explicam segredos da existência. Um gás de coloração violeta disse a ele que esta aprte do espaço era do lado de fora do que era chamado de Infinito. O gás nunca tinha ouvido falar de planetas e organismos antes, mas identificou Kuranes meramente como um do Infinito onde Matéria, energia, e gravitação existem. Kuranes agora estava muito ansioso para retomar seus estudos nas mesquita sobre Celephaïs, e grandes doses de drogas; mas eventualmente ele já estava sem dinheiro, e não conseguia mais comprá-las. Então em um verão que ele estava fora de seu sótão de estudos, ele vagueou sem rumo através das ruas, à deriva por uma ponte par um lugar onde as casas estreitavam-se muito. E foi lá que sua satisfação surgiu, e ele conheceu o cortejo dos cavaleiros que vinham de Celephaïs para escoltá-lo para lá para sempre […]

…e que se até Batman pode utilizar um Sabre de Luz para lutar contra um tubarão recifense, é claro que este mesmo sabre pode ser utilizado para esculpir caracteres milenares pelos Deuses Astronautas Pré Históricos…

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Finalizo com estaes belíssimos versos de Fagner, pois o importante é viver e vamos pra frente.

Como Disse Doc Brown: Te vejo no Futuro.

Doc: Well, good luck. For both our sakes. See you in the future.

Quem é rico mora na praia mas quem trabalha nem tem onde morar
Quem não chora dorme com fome mas quem tem nome joga prata no ar
Ô tempo duro no ambiente, ô tempo escuro na memória, o tempo é quente

E o dragão é voraz….
Vamos embora de repente, vamos embora sem demora,
Vamos pra frente que pra trás não dá mais
Pra ser feliz num lugar pra sorrir e cantar tanta coisa a gente inventa, mas no dia que a poesia se arrebenta

É que as pedras vão canta

YOU KNOW WHAT WE SHOULD DO?

Posted in Cantos Pré-Históricos, novidades, Textos on janeiro 16, 2013 by PRFSSOR-Regiz-Y.

YOU KNOW WHAT WE SHOULD DO?

texto de Alan Moore / re-tradução de Régis Y.

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NOTHING IS TRUE. EVERYTHING IS PERMITTED

 

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Desenvolvi esta tradução do índice introdutório da revista Dodgem Logic número 3#, adaptando o texto ao máximo possível do que é e do que não é o original, re-inserindo Alan Moore como um cidadão britânico diante de nossa realidade brasileira e assim criar proximidade com o público. Já diria o velho ditado, “se Maomé não vai a montanha , a montanha vai a Maomé” e assim começa esse processo de retradução de algo intraduzível.

O novo está chegando nos 13. Feliz ano todo. Eu sei o que devo fazer. VOCÊ SABE O QUE DEVEMOS FAZER?

Lógica no carrinho de bate bate

(Dodgem ou Bumper, para quem não sabe é o carrinho de bate bate).

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A magicka é o faze o que tu queres

que é tudo da lei

De Occulta Philosophia  – de Heinrich Cornelius Agrippa’s

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que nasce

o ano da serpente

que uno lo preciente

todo lo que cambia lo hara diferente

en el año que nacio la serpientshhhi

como em 77 que originou o punk

do vagabundo a revolta

NOTHING IS TRUE.

EVERYTHING IS PERMITTED

VOCÊ SABE O QUE DEVEMOS FAZER?

Nós devemos comprar pequenos tronos para os que negam as mudanças climáticas e sepultá-los em valas ao longo da costa litorânea, ordenando as ondas a voltar. Nós devemos equipar fundamentalistas Cristãos com vários balões de Helio de modo que o arrebatamento seja compulsório. Nós devemos substituir a Família Real por vários Srs. Cabeça de Batata e então, se eles ainda não pagarem impostos, tomaremos deles seus chapéus e cachimbos ou comeremos eles assados com manteiga.

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Nós devemos descobrir onde nossas sombras vão a noite e saber que elas estão aprontando. Nós devemos fazer com que os homem-bomba suicidas visitem aquela clínica na Suíça como todo mundo. Nós devemos fazer a partícula de Higgs Boson disponíveis nas cestas básicas.

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Nós devemos aceitar que os membros de partidos de extrema direita[1] são seres humanos  e baseado nisso repatriá-los todos na Etiópia. Nós devemos demandar provas de que a humanidade jamais pôs os pés na América e que o continente é somente uma farsa tramada e elaborada pela indústria cinematográfica Espanhola do século XV. Nós devemos reduzir o risco de vespas sonolentas servindo-as de pequenas xícaras de café de vez em quando. Nós devemos transformar os terrenos excedentes das celebridades como ajuda-alimentar para o Terceiro Mundo: Soylent Green é o Bono.

Nós devemos provavelmente receber alguns royalties performáticos e talvez ganharmos prêmios televisivos pelo que aparece nas câmeras de segurança. Nós devemos sempre cumprimentar a tropa de choque com um aperto de mão no estilo maçônico[2]. Nós devemos assoar nossos narizes e nos recompor. Nós devemos nos contentar em socar o relógio, mas se eles estiver pelo chão não há nenhum mal em dar-lhe um bom pontapé na garganta. Bemvindo a Dodgem Logic.

Enquanto os primatas populares que nós prometemos na última edição recuam de volta para o nevoeiro, nós tentamos duramente aliviar o seu sentido de raiva enganada e seu desapontamento, listando gargalhadas-conjuntas para os Ludistas-de-Literatura,  o supremo Robin Ince[3] vem suavizar o gradiente de sua testa franzida. Nós também rastreamos Josie Long[4] através de transações no cartão de crédito, mas mais pela sua valentia e fundamental participação no condenado filme Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade-1994) como uma oferta para sua liberdade, estaria ela então, de volta conosco fazendo o que ela gosta de melhor, se é que isso é ficar algemada a um aquecedor. Em relação a essa espessa fatia de páginas extras que você está pagando e metendo o nariz nesta edição pará-choque, que contem um raro compendio de delícias. Nós temos confissões de carreiras calamitosas de policiais, instruções passo-a-passo para o satanismo do faça-você-mesmo e a rigorosa ruminação recriminatória de um urbanista trapaceiro. Nós temos decadência divina e noites abafadas em São Paulo[5] juntamente com a exploração do homem comum problemático Johnny Viable,  o João Viável, alguns graffitis glamurosos, e um tentador transfer de camiseta da caixa de crayon da voluptuosa Melinda Gebbie (desenhista da belíssima capa de Lost Girls e esposa de Alan Moore).

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“O único fato que eu posso te contar agora é que o seu avô era um cara bem comédia (Ralph Royster Doyster) , com nove amigos incluindo seu próprio reflexo no espelho.”

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Oh, Yeah, e nós estamos providenciando berçários como facilidades para ambas escolas sub-financiadas em Santo Amaro e Capão Redondo[6].

We Just called to say we Love you.

Como recompensa às inserções locais, aqui está o nosso último plano que não pode ser concebido de forma errônea de maneira nenhuma: tendo em conta que fazendo este trabalho para você mesmo, você tem de manter os baixo custos de impressão, nós precisaríamos que você pré-encomendasse algo em torno de 700 e 1.000 cópias ao preço de 2 pounds para você vender ao preço de varejo de 3,50 pounds com a sua própria colaboração incluída. As colaborações podem ser de quantas páginas você quiser ou puder bancar, e você pode também fazer o seu próprio design ou falar com os garotos do  Wallace sobre quanto eles cobram para fazer isso para você. Uma vez então, que você tem suas páginas prontas, você só precisaria enviá-las para nós para que possamos checar se você não tem nenhum artigo que comece dizendo : “Diga do que você gosta no Terceiro Reich”… depois nós lhe enviaremos de volta para que possa imprimi-lás, direcionadas em cópias para Dodgem Logic e distribuidores. Na medida em que os prazos se vão, se você quiser ser incluído na nossa psicodélica edição especial de verão 4#, a venda em Junho/Julho, suas páginas deveriam ser completadas e corrigidas pelo dia 3 de Maio. Se o prazo ficar muito apertado, então inseriríamos na nossa  edição de Agosto e Setembro, edição 5, você tem de ter suas páginas sorteadas em primeiro de Julho. Se você tiver alguma outra questão você deve entrar em contato com Queen Calluz, o qual você encontrará no ilegível endereço petite indicia (diminutamente indicado) abaixo.(abaixo em relação a revista e acima em relação meu post)

Finalmente, nas eleições de Maio, nós insistimos que você vote em alguma variedade de aparelhos elétricos quebrados, possivelmente para uma torradeira estropiada ou um controle remoto em mau funcionamento, sobre os motivos de que eles não podem fazer coisas mais piores e que eles quase de certeza não se envolveram em nenhum lobbyismo ou em despesas escandalosas, nem ter consentido intencionalmente nenhuma entrevista para William Bonner[7]. Pergunte-se, em quem você confia mais – num estagiário estrábico ou na impenetrável e enferrujada Brastemp[8] que você não usa mais.

Então, veremos todos de volta em Junho quando nós todos esperançosamente vestiremos menos roupas e viveremos numa obsoleta utopia dominada por rádios-relógio.

Alan Moore – Lorde da Dança e Monarca do Vale da Depressão[9]

Régis Y. – Lorde dos Signos e Monstro do Pântano


[1] Alan utiliza BNP que éo British National Party, que é um partido de extrema direita ingles.

[2] Freemason’s handshake

[3] Comediante britânico de stand-up comedy mais conhecido pelo seu programa na radio da BBC, participa da revista Dodgem Logic

[4] Comediante Britânica, participa da revista Dodgem Logic

[5] Alan utiliza a cidade de São Francisco

[6] Alan cita os distritos de Spring Boroughs e Semilong, que ficam em Northamptom, áreas de elevada prostituição e criminalidade. O qual realmente são ajudados por Alan Moore.

[7] Alan cita Piers Morgan, Jornalista Britânico.

[8] Alan cita Breville uma produtora de equipamentos de cozinha de Sydney, que exporta para o mundo

[9] Alan usa a palabra GLEN, que é um termo escocês para um vale estreito como uma depressão ás vezes congelada

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capa dupla da edição 3# da Dodgem Logic de 2010

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capa da primeira edição lançada da Dodgem Logic

para conferir as revistas e encomendar no site:

www.dodgemlogic.com/

2&meio Contos de Natal

Posted in Cantos Pré-Históricos, produção NMS, Textos on dezembro 24, 2011 by ti

Uma Canção Natalina (para o séc. XXI)

Um demônio nasceu

No ápice do experimento racional,

Quando o homem desceu.

E desandou o entorno.

As coisas se chocaram mais separadamente.

O Anti-Tempo na foice de Cronos.

Castre seu pai! Castre seu pai!

Sele a mácula de sua própria existência!

Os herméticos já sussurravam: “É preciso conter a humanidade…”

Asas nos pés e uma tenda de chill out para os deuses na cabeça.

Lounge para os demônios. Vampiros na discoteca.

Longe demais de casa.

Hoje o apocalipse já era.

Um demônio nasceu, cresceu e virou herói;

Decidiu ser humano enquanto os homens,

Nesses tempos desvairados,

Descobrem-se cada vez mais monstros.

As vísceras de Prometeu no bico da estrige.

Loogaroo faminta e traiçoeira…

Aproveita-se do deslumbramento do pequeno-homem pelo fogo de Prometeu.

A chama rija da solda. O fio rente do corte de Ogum.

A Máquina estatal de Guerra: TECNOLOGIA DA MORTE

Também transforma a morte em tecnologia.

Condução de energia. Transmaterialidade. Metamorfose.

O mal é sutil e carinhoso.

Toda mentira é delicada como uma punhalada lenta e certeira dada no escuro.

O bem é brutal. Algo que destrói o racional.

Destrói o social. Destrói o normal.

Demolição de ilusões.

Em tempos de termos de marketing em discussões amorosas,

Todo entendimento é lisérgico, marginalizado & banido.

O Anti-Cristo é um velho político corrupto que depois de 50 anos de carreira ainda quase se elege…

 só pra provocar.

Diske 666 para uma vida feliz.

Compre um lugar no inferno o quanto antes

{porque o Céu tá interditado

e você não quer acabar aqui…}

Prestações Eternas. Juros sobre Moléculas.

O Diabo é nosso vizinho.

Você provavelmente aluga pro Leviatã sua vaga extra na garagem.

Olhe a TV: Veja a imagem da Besta

Os crentes, evangélicos, presbiterianos, mórmons e satanistas estão certos:

O Diabo Vive. Está entre nós…

É NÓS.

Quem se exclui?

Quem esconjura essas coisas-ruins de volta pras profundezas?

Quem nega o desejo?

Quem refrea a mesquinhez?

Quem alimenta a vontade pela verdadeira construção de uma virtude?

Satã Reina.

É verdade; é verdade, eu vos digo.

Brasas e fumo na manjedoura.

E uma reza rarefeita na fumaça,

Mandando pros anjos e deuses o recado

de quem tem um bem querer mas já não tem mais saudade

pra Mike Mignola

e Flávio Colin, seu pai

.                                                                                      ti<AN – DEZ. 2008

ASCENDENDO  YUGDRASIL

O Natal diz respeito à Odin, mesmo que a maioria das pessoas ignore isso.

Uma vez por ano, ele se disfarça e desce para a terra afim de caminhar entre os homens. Ele se manifesta como um velho sujo, desses imprestáveis que costumamos ver nas ruas da cidade. A coisa dos presentes é na verdade um saque, uma forma de provar a humildade e fraternidade entre os homens de boa vontade que, gozando da bravura e liberdade de que são herdeiros natos ao nascer, habitam Sua criação.

Pois bem, como um velho maltrapilho, Odin, o pai de todos os deuses, exige para si uma prenda, e são os que cruzam com Ele que é melhor que tenham alguma oferenda para presentear, do contrário são mortos. De forma rápida e indolor, tal divindade benfazeja que É, mas ainda assim intranqüila. O tal infeliz que por falta de sorte (e/ou caráter) eventualmente destrata o Velho Odin tem seu baixo ventre aberto por uma lâmina antiga, enferrujada e um tanto cega pelas eras, e seus intestinos, membros, órgãos, pele e coração pulsantes são enrolados ao redor da mais bela e exuberante árvore da região, de forma que os enfeites rubros sirvam de exemplo à comunidade e reguem o solo fértil para tempos mais fraternos, nos quais um velho mendigo possa ser presenteado com qualquer coisa no natal. Não se engane, Odin é um deus bondoso e afetuoso para com seus filhos, visto que coloca o desenvolvimento moral desses à prova apenas uma vez por ano; entretanto, quando a humanidade torna-se enfadonha e previsível, quando ­ -como crianças teimosas- os homens insistem em recorrer nos mesmos erros: na violência vã, na passividade fria, obscura e conivente… Quando as coisas acontecem assim, o odioso velho caolho, cansado e ofendido, ultrajado pelo que se tornou a lenda de seus dias caminhando entre os homens, deve acabar pensando se mais dias como esse não são necessários para a humanidade… ou se não deveria desencanar desse macacos engenhosos de uma vez por todas e partir para longe, como os deuses Maias e Egípcios fizeram…

Mas o que vê o olho de um Deus? O que vê o pai de todos os deuses com seu único olho (aquele que resistiu ao implacável bico negro da morte fazendo-a parar justamente com a expressão do seu olhar, isso ainda nos tempos em que esteve aprisionado no seixo de Yugdrasil)? Será que vê o triste espetáculo de celebração demagoga de coisas boas? Relembrando os idos em que sacrificava os que não lhe davam qualquer coisa que fosse, como galhos soltos achados no chão, desses com algumas folhas, pouca madeira e nenhum uso a não ser o de simbolizar o bem querer de oferecer um carinho para alguém? Presentes simples. Prova de humildade.

Hoje Ele, chamado pelos cristãos de antigamente de São Nicolau, deve atingir uns poucos pobres bastardos com golpes certeiros e preguiçosos, que despedaçam de maneira irremediável e fatal como qualquer ataque divino, mas já sem interesse algum, repletos de um irritante sentimento de fartura, aborrecimento, monotonia e alguma embriaguês de sacro hidromel.

Empapuçado dessa humanidade abarrotada de peru e velhas promessas de ano novo, Santa já nem se importa em decorar as árvores com as vísceras desses infelizes despreparados de Natal. Apenas os abandona no chão para alguns intermináveis momentos de agonia e desespero antes da derradeira morte dos fracos, daqueles a quem os portões de Valhalla estarão sempre selados.

Odin não é um bonachão senhor de barbas alvas dando tapinhas em sua barriga gorda e dizendo “Ho, Ho, Ho”. Ele é implacável. E durante as festas, assim como no resto todo do ano, é comum estarmos tão deslumbrados pelo frenesi de compras e deveres morais que acabamos perdendo todo critério para a reflexão radical proposta pelo bom velhinho: Quem afinal foi “um bom garoto ou garota” durante o ano? Quem merece um presente caro e vistoso ao invés de um pedaço de carvão, como era o costume antigamente entre o Papai Noel (pais preocupado) e os maus meninos? Algo me diz que essa troca de avaliação dos comportamentos por meritocracia tá baixando consideravelmente nossos critérios éticos enquanto coletivo social… Então não se esqueçam dos maus meninos! Não presenteiem canalhas! Creio que conivência é pior que corrupção.

Cantemos noite feliz sem estarmos cegos pro mal, porque ele existe! Até durante a ceia de natal!

 Mas eu estou preparado. Joguei pedaços de unha do meu pé esquerdo (do polegar) junto ao batente da porta. E depois vou guardá-los dentro de uma meia velha (com mais uma ou duas coisinhas que podem ser úteis a qualquer indigente moribundo) e prega-la em algum lugar, de preferência entre algumas árvores… uma praça talvez… ou então a Floresta Negra da Germânia… Sei que o velho caolho ficará feliz com esse presente.

E se há alguma retribuição d’Ele, a resposta é:

É claro que não! (Quer dizer, não além do supracitado fato de ter sua vida poupada por mais um ano…).

 Feliz despretensioso Natal

E no Ano Novo, vamos tentar trocar PRÓSPERO por DONATIVO.

(E quem sabe o próximo não acaba sendo surpreendentemente mais próspero ainda?!)

Humildade Sempre

Sobrevivência Também.

Com saudades,

para todos os Amigos

Tiago Abreu

12-2XX7

tudoAomesmotempoAondevocêpodeestarAgora

Posted in Cantos Pré-Históricos, novidades, Textos on dezembro 10, 2011 by ti

Então vi o Aleph.

Chego, agora, ao inefável de meu relato; começa aqui meu desespero de escritor. Toda linguagem é um alfabeto de símbolos cujo exercício pressupõe um passado que os interlocutores compartem; como transmitir aos outros o infinito Aleph, que minha tímida memória mal e mal abarca? Os místicos, em transe semelhante, gastam os símbolos: para significar a divindade, um persa fala de um pássaro que, de algum modo, é todos os pássaros, Alanus de Insulis fala de uma esfera cujo centro está em todas as partes e a circunferência em nenhuma; Ezequiel fala de um anjo de quatro asas que, ao mesmo tempo, se dirige ao Oriente e ao Ocidente, ao Norte e ao Sul. (Não é em vão  que rememoro essas inconcebíveis analogias; alguma relação elas tem com o Aleph.) É possível que os deuses não me negassem o achado de uma imagem equivalente, mas este informe ficaria insolúvel: a enumeração, sequer parcial, de um conjunto infinito. Nesse instante gigantesco, vi milhões de atos agradáveis ou atrozes; nenhum me assombrou mais que o fato de todos ocuparem o mesmo ponto, sem superposição e sem transparência. O que os meus olhos viram foi simultâneo; o que transcreverei será sucessivo, pois a linguagem o é. Algo, entretanto, registrarei.

Na parte inferior ao degrau, à direita, vi uma pequena esfera furta-cor, de brilho quase intolerável. Primeiro, supus que fosse giratória; depois, compreendi que esse movimento era uma ilusão produzida pelos vertiginosos espetáculos que encerrava. O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico ali estava, sem diminuição de tamanho. Cada coisa (o cristal do espelho, digamos) era infinitas coisas, porque eu via claramente de todos os pontos do universo. Vi o populoso mar, via a aurora e a tarde, vi as multidões da América, vi uma prateada teia de aranha  no centro de uma negra pirâmide, vi um roto labirinto (era Londres), vi intermináveis olhos próximos perscrutando  em mim como num espelho, vi todos os espelhos do planeta e nenhum me refletiu, vi num pátio da rua Soler os mesmos ladrilhos que, há trinta anos, vi no saguão duma casa de Frey Bentos,  vi cachos de uva, neve, tabaco, listras de metal, vapor de água, vi convexos desertos equatoriais e cada um de seus grãos de areia, vi em Inverness uma mulher que não esquecerei, vi a violenta cabeleira, o altivo corpo, vi um câncer no peito, vi um círculo de terra seca numa vereda onde antes existira uma árvore, vi numa quinta de Agrogué um exemplar da primeira versão inglesa de Plínio, a de Philemon Holland, vi, ao mesmo tempo, cada letra de cada página (em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o fato de as letras de um livro fechado não se misturarem e se perderem no decorrer da noite), vi a noite e o dia contemporâneo, vi um poente em Querétaro que parecia refletir a cor de uma rosa em Bengala, vi meu dormitório sem ninguém, vi num gabinete de Alkmaar um globo terrestre entre dois espelhos que o multiplicam indefinidamente, vi cavalos de crinas redemoinhadas, numa praia do Mar Cáspio, na aurora, vi a delicada ossatura de uma mão, vi os sobreviventes de uma batalha, enviando bilhetes postais, vi numa vitrina de Mirzapur um baralho espanhol, vi as sombras oblíquas de alguns fetos no chão de uma estufa, vi tigres, êmbolos, bisontes, marulhos e exércitos, vi todas as formigas que existem na terra, vi um astrolábio persa, vi numa gaveta da escrivaninha (e a letra me fez tremer) cartas obscenas, claras, incríveis, que Betriz dirigira a Carlos Argentino, vi um adorado monumento na Chacarita, vi a relíquia cruel do que deliciosamente fora Beatriz Viterbo, vi a circulação de meu escuro sangue, vi a engrenagem do amor e a modificação da morte, vi o Aleph e no Aleph a terra, vi meu rosto e minhas vísceras, vi teu rosto e senti vertigem e chorei, porque meus olhos haviam visto esse objeto secreto e conjetural cujo nome os homens usurpam, mas que nenhum homem tem olhado: o inconcebível universo.” (O Aleph – Borges, 1978)

EnTão como temos lidado com nosso tempo? Que temos feito do mundo? Do universo contido em nossas vidas? Que pode ser feito desse mar em fúria de informaçãos que tucham-nos garganta/olhos/ouvidos/poros/cú a dentro todo dia a toda hora? Mundo contemporâneo hiper-inforrmacional. Super-exposição à MuLti_mídia. Qual é o resultado? Ferramenta maravilhosA? Certamente que sim, mas a serviço de QUEM? Há de ser possível construir as fábulas e maravilhas que DESEJAMOS com essa fabulosa ferramenta? Há de nos aproximar das fábulas que adoramos? Ou será que nos ata para recebermos QualquER outra coisa? Que nos acostuma a receber qualquer coisa? O que há na tela? O universo? Livre e irrestrito acesso? qual o sentido? Pelo meu cabo de net entram entes na minha casa? Entra vírus na minha máquina? Quem está fazendo barulho na minha sala quando a TV está ligada? Quem lhe deu o direito de falar? A quem pertence o controle remoto? E o controle total? O entretenimento captura a direção das cabeças, para a direita, esquerda, para o alto – enquanto mastigamos em qualquer lanchonete da cidade; para baixo – em nível celular, embalado no ônibus pela solidão apertada dos fones de ouvido. Estamos tão sós… toda essa informação entre nós… nos insensibilizando para o CONHECIMENTO que possa existir fora do Aleph… mas nada escapa o Aleph, quase todos caímos na web… quem é a Aranha? Seremos devorados? Como moscas desatentas? Ou como filhotinhos de aranha que se devoram compulsivamente eclodindo no rito auto-fágico do nascimento/assassinato em irmandade? Sobreviveremos afinal, à essa confusão? E para QUÊ? Para tecer outras teias ou para voar desatentamente?

Simultaneidade: Enquanto Borges dá a letra, o diabo dá uns toks e Science, sempre ciente, ecôa tudo sorrindo&caminhando>SEMPRE&mMOVIMENTO< ATENTO E Desatento; toma tento! Fica esperto! Antenado, com um satélite na cabeça, como quem equilibra-se em uma cadeira flutuando numa espiral… O tempo das elaborações acabou? Já era a ERA em que os balões pensamento flutuavam sobre as cabeças, ligados a elas por pequenas bolinhas de reflexão? Agora os balões pensamento estão todos no interior das personagens, num interior profundo ao qual raramente temos acesso… e quando temos, o que vemos são fragmentos de pensamentos despedaçados… pedaços largados de razões, cacos de lógica, impossíveis de ser remontados em sua forma original… NADA mais tem forma ORIGINAL. Vivemos MAYA, o mundo feito de ilusões. Onírico UNiverso de referências sobrepostas… que só farão sentido dependendo de que música estivermos ouvindo quando  os confrontarmos; só farão sentido segundo nosso estado emocional… que por sua vez, jamais fará sentido porque SEMPRE há motivo para a miséria&frustração bem como para o RegoziJAr da AUROra de uma nova aLEGRIA.

 

Quanto menos futuro houver para a ORDEM em nossos dias próximos, mAIS ela exclamaRÁ ser ouvida! Mais atenção conclama para si!! É hora de calar a ordem? Ou deveríamos apenas seguir ignorando-a? Todo esse choro… Todas essas notícias ruins e propagandas comerciais sempre irão soar como uma criança mimada esperneando no shopping. GRITANDO por atenção… porque quer ser alimentada com nosso olhar, com nossa expressão… enquanto poderíamos estar fazendo tanto mais. Que façamos então! E deixemos que cuide dessa forma pirralha de civilização seus pais legítimos. Que embora eu desconfie que sejam branquelos como eu, juro que EU não sou!

Homens absurdos! Ridícula civilização! Se teve preguiça de ler mais de três parágrafos longos, cuidado! Pode estar infectado! Os jornais e editoras adaptam-se ao tempo da multimídia… menos textos, mais imagens… menos TEMPO mais DATA, menos pensamento e mais reprodução. Opiniões prontas, só repetidas ad eternum. Mentir fica a cada dia mais fácil. A VERdade fica cada vez mais obsoleta. Alguém grafa e desenha nos muros: VER A CIDADE! VER A CIDADE! Precisamos (DE) VERACIDADE!!

ZAP! a velocidade dum choque! A velocidade da morfina batendo no organismo! ZAP! e tu tá parado! ZAP! trocando de canais como se estivesse em movimento! ZAPeando! PARADO ZAPEANDO!! ilusão de escolha. Ilusão de movimento! Ilusão de ESColha! Não há escolha, há ração para a impaciência, cão cego morando dentro! Que late ZAP! ZAP! ZAP! e passa da enchente pros esportes, da troca de tiros com a polícia pro Bob Esponja e Patrik caçando águas-vivas  com suas redinhas… legalzinho , mas só durante um tempinho… depois vem os comerciais e ZAP! E ainda há tanto mais pra dizer, mas ZAP! E Cérbero é um temível cachorro de três cabeças que protege os portões do HADES, mas distrai-se tão facilmente, embora tenha seis olhos e três focinhos com faro implacável… é só atirar-lhe alguma guloseima que isso basta para escapar das dependências do inferno: ZAP! assim fácil fácil! E renascidos na terra estaremos mais uma vez! Para zapear errantes mais um pouco… quem sabe? ZAP! O impacto que Crumb dá nos nervos com seu bico de nanquim! ZAP! todo meu apoio aos MOVImentos popULAres de ocUPAção terrItoRIAL! ZAP! As palavras flutuam inertes, suspensas pelo brilho tremulante duma cansativa insônia adormecida! ZAP! NADA TEM FIM! ZAP! O ShoW não pode ACABAR! ZAP! O Sonho Continua! ZAP! A LutA CONtinua!  ZAP! Minha enxaqueca, depois de três dias, CONTINUA! ZAP! MAIS Analgésicos! ZAP! MAis alguns anos e quimioterápicos nas farmácias! ZAP! O nível dos MAres Subindo! ZAP! (mas Borges já nÃo disse tudo isso?), ZAP! E os Maias já não haviam escrito tudo isso? ZAP! E Sabota já não rimou tudo isso (Nós travamos, NOSTRADAMUS tava certo e não errou!)? ZAP! Outra reprise! ZAP!  Outra estréia! ZAP! Outro remake! E ZAZ! ZÁS! Zás! Aí vamos nós!! A VERdade do universo (narrada pelo Morgan Freeman) à sua disposição mas ZAP! você não teve paciência de ouvir até o final! Os mais audazes, ativos e extrovertidos dizem orgulhosos: “Dormir? Descansar?! Descansarei quando morrer!”… mas eu pergunto: SERÁ?! Ou no meio do descanso, na parte boa do sono ZAP! tu tá na vida de novo! Chorando, sofrendo sujo de meleca e frustração. Surdo e desatento pelo excesso de televisão! Telemetria da alma: isso sim costumava ser um bom espetáculo! Bisões correndo e saltando à luz das fogueiras nas paredes da minha caverna… mas ZAP! Passaram alguns milhares de anos e aqui estou eu, escreVendo num blog.com e sentindo falta dos primitivos tempos de dor de dente e fome invernal… e hoje espero os intervalos comerciais e me entedio com dublagem tosca da vida, mas aguardo mais um pouco, porque quero ver o final… mas até lá… ZAP!

Eu quero um terraço Com telhas de vidro Na beira de um lago De águas azuis E quatro janelas Abertas pro mundo Mostrando a mim mesmo Os pontos Cardeais Eu quero meu rádio De pilha ligado No mesmo segundo Em quatro estações Sentir o bocejo Da boca do mundo Ouvir num segundo Duzentas canções Deitado meus sonhos Sem nenhum remorso Na beira de um lago De águas azuis Não quero esse dedo No rosto de Pedro Nem quero pra Paulo O peso da Cruz São pontos de vista De dois olhos cegos E clara evidência São pontos de luz Não quero essa boca Jorrando pra dentro Palavras e gritos E berros e luz E línguas e lábios E dentes sangrando No tapa, no berro, No braço e no murro Eu quero é dormir Sem nenhum remorso Na beira de um lago De águas azuis 

PONTOS CARDEAIS  (Alceu Valença)

Os agradecimentos pela inquietação que gerou esse post vão para:

Erik Jardinovsky Debatin, Gabriel  Macedo  Magalhães,  Daniel Go Tanio e Lucas Dutra – que ajudaram a catalogar  A Biblioteca de Babel;

Eduardo Antonio Bonzatto –  especificamente pelo  Capítulo I: Apontamentos sobre  a Tradução Iluminista  do Mito da Caverna de Platão  extraído do seu Manual da Contra-História na Anti-Modernidade (http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Apontamentos_sobre_a_tradu%C3%A7%C3%A3o_iluminista_do_mito_da_caverna_de_Plat%C3%A3o);

Lyslei Nascimento  pelo apoio teórico e inspiração (http://www.letras.ufmg.br/poslit/16_producao_pgs/NASCIMENTO,%20Lyslei%202007.pdf);

William  Cole –   por  mostrar com orgulho (notícia rara) que juventude e primitivismo ainda  caminham de mãos dadas;

& todo coletivo NMS   – pela insistência em tirar desordem das programações e mágika  da luz que emana das  nossas telas.

ZAP!

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Cantos Profanos

Posted in Cantos Pré-Históricos, produção NMS, Textos on junho 11, 2011 by ti

“Iä! Shub-niggurath! O Bode Negro da Floresta de Mil Filhos!” – Um Sussurro nas Trevas

H.P. Lovecraft escreve sobre lugares. Eu diria que suas palavras evocam a idéia de espaço; e é nesse sentido que sua literatura tece à maestria o clima de horror e loucura. O espaço não é algo sobrenatural, místico, abstrato, cujo entendimento possa ser vago. O espaço é concreto. É algo que está lá, mesmo se fora da vista e além do alcance. Se falamos de paragens amaldiçoadas, paisagens oníricas ou se nos referimos ao espaço sideral, é irrelevante para a verossimilhança do lugar. Ele pode estar na absoluta escuridão, ou na profunda antigüidade imemorial, mas existe com a mesma força que o chão no qual pisamos.

Pessoalmente, o fascínio pelo Horror me indicou esse filho de loucos e suicidas, que morou com tias “silenciosas e frágeis como gatos” quase que por toda a vida e teve claramente inúmeros problemas de adequação e convívio social, por sorte ou por azar, ainda na minha primeira década de vida. Entretanto, o que me ascendeu o impulso para estabelecer um estudo e pesquisa sobre a vida e obra do autor foi a vontade de rastrear a origem do nome Arkham, conhecido por muitas pessoas como o nome do famigerado sanatório da cidade mais louca do mundo: Gothan City. Vejam o que encontrei numa matéria de Marco Aurélio Lucchetti entitulada “HOWARD P. LOVECRAFT”, publicada na revista Mestres do Terror especial  #3, uma edição de colecionador lançada pela editora D-Arte em 1989:

Lovecraft possuía um estilo altamente descritivo e visual. Para ele, o mais importante era o cenário, o ambiente onde as histórias se passavam. Os personagens e a trama desempenhavam uma função secundária.” – e isso dá indícios de como Lovecraft enxergava a importância humana com a visão que emprestava aos seus escritos. Segundo Maurice Lévy: “A aparição da raça humana, para Lovecraft, não constitui senão um fragmento infinitesimal desta massa cósmica de matéria sobre a qual se exercem forças cósmicas e cambiantes”.

Do ponto de vista neomitosófico, entretanto, a relação Estrutura Espacial VS Personagens nos confere ferramentas para ilustrar um conflito conceitual ainda mais radical, presente em nossas discussões desde os primórdios do grupo, e provavelmente também fonte de inquietações para esse autor e seus companheiros de estudo, reflexão e criação. Trata-se do nosso velho tema: Primitivismo VS Civilização. Afinal, me parece que as próprias edificações avultam-se sobre a terra, tingindo o solo primitivo e seus habitantes com a macabra sombra da civilização. Lovecraft funde esses conceitos antagônicos em um denso caldo – ou porque não dizer charco? – dialético, no qual as profundezas do desconhecido (espacial, extraterreno; abismal, oceânico) representam o imenso caos primordial de onde viemos e para onde estamos prometidos a voltar, enquanto a sanidade, a perspectiva e a racionalidade das protagonistas são como símbolos da civilização, edificadas orgulhosamente sobre os bons costumes do novo mundo, mas tal como castelos de areia, tão absolutamente fadados à desconstrução, à decadência, à entropia que desmantela a matéria devolvendo-a ao caos de onde se originou. Não há como fugir do caos. Hakim Bey canta aos sorrisos sua permanência, mas Lovecraft definitivamente tremia e gelava ao confrontar-se com esses pensamentos.

Todavia, vale à pena lembrar, o posicionamento do narrador estudado no presente texto é absolutamente contrário ao nosso. Elemento fundamental para a construção da sua atmosfera narrativa, o próprio Lovecraft nutria um profundo Horror pelo primitivismo e por toda expressão de incivilização. E seu horror ia além do desconforto e insegurança que um materialista sofre quando confronta um mundo que não pode “exatificar”, transformava-se em ojeriza, repugnância e uma noção (tão popular na aurora civilizada do século XX) de superioridade racial teutônico-ariana. Sim, não podemos deixar de ressaltar o caráter racista de H.P.Lovecraft, expresso indiretamente em sua obra e diretamente em algumas das muitas correspondências que trocou durante a vida. Aspecto faltoso em muitas biografias do autor, até então tratada abertamente apenas por Warren Ellis (em “Planetary/ AUTHORITY – Dominando o Mundo” – publicada pela Pixel em Abril de 2008) e recentemente pela editora Hedra nas excelentíssimas republicações do autor (farejo uma boa edição de Nas Montanhas da Loucura vindo aí…); cito alguns trechos de A Sombra de Innsmouth (1931) que possam apontar para os pontos levantados; na trama, o narrador cita sua breve convivência com os habitantes do vilarejo pesqueiro de Innsmouth, na costa de Massachusetts, EUA e os elementos mais asquerosos do zeitgeist do autor já é apresentado logo nos primeiros parágrafos:

Durante o inverno de 1927–8, agentes do Governo Federal conduziram uma estranha investigação secreta a fim de averiguar certas condições no antigo porto de Innsmouth, estado de Massachusetts. A investigação só veio a público em fevereiro, quando ocorreu uma série de buscas e prisões, seguida pelo incêndio e pela dinamitação – ambos conduzidos com toda cautela – de um assombroso número de casas decrépitas, caindo aos pedaços e supostamente vazias ao longo do porto abandonado. Para almas menos desconfiadas, a ocorrência passou por um duro golpe desferido no curso de uma convulsiva guerra contra a bebida.”

“Os que acompanhavam os jornais com maior atenção, no entanto, admiraram-se com o prodigioso número de prisões, o enorme contingente de homens mobilizado para efetuá-las e também com o sigilo que cercava o destino dos prisioneiros. Não se teve notícia de julgamentos nem de acusações; os prisioneiros tampouco foram avistados em cárceres país afora. Houve rumores vagos sobre uma doença estranha e campos de concentração, e mais tarde falou-se sobre a dispersão dos prisioneiros em instalações navais e militares, mas nada jamais se confirmou.”

Dada a contextualização histórica da obra, fica difícil evitar um amargor no próprio hálito ao refletir sobre as alusões feitas a campos de concentração e extermínio secreto de procedência governamental ainda na apresentação do conto. Mas que tipo de “mal” conclamou as mais drásticas medidas civilizatórias? Que elementos culturais evocaram o desaparecimento para Innsmouth? Obviamente, recomendamos a leitura na íntegra para que esse questionamento seja satisfatoriamente atendido, contudo, citamos mais alguns trechos a fim de ilustrar melhor nosso recorte e abordagem:

A semente da repulsa gerada pelo outro era uma violenta contra-identificação, somado a uma anti-identificação ideológica, “movimento cultural” muito popular na propaganda anti-semita que circulou às vésperas da 1ª Guerra Mundial pelo mundo civilizado europeu. E afinal, o que estabelecia um elo entre uma absurda repulsa pelo outro? Desumanidade é o conceito (delicadíssimo) com que pretendo trabalhar; mas para não soar como “aquele velho racista imbecil que achava que os negros procriavam como lagartos ou coisa assim” (Elijah Snow na supracitada edição de Ellis e Jimenez), respondo simplesmente com “perspectiva”, o que fica muito claro, ainda no mesmo conto, quando o narrador nos diz que “naturalmente, aos olhos das pessoas cultas, Innsmouth não passava de um caso de degradação cívica levada ao extremo” – entendamos “perspectiva” como constructo racional desses “olhos de pessoas cultas” que configuram desumanidade a tudo que não seja seu próprio padrão paradigmático, tudo que não possam compreender, subjugar, enfim, tudo aquilo que não possam dominar (mas que tanto se deleitam em explorar).

Um odioso H.P. Lovecraft escrevia sobre horrores reais e talvez por isso sua obra seja tão contundente. Muitas vezes ele descreve assombrosas visões de “sapos-peixes blasfemos de origem inominável” ou formas “vagamente antropoides” e “coisas inomináveis nas profundezas oceânicas”… mas no fim, o horror não são esses elementos (alienígenas ou não) estranhos, mas o efeito que provocam na frágil mentalidade civilizada, tão despreparada, desprovida de alteridade, esterilizada industrialmente para a diferença e a diversidade, conforme ilustra – cheio de pavor e ódio – o trecho a seguir:

Eram adumbrações monstruosas e nebulosas do pitecantropoide e do amébico; vagamente moldadas a partir de algum lodo fétido da terra corrupta, deslizando e escorrendo de um lado para outro nas ruas imundas ou para dentro e para fora de janelas e portas com movimentos que não sugeriam nada além de vermes infestadores ou das coisas inomináveis nas profundezas oceânicas. Quem dera que uma misericordiosa lufada de cianogênio pudesse asfixiar todo aquele aborto descomunal, acabar com a miséria e purgar a região.”

Que, conforme brilhantemente apresentado na introdução de Guilherme da Silva Braga da já citada reedição da editora Hedra de A Sombra de Innsmouth (Janeiro do presente ano), não pertence à produção ficcional do autor, mas a relatos em correspondência nos quais comenta impressões relativas aos habitantes de diferentes etnias e culturas com que cruzou durante uma viagem em 1922 à Chinatown, na cidade de Nova Iorque.

Além do que, observar a forma como o racismo de Lovecraft fora velado por tantos editores que publicaram sua obra ou material sobre ele no passado, aponta talvez para algum preconceito incubado nesses próprios mediadores, que viram-se desconfortáveis em lidar com um tempero tão indigesto para um banquete de horror irrevogavelmente rico e de alta qualidade literária.

Mas haverá alguma relação entre o racismo e a extrema habilidade literária? O talento para a escrita – em suma a alfabetização – e as noções de superioridade racial do autor poderiam ser rastreadas até uma mesma raiz? Afinal, não é a escrita a expressão máxima da civilização? Marco de passagem da Pré para a Antiga História? Obviamente, elocubrações inúteis quando uma certeza paira sobre essa questão, cristalina como a alvorada: ele falava sobre o medo, e que preconceito não nasce no, do e para o medo?

Os indícios documentais apresentam um H. P. Lovecraft absolutamente comprometido com o ato da escrita. Além de escritor profícuo, um correspondente dedicado – tendo trocado entre 60 e cem mil cartas com amigos, leitores e aparentemente qualquer um que se propusesse a escrever pra ele. Em 4 de Outubro de 1935, descreve ao “Sr. Perry” de forma pontuada e detalhada todo o seu processo de trabalho narrativo. Muitas vezes em cartas para amigos também se mostrou ressentido e orgulhoso da forma como sua excelência literária era recebida pelas pessoas, em especial seus editores, mas também seus leitores em geral.

E se essas são as conclusões apontadas por evidências historiográficas, a especulação histórica pode, com auxílio da ambientação necessária, nos oferecer um retrato talvez um pouco mais aprofundado do rancor que abastecia o horror das palavras de Lovecraft. Escrevia para as pulps magazines, que muito bem poderiam – com misto de orgulho & escárnio – ser neomitosoficamente interpretadas como a ralé do meio editorial. Mas, precisamente falando, as pulps eram almanaques sortidos que publicavam um multigênero de histórias de ficção: contos de detetive e de mistério, de aviação, de fantasia, ficção científica, horror, romance, western… essas publicações já existiam no final do século XIX e proliferaram nos EUA durante as primeiras décadas do século XX. Eram impressões baratas, em papel de baixa qualidade, feitos a partir da polpa da celulose, a matéria prima mais em conta para uma publicação impressa – daí seu nome.

E da polpa dessas magazines, Lovecraft era só mais um; escreveu ao lado de uma enorme lista de artistas tão talentosos quanto ele que colaboraram para a construção do imaginário que seria o berço de super-heróis e do vigilantismo mascarado. Cito poucos: Manly Wade Wellman (que por si só também merecia um post), August Darleth, Colin Wilson, Zealia Bishop, Adolphe de Castro e vários outros incluindo até Orson Wells e suas contribuições para o rádio, são exemplos de autores que ajudaram a compor um cenário ficcional dos mais vastos. Então, enquanto as pulps brindavam a diversidade ficcional que vibrava no broto do século XX – é claro (romantismos à parte) já inserida no processo industrial de produção cultural – Lovecraft preferia ocupar (ou ter ocupado) uma cadeira literária mais nobre, parecia sentir que seu talento e intelecto era desperdiçado em uma mídia que provavelmente aceitaria e publicaria qualquer historieta estapafúrdia. E talvez esse descontentamento do autor seja pretexto para inclinar nosso estudo mais uma vez na direção pretendida… o eixo conceitual da sua obra que gostaríamos de ressaltar.

Por ser um típico fruto da Indústria Cutural, as pulps não só eram produzidas de maneira muito rápida, como também seus conteúdos, de forma que sua leitura também fosse dinamizada, acelerada ao máximo, estimulando o leitor (primariamente tratado como consumidor pelos editores) a comprar o máximo possível de pulps (disponíveis para venda numa enorme gama de títulos correlatos como SHOCK!, Detective Comics, Vault of Terror, Suspenstories, Weird Tales etc…); assim sendo, a diretriz editorial era pautada pelo dinamismo acentuado, a presença de um (ou mais) twist no enredo – uma reviravolta, uma cena que causasse impacto e/ou surpresa – e, é claro, a presença garantida dos elementos simbólicos recorrentes no menu icônico em moda no momento (os supracitados vigilantes mascarados, gangsters, marcianos, detetives, etc…); e nesse bojo temático tão amplo, o horror de Lovecraft encontrava certa dificuldade para contemplar as exigências de ritmo e dinamismo editorial das pulps, bem como o rigor intelectual de suas obras também não se adequavam ao padrão vigente de uma ficção que se estruturava num movimento simplificador que supunha quais os temas que “dão certo” e quais “não funcionam”. Há uma contradição entre diretriz editorial e o próprio gênero: a agenda recomendava dar ao leitor aquilo que ele deseja – como a uma criança mimada – entregando-lhe o que quer para que consuma mais e mais… por outro lado, o horror (em particular o horror lovecraftiano) tem por finalidade causar desconforto, gerar algum tipo de incômodo ou aflição no leitor…

E contradições desse tipo pareciam pautar todo o caminho desse escritor maldito. Retratando regularmente em sua obra o conflito entre civilização (associada à ordem e a uma inestimável estrutura modelizante de proceder social) e o primitivismo ancestral (indicador de barbárie e pensamento rudimentar), por mais que pautasse os temas de seu próprio ponto de vista (preconceituoso arauto da civilização, do contrato social e da ordem em última estância), fazia isso como escritor de horror, ou seja, conduzindo sua narrativa por um caminho no qual o seu ponto de vista (supracitado) findasse sempre em derrocada física, psicológica e emocional. Principalmente psíquica, pra ser mais preciso. E aqueles seres primitivos, bárbaros, de pensamento rudimentar, estética vulgar e organização caótica, invariavelmente acabavam por mostrar-se mais espertos, integrados ao espaço, com proceder mais acertado e indiscutivelmente mais poderosos do que o alardezinho positivista-progressista que o homem chama de civilização.

Lovecraft escrevia sobre seus medos mais profundos. Ele fala no temor em descobrir-se errado. O terror do equívoco. O Horror que há em descortinar suas crenças, sua ideologia, sua fé, toda sua concepção racional e as construções e personificações e demais idolatrias do ego… e revelar que tudo isso é como o reflexo colorido na superfície de uma bolha de sabão e tão frágil quanto. Que estoura em silencio simplesmente desaparecendo… e dando vazão a (ou pondo à visão um) outro lugar, um outro espaço que antes não podia ser visto, dado que a bolha pairava entre, mas que sempre esteve lá. Um mundo primitivo, antigo e mais forte que qualquer coisa. Um pedaço vivo de Pangéia, onde reis predadores ainda caçam. No qual os homens são só um incômodo, como uma infecção fungóide, como manchas de mofo no armário.

Há muitos estudos e interpretações interessantes sobre os mitos de Cthulhu na rede (alguns dos que mais gostei seguem anexo no final do post) mas talvez outro fator a ser considerado além da perícia narrativa e habilidade literária de Lovecraft para a formação dum universo narrativo de força e proporções mitológicas, seja o fato de que foi feito em coletivo. Muitos escritores formaram com ele uma espécie de clube, um grupo de indivíduos que se encontravam para criar, ponderar e conceber panteões inteiros de monstros alienígenas e seitas secretas e mitos de criação & deuses famintos & antigas civilizações… Muitos editores comentavam sobre o círculo, e mesmo os participantes gostavam de expor com o maior primor os frutos desses encontros, “é como um jogo” – disse certa vez Robert Bloch – “como um jogo levado muito – MUITO – a sério”. Esse círculo de escritores tinha por tríade fundadora o próprio H.P. Lovecraft; Clark Ashton Smith, poeta, escultor, pintor, maravilhoso artista multifacetado; e Robert E. Howard, criador do mundo hiperbóreo do bárbaro siberiano Conan. Tudo cozinhado no mesmo caldeirão, por que não dizer, neomitosófico.

A real é que tendo consciência disso ou não, esse grupo criou uma (ou mais) egrégora(s) que segue(m) viva(s) e muitíssima(s) bem alimentada(s). As referências mais recentes a esse universo vão de Alan Moore e Mike Mignola à South Park, Liga da Justiça e jogos de RPG, só pra citar mídias alternativas, porque literatura desse gênero e vocabulário específico provavelmente nunca deixou de ser produzida desde seu surgimento na década de 20 do século XX. Na raíz, a simples hipótese histórica de que imensas civilizações primitivas construíram impérios colossais em setenta ou cem mil anos antes do calendário romano, já é por si só fantástica a despeito do quão arqueologicamente comprovada possa ser. Afinal, insisto, o tema posto em questão é a falência da nossa civilização (enquanto proposta, enquanto projeto e enquanto execução) e como isso aponta para a falência do que costumamos chamar de humanidade. Se essa humanidade está edificada na sanidade, na capacidade de articular com elementos estranhos, ocultos e desconhecidos, e/ou com a própria civilização supracitada; então os Mitos de Cthulhu nos escancaram o quão frágil é também nossa humanidade. Tão vulnerável. Tão fraca ante a roda da fortuna e da transformação.

Esses autores, artistas e estudiosos cantam versos blasfemos para essas outras possibilidades. Sua ficção meio utópica meio niilista apresenta – explicita – o quão efêmera é a realidade – apoiada em outros mitos, em hinos sagrados e convenções sociais reconhecidos e compartilhados por muitos, mas há tão pouco tempo, que sua força é descartável estandarte ocupando o meio do salão. E nos cantos se pronunciam outras melodias, profanas, que apelam para verdades antigas travestidas de contos fantásticos. A dúvida, a incerteza, a presença inegável do caos, são as vigas, as estrofes, o sentido nos versos desses cantos. Cantos recobertos de sombras; mas lá, palpáveis, quase inexprimíveis. Tão verdadeiros quanto o cristo ou a democracia. Tão perigosos quanto. Mais certos de sua força e de seu triunfo… quando a posição dos astros estiver correta e os cânticos certos forem pronunciados. Algo jaz nas profundezas oceânicas abissais, esse espaço desconhecido existe, é real, está lá… esperando… vivendo pleno e saudável seu sonho divino a despeito de nós ou de nossa frágil consciência ignota.

ti<AN

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links recomendados:

http://www.hplovecraft.com/

http://alhazret.blogspot.com/

http://www.sitelovecraft.com/mitosdecthulhu.html

http://mundotentacular.blogspot.com/

https://neomitosofia.wordpress.com/2010/03/11/neomitosofia-x-neomitologia/